3ª Feira

Em algumas conversas, nos últimos dias, apercebi-me da profundidade das consequências dos anos de congelamento na desregulação dos procedimentos nas escolas em matérias como entrega de relatórios de AA, aplicação de quotas para a avaliação do desempenho, publicitação de listas de antiguidade e, agora com as coisas “extraordinárias”, a total confusão instalada com a “recuperação” de avaliações anteriores, quais podem ser, formação acreditada, etc, etc. Claro que se percebe que, com a carreira congelada de forma que chegou a parecer quase permanente, muita gente pura e simplesmente desligou de quase tudo e o “regresso à vida” tem o seu quê de traumático ou, no mínimo, de surpreendente.

Para além de que a “administração escolar” ficou estilhaçada entre os serviços locais que muitas vezes fazem interpretações abstrusas da lei e os serviços centrais que parecem tolhidos na sua autonomia técnica, esperando por orientações políticas, de valor jurídico muito duvidoso, para prestarem esclarecimentos oficiais válidos.mobile-zombie-anim-1

Aquilo Que Eu Acharia Mesmo “Inovador” Em Termos De Avaliação

Uma avaliação cumulativa, em que os alunos fossem alcançando objectivos, desenvolvendo competências, aplicando conhecimentos adquiridos ao longo do ano lectivo com um horizonte de 20 na classificação final (para a qual deveriam conhecer as condições no ninício do ano lectivo de forma clara e objectiva), mas que teria classificações intermédias nos períodos, semestres, bimestres, trimestres, o que entenderem. Ou seja, o aluno poderia ter 6 no primeiro período, 13 no segundo (+7) e 18 (+5) no terceiro, conforme os objectivos/competência/conhecimentos que fosse alcançando. E poderia gerir o seu ritmo, em especial se os seus progressos pudessem ser conhecidos de forma “contínua” e transparente. Poderia querer trabalhar mais num período do que em outros. E tudo poderia ser feito com testes, trabalhos, projectos ou seja o que for. Sejamos heterodoxos e toleremos metodologias diferentes.

Só que isto implicaria mesmo uma mudança de “paradigma” na forma de encarar as aulas e a avaliação. Não seriam mudanças cosméticas com “descritores” e grelhas disto e daquilo. E muito menos com reuniões para tudo e nada. E até poderia ser feita por ciclo, com um total global.

No Básico também seria possível, com a escala de 0 a 100% e conversão posterior  em escala de níveis de 1 a 5 ou a 10 (a minha preferida). Os alunos iriam sabendo quanto já tinham alcançado. Não é muito diferente do que se usa em abordagens menos convencionais da avaliação, só que sem fingir que é novo e depois acabar por dar notas de 1 a 5 como sempre em cada período.

Isso, sim, parece-me “inovador”, mesmo se exista, quase por certo, quem me diga que já foi experimentado algures. Não me sinto bafejado pela singularidade intelectual absoluta como é apanágio dos inovadores por desígnio.

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Não Me Choca Nada, Mas Não Me Parece Inovador, Antes Cobrindo Com Verniz E Purpurinas O Que Já Se Conhece

Vamos lá ler o que passa por ser uma grande novidade:

“O modelo, a implementar no próximo ano letivo, passa por não dar notas aos testes e outros instrumentos de avaliação dos alunos, tal como são conhecidas, mas por várias menções descritivas do seu desempenho em vários itens e em cada momento de avaliação, seja escrita ou oral, indicando onde pode melhorar o seu desempenho”, disse o presidente daquele Agrupamento de Escolas, que abarca cerca 200 professores e 1.900 alunos do pré-escolar ao 12º ano de escolaridade.

Ora bem… isto não é muito diferente de avaliar por domínios e subdomínios com uma escala qualitativa em vez de quantitativa.

Mas apresenta-se como sendo algo diferente.

Segundo Jorge Costa, este novo modelo representa uma “avaliação ao serviço da aprendizagem” e é o “tomar a dianteira” relativamente a “novos critérios de avaliação e outra forma de avaliar, ensinar e aprender”, num projeto idealizado e concebido no âmbito da autonomia de gestão pedagógica do Agrupamento de Escolas de Abrantes, no distrito de Santarém.

“É uma alteração significativa no modelo de avaliação”, notou, tendo referido que “o que se vai começar a avaliar são descritores, ou seja, as competências que um aluno consegue ter em cada domínio, em cada disciplina”, num modelo que privilegia o “caráter contínuo e sistemático” da avaliação.

Qual o problema? É que, em especial no Secundário, é necessário converter essa avaliação com base em descritores num valor de 0 a 20 e então como se fazem as coisas? Sim, o aluno não “carrega” com “uma nota negativa” mas, afinal, vai dar mais ao menos ao mesmo no final do processo/período/ano. E o “carácter contínuo e sistemático” da avaliação não depende do tipo de avaliação (descritores qualitativos sem classificação final/avaliação quantitativa por domínio com nota final), mas sim do diálogo estabelecido com os alunos.

Nesse sentido, acrescentou, “o aluno deixa de carregar com uma nota negativa e é avaliado por vários descritores ficando a saber onde pode melhorar o seu desempenho em cada domínio, através de uma classificação parcelar e não através de uma nota global“.

Para Jorge Costa, a mais valia do novo modelo “passa por colocar a avaliação ao serviço da aprendizagem e de conseguir arranjar uma estratégia” para a sua consecução, sendo apenas atribuídas notas de 0 a 20 no final de cada um dos três períodos letivos, para que, através da avaliação formativa, se chegue à avaliação sumativa, atribuída no 3º período letivo.

Pessoalmente, acho que este modelo é mais interessante para o Básico do que para o Secundário porque, podem achar que não, mas os alunos ficarão mais perdidos, enquanto não perceberem como se dará a conversão dos “descritores” em “valores”.

Compreendo a necessidade de apresentar como um enorme avanço o que é apenas uma demão de pintura na fachada, mas isso só engana quem não percebe que, no fundo, os procedimentos “novos” vão dar ao mesmo.

Ideia

Finalmente…

… comprei-o, ao fim de uma dezena de campanhas e promoções a 40-50%. Confesso que por causa do Limonov de Emmanuel Carrère, um dos melhores livros que li, sem exagero, na presente década. Espero repetir pelo menos uma parte do prazer, mesmo se o registo é diferente.

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2 ª Feira

As provas deixaram de me observar. Estaria tudo despachado se o JNE e o IAVÉ se coordenassem nas instruções que dão. Eu tenho a noção do que deve ser feito, mas continuo sem resposta a uma contradição entre o que surge no rosto da prova produzida pelo IAVÉ e as instruções recebidas por escrito no agrupamento de exames do JNE, Nos dois casos, é claro o que é indicado, só que se contradizem. Mais de 24 horas depois de colocar a dúvida (a única!), continuo sem resposta oficial.

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