É Mentira!

Convinha fazer um escrutínio mais cuidadoso do spin do ME em matérias importantes, mas é capaz de dar muito trabalho. O ministro leu o memorando que lhe deram e anda pelo país (como outros elementos da sua equipa) a dizer que a medida de redução dos alunos por turma atinge 200.000 alunos e aproveitam para dizer que atinge quase um milhar de escolar.

É mentira a primeira afirmação e uma verdade manhosa a segunda.

A verdade é que a medida se aplica a 137 agrupamentos e escolas não agrupadas que, no total, atingirão esses números totais de alunos e escolas. No caso das escolas, até pode ser que sejam todas atingidas, mas como a medida se aplica apenas às turmas do ano inicial de cada ciclo de escolaridade, o número de alunos atingido é muito menor. Repare-se que no 1º ciclo serão abrangidas apenas as turmas do 1º ano e não as do 2º ao 4º. Num cálculo generoso andarão pelos 70-80.000 alunos, nunca atingindo metade do valor adiantado pela propaganda comunicacional do governo.  Que pouca gente pareça interessada em desmontá-la nos tempos que correm, mesmo em espaços de análise, é algo interessante e que poderia ser, por sua vez, objecto de interpretação.

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Ansiedades

A solução estará em fazer a avaliação pela net… e até estará de acordo com o perfil de competências para o século XXI (a propósito… onde está o documento final?).

Ou não! Se calhar os apóstolos das tecnologias para tudo e nada é que andam baralhados de tanto quererem parecer muito à frente.

Quanto à ansiedade com a avaliação, muito eu gostaria de saber quanta dela é transmitida pelos adultos ao redor.

Adolescentes portugueses sentem-se

mal quando não têm Internet por perto

Estudo da OCDE diz que jovens que têm um uso extremo da Internet mostram-se menos satisfeitos com a vida e têm também desempenhos académicos piores.

Alunos portugueses entre os mais ansiosos da OCDE face à avaliação escolar

Releitura do pensador de Rodin

As Contas do Insucesso (mas com Sentido)

Há vários anos que discordo abertamente das contas que por cá se apresentam sobre o custo financeiro do insucesso escolar. Não falo das questões sociais, psicológicas ou pedagógicas. Refiro-me à demagogia desenfreada que, independentemente da cor dos governantes ou especialistas, assalta quem fala disto com contas mal feitas. Arranjam um valor médio por aluno e multiplicam-no pelos “chumbos” e acham um valor que praticamente ninguém questiona (e a comunicação social amplifica de forma acrítica), excepto este ou aquele idiota como eu a quem esse tipo de contas cheira a esturro. Mas, como se sabe, os títulos e as medalhas de valor e mérito estão todas do lado deles e eu passo por ser apenas um tipo que não percebe nada de contas públicas e a quem, quando a coisa aperta, se dirigem umas bocas assim pró foleiro, em especial na minha ausência ou em remoques privados.

Só que… parece que o problema não é só meu. Acedi há uns dias ao relatório feito em 2015 pelo Institut des Politiques Publiques que faz o estudo dos custos das reprovações em França, numa perspectiva que até é favorável ao seu fim ou redução e que, entre outras coisas, faz as contas aos encargos financeiros do insucesso.

Só que… eis o que é escrito a esse respeito:

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Isto significa que um país que de acordo com o nosso CNE apresenta um nível de insucesso relativamente próximo do nosso (28,4% dos alunos com pelo menos uma retenção por lá contra 34,3% por cá de acordo com um estudo feito praticamente na mesma altura do francês) teria uma poupança de 2 mil milhões de euros em 10 anos, sendo o orçamento anual da Educação de 65 mil milhões. Ou seja, uma poupança numa década de 3,1% de um único orçamento (cerca de 0,3% em média por ano).

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Por cá, as contas são todas outras… para um orçamento anual a rondar os 5,5 mil milhões de euros (valores dos orçamentos de 2015 e 2016) , os nossos especialistas apontam valores de poupanças anuais de 600 milhões (nos momentos de maior delírio demagógico) ou de mais de 250 milhões de euros (quando tomaram um cházinho de camomila). O que significa algo como uma poupança entre os 4,5% e quase 11% por ano. Isto só faria sentido de tivéssemos um insucesso 15-20 vezes superior ao francês, o que não é o caso.

As observações metodológicas do estudo francês aplicam-se de igual modo ao caso português: os alunos que não chumbam não deixam de ser alunos (só saem os que terminam a escolaridade obrigatória e não continuam estudos), até passam para ciclos de escolaridade mais caros e há custos fixos que não desaparecem com o fim dos chumbos.

Mesmo com poupanças a triplicar as francesas para compensar diferenças “sistémicas” ou da amostra usada (1% do orçamento anual), o valor seria de 50 a 60 milhões de euros. Nunca os valores que andam por aí a espalhar,  incluindo nas “formações para o sucesso”, mesmo na versão menos despudorada. Pode ser muito, mas é certamente muito menos do que a agit-prop dos sucessivos ME, seus apóstolos do sucesso e do próprio CNE com todo o seu saber técnico (vá… quem ler isto faça lá as queixinhas do costume a quem sabemos).

Porque entre nós se engana a opinião pública desta forma e com tanta facilidade e colaboração de muita comunicação social? Há resposta para isso, mas já me chega de criar amigos. Porque ou são incompetentes, apesar de tão qualificados, ou são pura e simplesmente desonestos e eu tenho dificuldade em definir as fronteiras da “mera” desonestidade “política”. Há (deveria haver) limites para o spin político. E, já agora, para o colaboracionismo mediático.

PG Verde

Running on Empty

Se é o Vieira da Silva é porque é de Esquerda! Poderia comentar, mas não sou assim tão adepto do vernáculo. Prefiro que assumam as coisas, em vez destas hipocrisias… o PS no seu habitual no governo, mas agora com chancela das muletas de esquerda que acenam com o papão da “Direita”.

Governo propõe aumentar todos os anos a idade mínima da reforma

As penalizações para quem se reforme antecipadamente serão menores, mas o acesso à reforma será mais difícil, uma vez que aumentará todos os anos, propõe Governo.

Treadmill

Parece que não é só em Viana

Crianças com deficiência e em carência económica perdem apoios terapêuticos em Viana do Castelo

O subsidio de educação especial, apesar do nome poder dar a entender que é um subsidio atribuído a crianças que frequentem o ensino especial, é um subsidio que desde 1981 serve para comparticipar terapias como psicologia, terapia da fala, terapia ocupacional e outras, que crianças que possuam deficiência (comprovada através de certificação de médico especialista como Pedopsiquiatras, Neuropediatras, pediatras de desenvolvimento)  e em carência económica, quando as escolas não tem técnicos que possam prestar estes apoios.

Patinhas

Do Bom Senso (e Boas Maneiras)

 

Adoção de novos manuais escolares
(ano letivo de 2017-2018)

Caro(a) Professor(a)

Em finais de março, a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) emitiu um esclarecimento sobre o período de adoção de manuais escolares que se avizinha.

Neste contexto, respeitando as regras definidas pela DGEstE, [nome da editora] gostaria de informar que vai enviar, para cada estabelecimento de ensino, um exemplar-amostra completo de cada projeto editorial sujeito a apreciação – incluindo os respetivos recursos didático-pedagógicos complementares – e um conjunto de exemplares-amostra dos novos manuais para serem entregues aos professores, ficando ao cuidado do órgão responsável pelo processo de adoção em cada estabelecimento de ensino a respetiva distribuição.

De acordo com a prática habitual de há já muitos anos, estamos a desenvolver sessões de apresentação dos manuais dinamizadas, sempre que possível, pelos autores, assegurando assim que todos os professores interessados possam conhecer as novas propostas editoriais através da voz e da presença de quem nelas trabalhou durante longos meses.

É nosso compromisso envidar todos os esforços para garantir que os professores tenham acesso aos manuais escolares a adotar, para que os possam analisar de forma livre e responsável e com o rigor e cuidado que este processo merece, facilitando, assim, a opção por aquele que mais se adapta às suas necessidades, às dos seus alunos e ao projeto educativo em que se inserem.

A Equipa [nome da editora]

Vou acrescentar aqui apenas um princípio básico que usarei (como no passado) nesta coisa da escolha de manuais: recuso-me a optar por manuais que tenham entre os autores pessoas que tenham participado em grupos de trabalho, estruturas de missão, seja o que for relacionados com a definição de metas ou programas da disciplina do manual ou de perfis, flexibilizações e coisas afins. A vida está difícil para todos, mas há que traçar algumas linhas vermelhas claras.

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