Pequeno Guia Para Uma Avaliação do Desempenho (da Gestão) Jornalística

Mais adiante destacarei alguns aspectos que acho fundamentais, mas fica aqui a ligação para o relatório mais recente da Obercom (clicar na imagem para aceder). Porque a mim apetece pouco receber lições de quem não as tem para dar.

PObercomK

Anúncios

Por Uma Avaliação a Sério do Desempenho Jornalístico – 2

Gosto de colocar a coisa em números. Fui ao site da APCT e saquei os números da circulação dos jornais generalistas portugueses para 2005 e 2016 em excel e comparei-os. Os resultados são bem reveladores sobre o “desempenho” de quem os dirige e da forma como o “mercado” responde à sua acção. Exclui os jornais gratuitos e coisas como as Selecções do Reader’s Digest ou a Visão História. Em 2005 ainda há jornais que entretanto desapareceram. Em 2016, faltam as tiragens do Sol e I, mas isso é ultrapassável.

Jornais General

A realidade é que a circulação desceu para menos de 2/3 do que era e mesmo que era e mesmo que arredondemos os valores para 3.000.000 em 2016 ficamos com um valor de 72% em relação ao de 2005. Deve ser tudo do “valor acrescentado” e do “mérito”. Ou então é o “contexto desfavorável” a explicar. Nunca a responsabilidade de quem dirige os “projectos”.

(e atenção à “NOTA: A Circulação Total Impressa inclui a Circulação Total Digital”)

Ahhh… são “as redes sociais”. E devem ser também as redes sociais que explicam o descalabro do nicho mais curioso do nosso “mercado comunicacional”, ou seja, os das publicações de “economia, negócios e gestão”. Porque certamente os nossos “empreendedores” guiam a sua informação pelo instagram e pelo snapchat.

Jornais Econ

A circulação total anual é menos de 50% do que era. A “crise”, claro, explica tudo. Foi feito um “ajustamento” e só ficaram os “melhores”… o pior é que mesmo os “melhores” levaram uma bela cacetada.

E é interessante, se nos dermos ao trabalho, de ver a diferença entre a tiragem e a circulação paga. Em 2005, a circulação era inferior a 70% da tiragem, mas em 2016 já ultrapassa os 78%. No caso dos generalistas a coisa ainda é mais substancial, pois em 2005 a circulação atingia menos de 62% das tiragens e em 2016, apesar de subir, ficou pelos 67,8 (e se incluirmos o Sol e o I acho que ainda desce).

Explicações podem existir várias (duas delas muito pouco caridosas), mas deixemo-las para o relatório de auto-avaliação do desempenho jornalístico de “quem sabe””, os faróis do conhecimento acerca da matéria, os cultores da progressão apenas pelo “mérito” e pela avaliação dos “utentes”.

O engraçado sem graça é que são sempre os mesmos, numa rotação de cadeiras entre “operacionais” deste tipo de “projectos”, os quais depois acumulam com “análise” nas televisões, nunca os tendo eu visto fazer uma espécie de declaração de interesses, a explicar que não é propriamente “jornalismo” o que “projectam”.

(mas é óbvio que a culpa disto foi da crise internacional e, como já referi, das “redes sociais”, não da degradação do jornalismo enquanto actividade independente e trustworthy, para usar termos lá de fora, como fact-checking e accountability… desde que os shareholders paguem… a malta “reajusta” despedindo os mexilhões mais inconvenientes…)

Por Uma Avaliação a Sério do Desempenho Jornalístico

Nota prévia: neste texto refiro-me ao que eu considero “operacionais” de projectos que têm muito mais de político ou económico (ou de vaidade pessoal) do que efectivamente de “jornalístico” e que circulam pelas direcções e chefias de órgãos de comunicação social como se fossem uma espécie de jogadores de futebol em circulação por clubes associados aos interesses de agentes do “mercado”. Não falo de quem , nas redacções faz o seu trabalho o melhor que sabe e lhe deixam, procurando sobreviver na selva.

Para que fique ainda mais claro falo dos baldaias, dinis, fernandes ou, no caso das vaidades, de um certo tavares protegido de alguém que não se importa da sua cegueira em relação ao que levou milhares de milhões ao erário público, mas a quem confunde muito que um professor ganhe mais 100 euros ao fim do mês.

(nem sequer incluo aqui aquele tipo que adorava as boalchinhas da mlr e que andou pelo cm e pelo i, conforme lhe deram a mão…)

Falo daqueles que sistematicamente criticam os professores e insistem em considerar que a classe docente não quer ser avaliada pelo seu mérito ou pelo desempenho dos seus alunos. Que no privado é que é, que no privado é que dói muito e só vence o tal “mérito”.

E eu reverto o argumento:

O que sabemos sobre o “mérito” de algumas destas figuras? Que “enterraram” as vendas de quantas publicações? Que “valor acrescentado” (para além de cortes nas redacções e despedimentos a granel) têm estas figuras para apresentar? Qual a evolução das vendas das publicações que dirigiram ou dirigem? E não me venham com o online, porque para isso era necessário demonstrar (o que nunca vi) que aquela publicidade funciona mesmo e paga “projectos” como o Observador que, se não tivesse investidores interessados em promover uma agenda político-ideológica muito específica não teria condições para andar a contratar os despojos de outros “projectos”, enterrados pela elite que temos de directores de jornais.

Poderão estes senhores (e algumas senhoras) explicar qual a “avaliação” que têm para nos apresentar? Se forem as vendas, estamos falados… só o cm se safaria. Nem o bastião do regime escaparia e basta ver o que o balsemão vai fazer ao seu grupo de comunicação, para se perceber que o “mérito” tem pouco reconhecimento no “mercado”. E nem sequer podem falar em grande concorrência – não me digam que é o facebook que os derrotou? – porque estão quase todos em falência mais do que técnica.

O que observa quem lê jornais e revistas há 35 anos e os comprou a fio durante décadas é uma atroz endogamia entre “investidores” e alguns jornalistas em cargos de chefia, bem como uma relação pantanosa com alguns interesses económicos. Basta ver como, subitamente, ninguém se lembra da publicidade plantada pelos salgados e bavas (e mexias e tantos outros) para obterem “boa imprensa”. Alguém terá coragem de avaliar o dinheiro que entrou em certos “projectos jornalísticos” com esta origem?

Ou – já agora – porque se falou numa lista de jornalistas com certo “rasto” nos papéis do panamá, a qual depois desapareceu sem deixar o tal “rasto” visível? Será muito estranho associar isso a certas movimentações que então aconteceram entre órgãos e grupos de comunicação social? É esse o “mérito” de que falam e querem que os outros demonstrem.

Os professores desenvolvem o seu trabalho de forma transparente. Há bons, maus, medíocres, suficientes e excelentes em diversas gradações e proporções. Como em muitas outras profissões, mas há uma meia dúzia de luminárias com direito a coluna regular e voz de comando nas redacções que se acha com valor e competência para duvidar sistematicamente da sua qualidade. Os alunos melhoraram o desempenho? Foram @s ministr@s da sua estimação que fizeram leis boas. As coisas correm mal este ou aquele ano nos exames ou provas de aferição? É falta de “formação” dos professores.

Mas se um jornal apresentar sistematicamente quebra de vendas ou de publicidade já é o “contexto” que explica tudo e não a incapacidade ou incompetência de quem os dirige que é sublinhada.

O duplo padrão é a moeda corrente das análises dos baldaias, dinis e fernandes. E nem falo da diva da página qualquer coisa do espesso semanário)

Mas ainda bem que nos exigem aquilo que não praticam.

Percebem que estamos em planos éticos realmente muito diferentes.

(e aposto que, apesar de muito liberais e defensores da liberdade de opinião sem verificação à tavares, não gostam nada que se lhes aponte este tipo de coisas…)

PG Verde

As Pós-Verdades do Observador, Muito Repetidas, Apenas Me Fazem Pensar Que ao JMFernandes Também Bateu um Síndrome Qualquer

Isto não é verdade, nem vale a pena explicar, porque quem não quer perceber, nunca perceberá. Ou melhor, até percebe, só que a sua agenda ideológica não lhe permite ir mais além do que a repetição acéfala das mesmas vacuidades.

Os professores pedem progressões automáticas como as de outros funcionários públicos, mas nem sabem como tal é injusto quando pensamos no mundo real e não protegido dos trabalhadores do sector privado

(…)

Neste ponto há diferenças para o resto da administração pública onde a “progressão automática”, sem esforço, só pode ocorrer, na melhor das hipóteses, de dez em dez anos. Fora desse automatismo funciona o mérito, mas o mérito é algo que os professores sempre se opuseram a medir.

Isto é objectivamente mentira. É falso. Se o José Manuel Fernandes decidiu enterrar de novo a cabeça em cheio na “nogueirização” das questões docentes é lá com ele, mas esperava mais (sim, a sério que até esperava), nem que fosse um pouco mais do que rigor do que é a média de um mstavares sem arreios.

Este tipo de acrimónia é de uma enorme desnecessidade e apenas parece que alguém perdeu o tino por completo. Os professores não são avaliados? A sério? Os resultados dos alunos não contam para nada? Mas então não têm subido de forma consecutiva nos últimos 20 anos em testes internacionais? Não interessa.

O mais curioso é que José Manuel Fernandes e todo o séquito de observadores desdenha de todos os números do governo do PS e em especial dos das Finanças, mas quando se trata de contabilizar os custos da progressão dos professores, os 650 milhões já são aceites sem crítica.

Se consultarmos o Perfil do Docente mais recente (2015/16) constataremos que os professores dos quadros são pouco mais de 103.000. JMFernandes escreve que “serão mais 650 milhões de euros em salários de funcionários públicos”. Ou seja mais de 6.300 euros anuais para cada professor (.c, 500 por mês).

Não faço ideia se isto é mesmo assim… mas não me parece bater muito certo. Isso significaria que todos os professores teriam de ser posicionados, no mínimo, 3 a 5 escalões acima do que estão neste momento. A diferença, por exemplo, entre o 3º escalão (onde estão estacionados muitos professores com mais de 20 anos de ensino) e 5º escalão não chega a 300 euros mensais (ver aqui a estrutura salarial e de escalões da carreira docente). Em relação ao 6º escalão é de c. 364 euros. Só para o 7º escalão (4 escalões acima) a diferença mensal bruta dá valores que podem dar razão aos números das Finanças. Salvo para os docentes no actual 5º escalão (o degrau de 2 anos que foi enfiado na carreira para atrasar tipos como eu), o tempo de congelamento implicou a perda de dois escalões na carreira, no máximo de três.

O problema do governo é o pessoal que está no actual 9º escalão e tem condições para aceder ao mítico 10º escalão criado por Sócrates para iludir os titulares criados pela sua ministra de estimação (a da festa da Parque Escolar, onde nunca percebo se JMFernandes acha que muitas centenas de milhões foram enterrados com “mérito”, por exemplo no grupo LENA). As várias tentativas para empurrar esse pessoal para fora da carreira ainda não conseguiram reduzir o número de forma considerada suficiente.

E estamos a falar de valores brutos… nunca de valores líquidos (sim já me disseram que as “contas públicas” parecem não contar os impostos dos funcionários do Estado como receita, mas isso é uma treta). A verdade é que, em termos líquidos, a despesa do Estado com o reposicionamento dos docentes, dificilmente ultrapassaria em muito os 400 milhões de euros e se fosse diluída no tempo (4-5 anos), poderia ser de 100 milhões por ano.

Peanurs, peeners, alcagoitas, se compararmos com os empréstimos do vara na cgd.

Mas isso, a JMFernandes não interessa nada. Porque a sua raiva em relação aos professores consegue ser mais forte do que o seu combate ao governo da geringonça.

É obra!

Mas este Gajo Fala em Nome de Quem?

UGT admite acordo faseado com professores, “até por futuras legislaturas”

Carlos Silva mandou “pela primeira vez” um SMS a Costa a pedir negociação pelos professores. E falaram na segunda-feira à noite. A UGT sente “uma certa orfandade”. Mas está aberta a negociar um acordo comportável para Centeno.

Pizza

(o mesmo se aplica ao Arménio… entre as saídas de sendeiro e as entradas de leão, venha qualquer governo e escolha…)

A Perda do Sentido de Humor…

… ou da percepção da ironia ou mesmo sarcasmo é um traço preocupante do estado mental de muita gente, velha,. nova ou no entretanto. As salas de professores há muito que estão demasiado sisudas, mas o mais grave é já quando nem têm capacidade para deixar de o ser e é preciso explicar tudo, sílaba a sílaba.