4ª Feira

Comecei a dar aulas quando estava a terminar o curso, lecciono de forma intermitente uns anos e só depois fiza opção de continuar de modo permanente. Só fiz a profissionalização com uma década de prática e sempre me desgostou o modelo dos “professores de aviário” com certificados sem experiência e formados por gente com escasso ou nulo conhecimento do quotidiano de uma escola básica ou secundária do mundo real. Defendo um “paradigma” a milhas do bolonhês para a formação de professores. Sou dos que acham que prefiro deve existir uma boa formação disciplinar e só depois a pedagógica. Sou arcaico assumido. Por isso, nunca poderei concordar com os enxertos antevistos para a habilitação para a docência e pre-anunciados pelo ministro Costa, que configuram mais um passo para a desqualificação da docência. Nunca quereria para os filhos dos outros p que não quis para a minha.

3ª Feira

Somos uma classe profissional tão altruísta que devemos ser das poucas, em especial com qualificações superiores (por enquanto), que alberga um forte grupo “anti-corporativo”, curiosamente mais activo dos lado dos “radicais de esquerda”, que acha muito mal que se defendam os interesses daquilo a que ainda chamam “classe”, mas que criticam que actue como tal, à imagem de advogados, médicos, enfermeiros, polícias, etc. Gente com muito “sentido de responsabilidade” como se viu pela absoluta ineficácia nos anos da geringonça. E depois acham que me ofendem ao chamar-me “corporativo”. Antes isso do que outras coisas.

Vão-se catar, porque tratar já não vão a tempo.