7 thoughts on “O Radicalismo É Todo Canhoto?

  1. “Radical”: com este epiteto podemos descortinar a deriva ideológica que tomou conta da cena e do discurso político, basculando-o no sentido da direita e de forma cada vez mais hegemónica, assumindo ele os contornos de uma arma de arremesso para descredibilizar e condicionar os oponentes (vejam-se os resultados no PS e em AC, designadamente).

    Para analisar melhor este fenómeno, observem-se dois exemplos concretos: o Siryza e Sampaio da Nóvoa. Ambos foram e são chamados “radicais” pelo discurso da direita e ventilado pelos seus aparelhos ideológicos.

    No caso do Siryza ainda se pode dizer que haveria algum radicalismo ideológico nas suas posições iniciais (o que também se poderá entender como estratégia negocial: começar com a parada alta), mas que o tempo revelou ser mera resistência ao radicalismo austeritário dos eurocratas (manobra ideológica típica: imputa-se ao outro campo a nossa própria postura), acabando na simples defesa de uma “posição mínima”, numa estratégia já defensiva e em perda.

    Porém, com SdN, qualquer leitura minimamente atenta e isenta dos seus discursos não consegue encontrar nele ponta de radicalismo esquerdista (cujos tópicos são sobejamente reconhecidos). SdN limita-se a assumir uma visão de homem de reflexão e de cultura sobre os problemas do país, a que se junta uma postura cívica de cidadania interventiva. O seu “radicalismo” resulta simplesmente, reveladoramente, de pensar pela própria cabeça, de confrontar a perspectiva e os valores do discurso dominante, colonizado pela direita ultraliberal, denunciando a indigência e os perigos do credo TINA, dos seus embustes e contradições.

    Radical my ass!

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  2. É. Mas não convém recordar as posturas da direita radical que alguns, por essa Europa fora mostraram quando o Syriza lhes fez frente . O ministro das Finanças alemão é um radical de direita perigoso (mas não está só) apesar de agora ter sido amestrado. A Tia Angela escondeu-se atrás dele e depois fez fotos com os refugiados.
    Esta gentalha de direita, da direita ultraliberal que se apossou da Europa é perigosa. Neste momento gozem connosco por a austeridade ter vencido: dobram a Grécia para os outros não piarem. E não piaram. Acham que venceram.
    Mas…

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  3. O radicalismo de direita, a direita ultraliberal, usa justamente o apodo de “radical” para desautorizar e condicionar quem se lhe opõe de forma mais decidida ou séria: em primeiro lugar, é típico de um radical – pela sua estrutura mental maniqueísta – achar que quem lhe faz frente só pode ser um radical, depois, porque com essa estratégia (ataca-se para não se ter de defender), esconde-se não apenas a própria postura, como se coloca o odioso dela (que não se quer reconhecer nos próprios) no adversário.

    A ideologia, ao invés do que julgava Marx, mas Gramsci compreendeu bem (e os ideólogos da direita assimilaram), não tem uma natureza apena negativa (esconde, cerceia, dissimula, como está patente neste caso), mas tem também, ou tem sobretudo, uma dimensão produtiva: permite criar narrativas e cenários que transformam a visão dos indivíduos e dos grupos sociais sobre a realidade – o “radicalismo de esquerda” cobre logo as posições diversas com o manto do descrédito e da menoridade, tornando-as coisas pouco sérias -, e quem domina aqueles dispositivos tem a dominância ideológica sobre a sociedade, que se consumará na hegemonia.

    A hegemonia do discurso ultraliberal mostra a sua pregnância no modo como todo o campo político está colonizado pelos seus valores e perspectivas, colocando a esquerda no terreno que ela quer e domina ou na mera defensiva. O eclipse do “socialismo” e a “social-democracia” europeus evidenciam bem o sucesso dessa operação

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