Continuidade

Nuno Crato afirmou, algures, que o seu trabalho iria ser mantido e houve quem achou logo que isso seria uma admissão de que iria continuar no cargo.

Acho que é apenas uma constatação… ele continuou Maria de Lurdes Rodrigues como um seu sucessor, do PS ou do PSD continuará o essencial do que têm sido as políticas, mais ou menos prova final, educativas neste século. Por isso, tantas declarações sobre a necessidade de pactos de regime e tantas discordâncias em relação ao acessório.

Falai-lhes em gestão da rede escolar, de modelos de administração escolar, de descentralização (leia-se municipalização) de estruturação da carreira docente e verão que só há variações na tonalidade do cinzento escuro. Tudo em nome da eficácia.

Quanto aos alunos, haverá a simples preocupação em afirmar que se quer o seu sucesso, com ou sem exame/prova final de 4º ano/4ª classe, conforme a terminologia política.

Crato

14 thoughts on “Continuidade

  1. Os reflexos destas nulidades ver-se-ão, em pleno, daqui a um tempo não coincidente com a vida de algumas das criaturas ou em que as mesmas já estarão no fundo do baú.

    “Vanitas vanitatum”! Triste gente!

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  2. A maior diferença que se começou a notar a partir do início deste século, e nomeadamente no consulado de ML, talvez resida no facto das concepções neoliberais se começarem a manifestar, de forma mais contundente, nas nossas políticas educativas.

    O facto de tais concepções – basicamente: ensino utilitário, gestão taylorista, proletarização do corpo docente, concentração economicista de recursos – passarem por vezes despercebidas no mandato de MLR deve-se quer ao estilo assumidamente truculento e conflituoso da personagem (concitando e concentrando em si própria as animosidades, o que se revelou eficaz: ainda há muita gente que a não conseguiu esquecer, beneficiando assim a imagem dos seus sucessores…), quer ao populismo, de pendor pseudo-social(ista), que impregnou iniciativas como as NO ou ao bodo arrivista das novas tecnologias.

    NC, quer por sintonia ideológica de fundo, quer pelas circunstâncias favoráveis da governação – o álibi do austeritarismo servido de bandeja pela troika -, levou até onde pôde (e, infelizmente, não foi assim tão pouco) esse programa ideológico.

    Hoje, as escolas vivem nesse modelo de desenho neoliberal: ensino subjugado aos interesses e aos valores mercantilistas, gestão tecnocrática e burocratizada em “modo mega” (favorecendo a hierarquia de comando, vertical” ou mais “horizontal” depende da moda autonomista/municipalista em vigor), corpo docente cada vez mais proletarizado e uniformização pedagógica (sob a pressão da “eficiência” e dos “rankings”).

    E pelo que se pode perceber, este modelo veio para ficar: o “reformador” que se segue apenas lhe introduzirá afinações de pormenor (o seu “cunho reformista”…).

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  3. Concordo em absoluto, já estou farto de o repetir, a milú foi a grande destruidora da escola pública e da vida dos professores. Os que a seguiram apenas continuaram a sua política de terra queimada e de espezinhamento de uma classe que se deixou violar passivamente para gáudio de alguns e com o beneplácito dos sindicalistas que nada tinham a perder. Hoje o estado das coisas parece-me irreversível, pois continuo a ver a mesma inércia nos mesmos actores. Enquanto assim for não é necessário aos governantes deste desgoverno fazer diferente do que têm feito; cortar, espoliar, atropelar, roubar e estupidificar… Quem tudo consente não merece mais do que tem.

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  4. Bom, por alguma razão não votei ps/psd/cds. É que os programas para a área da educação eram a continuidade.
    Atualmente a única coisa que me aborrece mesmo, na escola, é o discurso da eficácia e a predefinição de metas de sucesso. Resulta – a minha escola até estava na tal lista da eficácia- mas introduz algum falseamento nos resultados – fenómeno a analisar com calma- o que já foi detetado. Quando a bitola sobe demasiado…
    Felizmente tenho uma área em que há bastante sucesso e tenho também muitas atividades paralelas que me dão prazer, dentro da própria escola. Pelo que tenho e habito um ninho que -ainda- me satisfaz.

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  5. um enorme BLHEC! …… para ele
    Estamos a falar de ensino obrigatório ele fala de outra coisa qualquer que ainda nem entendi o que é. O que vejo mais são miúdos presos no sexto ano …. do ensino obrigatório que por lá ficarão até aos 18.!!!!!!!

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  6. Já li por aí e provavelmente com razão que para a MLR os professores eram malandros, para NC uns ignorantes.

    A principal diferença entre os dois reside no volume emprego, a primeira mudou imensa coisa mas preservou o emprego docente (sendo certo que não estavamos sujeitos à assistência externa), já o segundo reduziu o professorado a mínimos históricos.

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