16 opiniões sobre “Referendos

  1. A realidade é que a direita, tendo em conta os seus objectivos, perdeu as eleições.

    A barragem de artilharia mediática que começou logo na noite das eleições a vender a narrativa do PS derrotado iludiu muita gente desatenta, mas aos poucos a verdade, tal como o azeite, vai vindo ao de cima.

    E o Costa, o “grande derrotado” é que tem na mão a chave da situação política futura, pois os pafes já gastaram todos os cartuchos nos trinta e oito vírgula tal que obtiveram nas eleições e que não lhes dão para o que eles querem. Até o cavaco-que-nunca-se-engana já percebeu isso…

    Já os lelos e companhia são a facção aparelhística e oportunista do PS que teme que um novo quadro político os possa fazer sair da sua zona de conforto no centrão dos tachos e dos negócios.

    Desenvolvo a minha ideia em https://escolapt.wordpress.com/2015/10/12/porque-nao-deve-a-direita-governar/

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  2. Se a ideia do referendo interno no PS vingar, será difícil não ver aí uma manobra de AC para, qual Salomão, se esquivar à responsabilidade de tomar a decisão para um dos lados.
    A questão que então se coloca é: ele aceitará liderar o partido e viabilizar qualquer solução governativa que resulte do referendo? Tanto se lhe dá que seja da direita como da esquerda? Será pau para qualquer obra? Que liderança será essa?

    Mas não fez AC uma campanha a denunciar os malefícios da governação PAF? Não a elegeu como adversária fundamental e não se apresentou como alternativa a ela? Se no referendo ganhar a opção que defende a viabilização de um governo da direita, AC achar-se-á com, disponibilidade não digo, porque essa ele parece ter, mas com legitimidade e com autoridade política e moral para continuar no cargo que ocupa? E os “centristas” do seu partido aceitarão a continuidade da sua liderança nessas circunstâncias?

    Não seria mais correcto – sob os pontos de vista da rectidão política e da ética – que AC apoiasse claramente a opção que aponta para a constituição de um governo à esquerda? E se aceitasse um referendo – não seria melhor assumir desde já as consequências de uma eventual derrota?

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  3. Caro António: mas tu não defendias há quatro anos exactamente o oposto? Ou seja, não dizias que o que deveria acontecer era que o centrão se coligasse – PSD, CDs e PS juntos num governo – para que uma “esquerda mais forte” pudesse daí nascer?

    Ou agora já vale tudo e o PS – que, pelas tuas palavras, não é um partido de esquerda – torna-se num “grande partido defensor dos ideias de Abril “se estiver aliado ao PCP e/ou BE?

    Confesso que ainda não entendi a vossa lógica…

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  4. Farpas, o que eu acho incrível é que a malta que odeia a “direita” veja o António Costa como uma espécie de messias. O António Costa!!! Jesus!!!

    Estão todos com uma enorme esperança de que ele seja o salvador da pátria da maldita “direita”, mas será interessante verificar o que dirão se ele optar por não fazer governo com a “esquerda”.

    E volto a dizer: se o PS – partido que possibilita que BE e PCP – formem governo, é um partido de esquerda, então o António Duarte é um empreendedor-capitalista de sucesso!

    Vou dar a minha opinião:

    – António Costa está apenas à espera de que Cavaco dê sinais claros de que não dará posse a um governo formado pelo PS/PCP ou mesmo PS com acordos parlamentares com PCP e BE, para se fazer de vítima e conseguir monopolizar a esquerda novamente, diabolizando Cavaco e a “direita”. Porque vontade de fazer o que ele diz querer fazer, duvido que a tenha.

    E, desculpem lá, mas muito ingénuos são os que acham que uma solução com António Costa é alguma solução para a esquerda ou para este país.

    De resto, dizer apenas que não deixa de ser uma diversão ver, neste momento de coreografias, a “direita” tão desesperada e a “esquerda” tão iludida.

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  5. Mau,

    Do meu comentário resulta tudo menos que considero o AC um “messias”.

    Não tenho nem nunca terei perspectivas messiânicas sobra a política (nem sequer as tive na adolescência, quando era fácil). Mas tal como tive (como te deves lembrar) em relação a Sócas uma atitude política e ética de grande frontalidade e realismo (era imperioso acima de tudo correr com ele), também considero que uma solução governativa que retire a PAF do poder presta um grande serviço ao povo português.

    Quem, como eu, privilegia uma perspectiva de justiça social (mormente: igualdade de oportunidades, reconhecimento do direito – não da caridade – dos mais desfavorecidos a usufruírem de mecanismos de correção da sua posição de inferioridade), não pode tolerar um governo que faz da multiplicação dos privilégios e das desigualdades o propósito (subjectivo) e o resultado (objectivo) das suas políticas, que é o que temos tido.

    Em qualquer caso, devemos reconhecer que a AC, o que lhe falta em visão estratégica, sobra-lhe em tacticismo. Conseguiu, de derrotado, fazer com que o seu partido apareça como fiel da balança perante o país. O arrebatamento que tomou conta da PAF e das suas hostes (daí a frustração irritada com que reagem…) com a sua vitória – embandeirada em arco por Cavaco – foi engolido pela capacidade de iniciativa política de AC. E devemos ainda agradecer-lhe que se fale, finalmente!, de política e não apenas de economês austeritário.

    Noutro plano, não percebo por que é que o PCP ou o BE não podem participar efectivamente em soluções governativas. Então não diziam que eles só tinham jeito para o “bota abaixo”, que não passavam de simples “partidos de protesto”?
    Se a direita acha que aquele partidos só farão asneiras quando tiverem (no) poder e trarão instabilidade e descrédito ao país, então deveria até estar satisfeita: ganharia em breve as eleições com maioria absoluta.
    Não terá a direita antes receio que o povo perceba que há políticas alternativas ao “inevitabilismo austeritário” – designadamente nas áreas sociais, onde o consenso à esquerda é mais fácil – e acabe por preferi-las cada vez mais?

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  6. Pode quem sabe haver surpresa..mas depois dirão que foi uma cabala..eu não acredito mas seria curioso ver um governo ps be Pan..nem sei porque a direita tem.medo de tal..se é o apocalipse se daqui a um ano e meio caem..qual é o medo??Corroboro o Farpas..

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  7. Farpas e Buli,

    Eu concordo com vocês. Que fique claro, até porque já aqui assumi que votei no PCP nestas eleições (não tanto por convicção política, digamos, mas mais por contestação e rejeição do bi(ou tri)partidarismo que conduziu o país a este estado).

    E que fique claro também outra coisa: não considero ilegal ou inconstitucional que não seja formado um governo com o partido vencedor de umas eleições. Considero é incorrecto. Acho que não faz sentido que a voz do povo só seja ouvida se um partido (ou coligação) vencer com maioria absoluta. Isso pode ser muito, muito perigoso. Mas siga para bingo.

    Paulo,

    O Costa nem um pé entalaria numa porta, quanto mais o corpo.

    Ele quer é entalar o Cavaco, dizer que foi por culpa dele que o governo de esquerda não surgiu, e tentar ressuscitar o PS como a verdadeira força de esquerda.

    Aguardemos a cenas dos próximos capítulos.

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