Silêncio

José Sócrates parece ter percebido, ao fim de demasiado tempo, que mais vale ficar calado do que satisfazer-se regularmente em público. Cada aparição pré-eleitoral sua deve ter custado muitos milhares de votos ao PS, que ele dizia querer ajudar, a começar por aquela descabida e desastrosa foto da penúltima ceia com alguns dos seus mais fiéis. Agora, terá percebido que abrir a boca pode custar muito caro a demasiada gente ou então alguém lhe emprestou um tostão de lucidez. Vem tarde, mas mais vale do que nunca.

JC

Os Mercados

Há quem diga que não têm rosto, mas não é verdade. Entre nós têm imensos rostos e dão razão a quem os considera uma hidra. São vultos que estão sempre atentos aos maus comportamentos alheios e que têm do seu lado a razão e a responsabilidade. São eles que sabem os desejos dos credores e nos apontam, quais pitonisas, o único caminho certo para o futuro. São eles que velam por Portugal. Sem eles, viria o dilúvio. Só é pena que não lhes conheçamos como obra mais do que a palavra. É que no caso deles, o verbo ainda nunca se fez mais nada do que isso.

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