Os Mercados

Há quem diga que não têm rosto, mas não é verdade. Entre nós têm imensos rostos e dão razão a quem os considera uma hidra. São vultos que estão sempre atentos aos maus comportamentos alheios e que têm do seu lado a razão e a responsabilidade. São eles que sabem os desejos dos credores e nos apontam, quais pitonisas, o único caminho certo para o futuro. São eles que velam por Portugal. Sem eles, viria o dilúvio. Só é pena que não lhes conheçamos como obra mais do que a palavra. É que no caso deles, o verbo ainda nunca se fez mais nada do que isso.

Mercados

13 thoughts on “Os Mercados

  1. Os Vendidos.

    Duas notas sobre o argumentário em que estas luminárias se movem:

    – Verberam o marxismo, grande papão ideológico, pai do “estatismo” e dos “direitos adquiridos”, mas dão-lhe razão e força num ponto central, central mas crítico (crítico dentro do próprio marxismo, assinale-se, não para eles…): o determinismo económico (“É a economia, estúpidos!”, síntese da narrativa da “inevitabilidade”). São mais “marxistas” que o próprio Marx…

    – (Derivado do “argumento” anterior) Esses “democratas”, não apenas aceitam, como colaboram activamente com o totalitarismo dos mercados, cujos mecanismos de especulação e agiotagem se furtam ou substituem ao controlo democrático, funcionando acima da democracia e mesmo contra ela, ditando regras que fazem chacota da soberania popular (pedra basilar da democracia, apenas…). Todavia, são sempre muito assertivos a condenar as “ditaduras marxistas/comunistas” (longínquas, como “fantasmas de armário”), para, desse modo – manobra ideológica típica -, melhor poderem ocultar a “ditadura dos mercados”, essa bem presente e operante.

    – Jamais os veremos a ter dúvidas ou a colocarem-se e aos seus pontos de vista em questão. Vivem no reino das certezas daqueles beatos da religião-aritmética que, o facto de 2+2=4, torna para eles o mundo plano como uma bola de bilhar e previsível como a sua trajectória.

  2. Aturo gajos de direita, há bués, venha a esquerda, só p’ra experiência, depois podemos comparar e dizer quem é melhor. Ó malta, os comunistas já não comem criancinhas.

  3. Esses não são os mercados. Eu vejo a reação dos mercados pelo diário económico, por exemplo. Andam perfeitamente calmos.
    Os imberbes de direita que lá escrevem já não me assustam. O que interessa mesmo é o preço do dinheiro.

  4. Olha que 3: o coiso da história, que não servia para nada; o coiso da economia; o coiso do jornalismo que coisava. Tenham dó! Eu, até, já virei esferográfica…em vez de caneta.

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