(In)Vertebrados

Há perto de dois anos, uma federação sindical desconvocou as acções de protesto contra a PACC em troca de uma isenção parcial da sua realização. Ou seja, considerou que a ilegalidade de uma medida é relativa, dependendo do número dos atingidos.

Acho que já na altura fiz uma comparação rasgadinha dessa posição com a de alguém que considerasse os campos de concentração mais razoáveis se só exterminassem os seus prisioneiros a partir de uma determinada idade. Porque não podemos entrar em relativismos desse tipo e admitir algo injusto, porque só é injusto para alguns.

Até porque se sabia que aquela isenção era quase a única forma do MEC conseguir colocar a prova no terreno sem fracassar.

Mas que ninguém se ofenda, eu escrevo apenas do ponto de vista da fixação da memória passada, porque os moinhos depois de tortos já não se endireitam e a água só passa uma vez em cada descarga de autoclismo.

Coluna

Marginais

São por definição aqueles que vivem à margem da Lei ou em aberto conflito com ela.

No Portugal actual a definição abrange um lote bastante razoável de governantes que, por acção ou omissão, decidiram não cumprir a Lei, apesar de repetidamente avisados do que estavam a fazer, apostando numa estratégia de facto consumado.

É uma pena, e um falhanço da Democracia, que raramente sejam responsabilizados e que, quando isso acontece, apareçam os zelotas (ou revisionistas constitucionais) do costume a reclamar, com argumentos do mais ridículo imaginável, contra uma putativa República de Juízes.

Queriam era ter as mãos livres para atropelarem tudo e todos.

Estas considerações servem para várias cores; não nos limitemos a uma fruta ou flor.

Metralhas

O Chumbo Final

A PACC foi declarada inconstitucional, o que é uma completa (apesar de tardia) desautorização da criação de Maria de Lurdes Rodrigues e uma despedida em beleza do ministro Crato, o seu convicto continuador.

Agora uma questão muito simples: era mesmo necessário ter passado por toda aquela turbulência? Isto não poderia ter sido resolvido muito antes de todo o imbróglio ter sido criado?

E o que se pode dizer de dois ministros que deram o rosto pela prova e de todos aqueles (não falo daqueles opinadores ignorantes de terceira categoria, mas de gente com responsabilidades políticas passadas) que disseram amén, sem cuidar da legalidade?

Quem se oferece para pagar o que serão justas indemnizações a pedir por quem foi impedido de concorrer com base nesta prova?

Bigorna

Vocacional

Está para o Ensino Básico como as Novas Oportunidades para a Educação de Adultos. Tem coisas boas, mas a generalização e massificação da experiência é um enorme esquema para produzir estatísticas de qualificação. Nada que me espante nos congeminadores e que apenas prova que, dada a oportunidade, são muitos poucos os que escapam à tentação do truque, esquecendo o rigor apregoado.

FAla barato