Subordinações

Concluiu um estudo do CNE que a Educação tem em Portugal um melhor desempenho do que a Economia. Nada que me admire, nem sequer que ache inesperado, pois há muito que conheço os diversos indicadores e afirmo que temos óptimos professores (com excepções), mas péssimos economistas e gestores (com excepções).

O problema é que a Educação – em nome de uma racionalidade económica muito pouco racional e obedecendo a um discurso do está mal, está tudo muito mal, da autoria de ignorantes com má fé –  tem vindo cada vez mais a ter de se submeter a critérios economicistas, ou seja, a critérios medíocres determinados por gente medíocre.

Mediocridade

Ao Alto

O Expresso coloca com seta para cima o seu preferido para futuro líder do PS e dá a palavra a uma “politóloga” que receia que o PS se torne refém do Bloco e do PCP, mas não que o PSD fique refém dos humores irrevogáveis do Portas. Posso estar enganado, mas há quem no Expresso tenha receio de perder audiências para o Observador. Já houve tempos mais subtis.

subtileza

Funcionalismo

Há por aí uma polémica acerca da continuidade da prática do tachismo político em final de mandato, em especial o caso de um jovem que era assessor ou qualquer coisa de gabinete, Gabriel de sua gracinha bem escanhoada e muito fotografada com a elite do CDS. Em sua defesa, vi ontem um penedo laranja, ex-líder jotista, um Duarte qualquer coisa que costuma escrever em português de aluno fraco de segundo ciclo, a dizer que ele apenas concorreu a um cargo e que até já é funcionário público e tudo.

E é aí que eu fico mais deliciado, porque aquele jovem trintão tem todo o ar de ser um convicto liberal, daqueles que acham que o Estado é um horror e que só lá trabalham parasitas despesistas como professores, enfermeiros ou mesmo médicos.

Mas isso não o impediu, em nome da sobrevivência dos inúteis, de querer encostar-se ao dito Estado, deixando a sua querida privada Ernst&Young, e estabelecer as conexões indispensáveis para chegar em poucos anos a cargos de chefia, porque é isso que todo o bom liberal (quiçá rebelde insurgente) faz na vida sem qualquer pudor, não ruborizando quando escreve baboseiras vácuas do calibre de “o importante é não parar nunca e não ter medo de arriscar”. Sim, rapaz, é um grande risco abrirem-te vaga à medida e concurso a preceito.

O nível do pimpolho é especialmente notável quando se passa por alguns sites onde deixou rasto.

Gabriel2

Herança

Em dez anos (eu até diria mais) dizimaram a rede pública de ensino, enquanto alimentaram a rede privada e as parcerias. Alguns responsáveis orgulham-se da obra que fizeram em continuidade e há alguns interessados que chamam a isso liberdade e dirão que é a concorrência. Eu diria outra coisa, mas como é de manhã, não gosto de ferir susceptibilidades, mesmo a dos facilitadores ou dos liberais encostados ao Estado.

Guilhotina