Espelho Meu

É um bocado ridículo ver os zelotas dos partidos do arco da governação (podemos incluir a autárquica se assim o quiserem) a trocar acusações sobre favorecimentos políticos no aparelho de Estado, a escavar citações que contradizem as práticas e muita promessa por cumprir. Como se todos nós não soubéssemos que são muito pouco diferentes uns dos outros, unindo-se nessa prática comum do opaco nepotismo.

Existisse um avo de decoro e pudor e as falsas virgens recolheriam as vestes antes de as rasgar e evitariam um espectáculo público de comum indignidade. Não é preciso estarem sempre a demonstrar como a “classe política” é uma das maiores – quiçá a maior – vergonha de um país que, infelizmente, se encontra aprisionado numa armadilha europeia que torna quase impossível varrer toda esta gente e refundar isto a sério.

Corrupto

Epistolografia

Os partidos escrevem cartas uns aos outros, ou os seus líderes entre si, cartas postas em público que não são mesmo cartas, mas antes pequenas peças de má propaganda auto-justificativa para consumo de um entediado público e de horas de comentário político entre o cinzento claro e o cinzento escuro, com gravata azul celeste, em horário mais ou menos nobre, no intervalo do futebol, que esta semana os grandes jogaram com os bês.

Epistolografia

Indignações

Grande vai o bruá de palavras em relação à prisão de um músico e activista luso-angolano de que poucos conheceriam a existência há uma semana.

A sua causa é justa, a luta por um Estado de Direito e por uma Democracia em Angola que vá para além de eleições sob controle.

Por cá, estranhamente ou talvez não, são figuras mais à esquerda a protestar contra o que se passa, enquanto os liberais da liberdade às vezes ficam em razoável silêncio. Ainda se a coisa fosse em Cuba, talvez se encrespassem.

Mas uma coisa me parece indesmentível. Existirá bruá de palavras, o homem será eventualmente libertado para esperar o julgamento fora da cadeia e o regime angolano até poderá exibir “boa vontade”.

E tudo voltará ao mesmo, nada passará de palavras e muita indignação porque, afinal, o miguel ou outros como ele têm lá negócios e dinheiro empatado  a render e eles e ela são já quase donos disto tudo, incluindo muitos jornais que aceitam apenas a indignação q.b.

Mafalda