Inteligência

Já tinha percebido que a politologia e a futebologia têm muito em comum: imensa conversa fiada, muitas certezas e prognósticos sempre acertados depois dos acontecimentos. Para além de imensas figuras deprimentes como comentadores-analistas, como um assis ou um guerra.

Agora temos aquela comparação entre eleições e campeonatos ou jogos de futebol, para se dizer que dois ou três perdedores não fazem um vencedor.

Depende.

Porque isto de comparações da treta há para todos os gostos. Como comparar uma votação com jogos de uns contra outros.

Por exemplo, indo à Fórmula 1, em 1982 o campeão foi Keke Rosberg que só ganhou uma corrida, a antepenúltima, enquanto vários outros pilotos ganharam duas corridas (Pironi, mesmo sem correr várias devido a acidente, Prost, Lauda, Arnaux, Watson). E a Ferrari ganhou o campeonato de construtores com 3 vitórias, contra 4 da McLaren e da Renault (que fez 10 poles contra 3 dos meus vermelhos favoritos).

E é assim.

Podemos sempre escolher qualquer coisa para se parecer muito inteligente, mesmo que seja uma ideia de m ***@.

Calimero

Gramar Escolas

Depoimento completo para esta peça do JN sobre a tentativa de reintrodução das grammar schools em Inglaterra.

Discordo que uma escola pública – ou financiada com dinheiros públicos – faça esse tipo de selecção à entrada, em tal idade. Este tipo de prática poderá ser admissível em escolas privadas com projectos elitistas ou mesmo confessionais, mas não num sistema público que se pretenda universal e de acordo com os princípios da igualdade de oportunidades e da equidade de tratamento.

No caso português, se esses mecanismos se tornarem formais/legais, teremos o aumento da desigualdade de condições de funcionamento nas escolas públicas que já neste momento funcionam a 2 ou 3 velocidades, conforme foram intervencionadas pela Parque Escolar, receberam algumas obras de beneficiação ou foram esquecidas por completo, funcionando sem laboratórios ou mesmo um pavilhão para a prática da Educação Física.

No caso das escolas do 1º ciclo, a progressiva destruição de uma rede escolar com cobertura de proximidade criou situações de enorme discriminação entre os alunos que vivem junto da “sede” e aqueles que necessitam de fazer, em alguns casos, perto de uma hora para lá chegarem ou regressarem a casa. Sujeitar esse alunos ainda a uma espécie de despiste no 4º ano para decidir em que tipo de escola têm vaga é profundamente incorrecto e injusto.

Este tipo de estratagemas são geradores de situações de iniquidade que não são aceitáveis na rede pública de ensino e visam replicar os procedimentos de acesso reservado e elitista de algumas escolas privadas, porventura com o objectivo de serem “concorrenciais” no “mercado” dos rankings, mas a rede pública não se deve submeter, em nenhum caso, à lógica mercantil da iniciativa privada no sector. Deve elevar a qualidade do seu desempenho sem recorrer a esse tipo de estratégias que, em termos globais, apenas tornam o ensino público mais desigual, reduzindo a sua coesão.

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A Posse Efémera

Foram todos em lote de 50, que sai mais barato e é só para usar uma quinzena. Vai ser curioso ver como será compensado este sacrifício, em especial o dos neófitos que vão acrescentar uma linha ao currículo, mesmo que seja como investimento nas conexões e gratidão do pajem angélico. Porque isto nem vai chegar a um santanato.

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