O Medo

Acho que o principal medo dos traumatizados pelo PCP é que, apesar dos comunistas ortodoxos irem apoiar um governo do PS, não tenham a maleabilidade de outros para trocarem de opinião como quem troca de restaurador olex.

A foto e parte das declarações são feitas dois anos antes de se meter no CDS/PP e menos de uma década antes de renegar todas as suas anteriores crenças anti-europeístas. Não admira que os seus mais ditosos apóstolos, que na altura deveriam ainda andar no Ensino Básico, acreditem no seu verbo como se valesse mais do que as ajudas de custo.

Portas93

7 thoughts on “O Medo

  1. É evidente que circulam nas hostes pafistas muitos traumas oriundos dos tempos do PREC – que teimam em retornar – e que os mais novos entre eles absorvem apenas já sob a forma de clichés, tantas vezes levados até à caricatura ridícula.

    Mas há algo mais. Há aí uma tentativa concertada de desviar as atenções do essencial que está em causa no governo do PS+Esquerda e respectivo programa. Porque a bateria das críticas mais virulentas, com mais fervor ideológico e contundência verbal, dirigem-se aos programas dos partidos da esquerda, sobretudo ao do PCP, e ao seu passado. Como se o programa do futuro governo “da esquerda” (simplifiquemos assim formulação) estivesse a ser balizado por esses programas partidários ou por querelas passadas, no fundo, de quem quereria fazer de AC e do seu governo uma espécie de cavalo de Troia para a “revolução socialista”.

    O que acontece, todavia, é que o programa que está a ser elaborado corresponde a um “programa mínimo” – à imagem do que fizeram, no seu tempo, as forças reformistas do movimento socialista (reformas em vez de revolução) para poderem integrar soluções de governo na Europa – que incide sobretudo na reposição de direitos (institucionais, salariais, contratuais, negociais) que foram sonegados à maioria da população pelo anterior governo. Os compromisso orçamentais e internacionais do estado português mantêm-se, apenas (…) com a nuance de AC dizer que eles devem ser vistos de uma maneira não dogmática, quer dizer, política.
    AC não é propriamente um aventureiro esquerdista (isso é azia política e pessoal de Assis e quejandos)… Aquilo de que a direita tem mais medo, aquilo de que tem realmente medo, é de que o governo de AC consiga mostrar que se pode governar melhor dentro das limitações que o pais tem, que a população perceba que o empobrecimento e a exploração não são a via – que ainda por cima se pretendia única – para o futuro.

    Mas no que foi dito também se deve subentender uma “prevenção” relativamente àqueles que sonham ver no possível governo de AC os traços de uma política decididamente de rotura, de esquerda pura e dura. Sonham em vão. Vão ter ainda austeridade, mitigada, é certo, mas austeridade à mesma. Só devem esperar – e isso é legítimo esperar – que esse governo a veja como um meio (a prazo o mais curto possível) e não como um fim – desígnio que constituía, esse sim, o verdadeiro cavalo de Troia político-ideológico da direita para impor ou restaurar os privilégios da oligarquia que tem dominado o país.

    1. Também há quem o considere uma estratégia de sobrevivência. Mesmo os que ousam quebrar a tradição (caso do Costa) terão medo. Mas os ganhos de ir lá e enfrentar as dificuldades serão maiores. Tem coragem que é o reverso do medo…

      1. Quem também não tem medo é a Mariza Matias. O Nóvoa é demasiado delico-doce em algumas situações. Dizem que tem um discurso muito “gongórico” … alguém que ponha o dedo na ferida do Tio Marcelo, alguém que o desmascare como o hipócrita que é, só poderá fazer bem aos ares da eleições Presidenciais.

  2. O que a CFAlves escreve sobre os demónio particulares tem o interesse que têm os demónios particulares de qualquer outra pessoa. Há os que têm demónios com os resquícios de salazarismo que andam por aí.

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