Bizantinices

O Filinto Lima escreve sobre o “monstro” em que se tornou o ME(C), mas é necessário dizer-se o que entendemos por isso. Nuno Crato cavalgou essa onda e prometeu uma implosão.

O resultado é que debilitou a máquina do ministério em meios humanos para resolver problemas, tendo deixado intocados – ou agravando – os procedimentos burrocráticos que o precederam.

Ou seja, ficou por fazer o mesmo ou mais com menos meios. O tal mais com menos, de que tanto pareceu orgulhar-se. Só que ficou ineficácia numas coisas e prazer masturbatório pelo detalhe da alínea do número da portaria em outras.

A função regulatória do ME(C) não pode ser apagada, bastando para isso a sua inoperância proverbial em relação à fiscalização do ensino privado ou a morosidade arquivadora extrema de inquéritos sobre matérias sensíveis como os exames e eventuais fraudes. Assim como há recursos que não podem ficar mais de um ano na gaveta de quem acha que tem mais do que fazer do resolver a vida alheia.

Fundamental é uma reformulação profunda dos procedimentos, porque se há coisa que se transmite do topo para a base é o gosto por, perante um problema, produzir documentos sobre ele em vez de agir de forma eficaz, esperando sempre pela autorização (des)necessária com medo da consequência imprevista. Nada como acumular camadas de papel, real ou virtual, para ver se o problema fica encoberto debaixo de tanto aparato e se fica bem no relatório final.

Ousadia

16 thoughts on “Bizantinices

  1. Já coisas fundamentais são resolvidas á socapa, com um telefonema, para lixar o mexilhão e esconder a falha no planeamento.
    caso do pagamento das deslocações entre escolas de um mesmo agrupamento.

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      1. O tráfico de influências… sim, claro. Mas não era isso, no caso. Era mesmo resolver um assunto incómodo sem que ficasse registo. Medidas para contornar a lei.

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  2. Consoante, apelidaria a coisa como istambulices, mas percebo que não é fácil o devir.

    Concluo que os vestidos de histórias vão nus: tal como no início, antes de a terem escrito.

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  3. Uma linha de argumentação recorrente dos adeptos de NC, quando confrontados com os erros que se foram acumulando com as suas políticas, é que ele foi “vítima da máquina do MEC”.

    Não se deve, porém, compactuar com essa argumentação capciosa, que veicula uma tentativa de branqueamento.

    As políticas deste Executivo não foram determinadas pelo contexto económico. São políticas que ele seguiria mesmo que não houvesse necessidade de cortar. Convém ter plena consciência disto, nomeadamente quando se avalia o mandato de NC: este não fez melhor ou diferente porque foi vítima de uma circunstância política e económica adversa, mas porque partilha da matriz ideológica ultraliberal que domina o governo, que pugna por uma orientação mercantilista e elitista da Educação, servindo a austeridade de capa ideológica para legitimar ou encobrir as suas políticas.

    NC não foi um “idiota” ou um “ingénuo” útil. Foi um ministro com uma perspectiva político-ideológica muito clara, traduzida numa linha de orientação bem assertiva e coerente, quer com os seus supostos doutrinários, quer com os fins de engenharia social a que o governo se propôs.

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    1. Concordo. Na realidade manteve a linha de proletarização da classe docente. Um dia a história vai contar como foi, novamente, a submissão . Parece que voltamos ao principio do sec XX…

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