Vontade

Há aqueles dias, aquelas aulas, em que logo à entrada se percebe o ar de tédio e desinteresse de boa parte dos alunos. Porque estão cansados, porque têm este ou aquele problema, porque há coisas mais interessantes lá fora, dilemas pré-amorosos, pubescentes, dramas inadiáveis.

É daquelas alturas em que aproveito para uma sessão mais ou menos rápida de esclarecimento e clarificação.

Porque também eu vou, com esta ou aquela regularidade, medianamente desinteressado ou mesmo entediado para certas aulas, certas turmas, em certos e determinados dias, por vezes sem uma outra razão que não seja o facto de ir repetir, com esta ou aquela variação, algum conteúdo que até pode ser reduzidamente estimulante. Que lá fora, para mim, também está um dia de maravilhoso sol, de misterioso nevoeiro ou mesmo de chatinha chuva que me estava a empurrar para ficar em planície de lençóis ou a ela voltar com rapidez.

(até porque há aquele piedoso mito rural e depois urbano d@ professor@ permanentemente em maravilhamento por transmitir desconhecidos conhecimentos aos seus alunos a cada novo toque de quartel, mito esse que ainda não consegui trazer para o domínio do empiricamente observável, sem ser em forma de excepção tão excepcional quanto um paparuco acasalando com um gambuzino ao luar, nas margens de um rumorejante eflúvio)

Que aquilo a que me agarro quando a vontade é fazer meia volta ou nem começar o caminho é profissionalismo e respeito. E que a el@s apenas peço a segunda parte, o respeito.

Em demorando 5 a 10 minutos a sessão, a atenção del@s já está reorientada or else

Manelinho

4 thoughts on “Vontade

  1. Receio ter um handicap terrível: não consigo que os alunos sejam sensíveis à minha argumentação. Pelo que nos dias não , a única coisa que funciona é a repressão: cadernetas em cima da mesa, ameaças de expulsão, mudanças de lugares, and so on… gostaria de ter o poder de argumentação que os fizesse mudar de atitude. Mas não tenho: a dt´, a psicóloga e a diretora que resolvam.
    Por outro lado quando crio uma relação empática com a turma sou capaz de os levar aos limites. É o que me dá mais prazer- até invento coisas novas para os fazer ir mais além.
    Este ano sou capaz de criar essa relação com pelo menos 2 turmas (tenho 5) o que não é mau. Com os outros a relação será sempre mais tensa. Ou não: estamos no inicio, a ver vamos.
    A turma que parecia um cavalo árabe virou para cavalo lusitano. Na verdade gosto deles …mas não se deixam ensinar!

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    1. Eu tenho um argumwento de peso que é uma experiência de mais umas décadas de parvoíce e métodos eficazes de irritar terceiros. É algo que os alunos que já me conhecem gostam de partilhar com os colegas, com um sorriso do género “é melhor não experimentarem, mas… se tentarem ficam por vossa conta”.

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      1. Eu sou muiiiito boazinha! Azar meu. Mesmo assim já se vão mantendo calmos porque estou há 10 anos na Escola… não devo ter muito má fama entre a maralha mas… ser boazinha não é eficaz!

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