A FNEprof

Agora que já há uma espécie de governo indicado, já se pode escrever qualquer coisa acerca do dito ou do que o vai rodear.

Confesso que uma das partes mais divertidas vai ser a observação do sindicalismo do faz de conta que vamos ter a partir do momento em que a Fenprof tem de seguir o alinhamento do PCP no apoio ao governo. Lembram-se do mandato de Isabel Alçada? Vai ser ainda pior.

Confesso-me previamente deliciado ao imaginar Mário Nogueira a fazer de Dias da Silva ainda melhor do que o próprio Dias da Silva. A encenar uma oposição de faz de conta, destinada a não dar em nada, entendida logo à partida. Uma espécie de direcção-geral honoris causa. Isto é que vai ser um sindicalismo docente do mais fofinho das últimas décadas.

Embora essa seja uma delícia amarga, porque isso significa que com a Fenprof e a FNE irmanadas no apoio ao governo, estaremos completamente entregues a nós mesmos nas escolas perante os desvarios da tutela. Ou melhor, pensando bem… antes assim.

Pizza

Heróis

É muito habitual que, passados uns tempos sobre os acontecimentos presentes, certos mitos comecem pelo próprio interessado em ser fantástico. Ainda me lembro de um professor universitário que contava aventuras mil, heroísmos milhentos, alguns alegadamente passados e praticados em conspirações ali a poucas centenas de metros da minha casa – ninguém espera que um indígena daquela terreola lhes caia na sala de aula – e com gente que conheço desde os meus cueiros. Foi só referir as duas ruas de separação em relação à academia e o facto do líder revolucionário local ter sido colega de infância do meu pai e a conversa esmoreceu. E eu entrei no index democrático. Ainda anda por aí, muito popular, a ver se as calças não lhe caem.

Cueca

24 de Novembro

Véspera da morte do meu avô materno e dia muito importante para a defesa da liberdade de expressão por parte de muitos dos que não se sentiam assim limitados 17 meses antes.

Na noite seguinte, com toda a discrição possível com um ruidoso fiat 126 cor de cenoura, lá andaríamos nós a quebrar o recolher obrigatório, atravessando Alhos Vedros de lés a lés para velar o meu avô, em vez de andarmos de renault 5 ou mercedes com a bagageira cheia de escopetas, a dar ar de heróis, nem que seja em efabulação retrospectiva.

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