Quem Paga?

Aquilo que consumimos como sendo notícias? A vulnerabilidade económica da comunicação social presta-se muito a projectos com contornos duvidosos, de quem sabe que o sector não é viável sem as conexões certas no plano da publicidade, das parcerias, das compras antecipadas de parte das edições. O que se está a passar com o I e o Sol serve para demonstrar algo mais do que a sua circunstância particular, pois ajuda a perceber os limites de certos investimentos e como muitas vezes acreditamos ser informação o que não passa de outra coisa, por muito que seja o profissionalismo de quem trabalha na base mas não tem qualquer palavra a dizer quando quem manda acha que o projecto já não está a cumprir a sua missão. Seja a ampliar briefings de gabinetes de comunicação, seja a cozinhar indicadores financeiros baseados em dossiers exclusivos. Ou a investigar o que há quem queira que seja descoberto e deixa a descoberto para ser achado. E eu nem sou grande fã do Mulder.

E então aquelas grandes conferências e debates promovidos por jornais em associação com grandes empresas e com uma fileira de patrocínios, onde se convive para  conseguir manter afagado o ego de quem tem o telecomando na mão.

Censura para quê? Assim consegue-se quase o mesmo, com muito menos aparato e sem despertar as mesmas intenções. O exame prévio é feito muito antes da primeira letra ser imaginada.

puppet

Sobreviver, Apenas

À porta de uma qualquer escola secundária, sob o sol morno de uma tarde agradável, uma dúzia de jovens criaturas (de ambos os sexos ou géneros, como agora se deve dizer para não excluir eventuais terceiras e quartas vias) salta e dança no meio da estrada, toureando os carros que passam e deitando-se no chão em desafio. Há quem lhe chame a fase de formação da identidade, mas eu chamo-lhe imbecilidade. Há quem fale em pressão dos pares, mas ali apenas se tratava de irresponsável exibicionismo. Porque é de pequenino que se apascenta a grunhice. O funcionário, o adulto mais próximo e com idade para não se queixar de estar muito cansado, olhava do seu cubículo, sem nada fazer. À espera do fim do turno. E é assim que esta merda quotidiana anda, com o triunfo da apatia e do que se lixe que não me pagam para mais.

Sim, sei que pareço o ainda director do Sol nas suas diatribes civilizacionais, mas a modos que é assim mesmo.

Mustard Scene