Canhoto?

Tal como há uns anos, quando me chamavam reaccionário e anti-comunista por criticar o governo do PS ou as tácticas da Fenprof, agora sou imediatamente crismado de esquerdista, bloquista, cripto-comunista quando manifesto a minha satisfação por ver a dupla Pedro e Paulo fora da governação e gozo com a erudição mal envernizada de muitos dos vultos do pafismo. Não é que me ofenda… há dias em que sou mesmo reaccionário e outros em que sou do mais liberal, no duplo sentido que nem todos atingem. Por exemplo, acho disparatado todo o debate em torno dos pseudo “exames da 4ª classe”, o que parece que me torna salazarista (também já me chamaram isso por ser contra a municipalização da gestão das escolas). Mas quando acho que deve existir uma gestão democrática e partilhada nessas mesmas escolas, parece que sou marxista, trotskista ou basista, tal como quando defendo que o ensino vocacional é uma fraude.

Cada vez acredito mais que a prática da liberdade incomoda muito quem só sabe cavar trincheiras e disparar em nome dela. Fazem-me lembrar os jihadistas de todos os credos que se julgam os únicos e matam (metafórica ou literalmente) em nome da SUA liberdade.

Sinistra

O (Ex) Deputado Aletrado

Não sei se, entretanto, corrigirão os regulares atropelos que o (ex) deputado Sóifer (é uma caricatura fonética, shôr ex-deputado) inflige sem dó à Língua Portuguesa, a qual escreve com AO apesar de se ter declarado – consta por aí, em fóruns sobre o assunto – contra a coisa. E nem é bom falar no uso aleatório da vírgula por todo o texto, que ele pratica como se lançasse sementes à terra fértil em dia de vendaval.

Mas esta sua crónica é um monumento à pesporrência que em outros Outonos me levaria a uma assinalável perda de tempo, com análise detalhada de cada parágrafo aviltante para a inteligência média de um professor de uma escola pública, com lugar obtido em concurso público e não na base do lambe-botismo político.

De qualquer modo, não gostaria de deixar passar em claro a declaração de amor pela ex-prevaricadora (logo se vê) MLR.

O estado, que tem outras vicissitudes e condicionantes, precisa, como bem identificou Maria de Lurdes Rodrigues (na altura com o apoio do CDS), deste tipo de mecanismos, até porque a avaliação dos professores continua a ser, fundamentalmente, uma avaliação sem grandes consequências – o que só aumenta a necessidade de ser exigente na entrada.

soifer

 

 

 

Grelhas

Observo com alguma ternura aquele pessoal que, não esquecendo as lições das profissionalizações dos anos 80-90 (e quiçá das actuais), tenta transformar tudo em grelhas. Haveria leituras úteis, nem sequer muitas, que poderiam trazer a nostalgia para o presente milénio e fazer perceber que nem tudo deve ficar aos quadradinhos e rectângulos, muito menos as ideias, mas…

Grelha

Pelo Público

Educar contra o preconceito orgulhoso

Em todas as gerações há quem se queixe contra o grau imenso de ignorância dos seus tempos. Essa atitude está certa e errada, em simultâneo. Porque é verdade que a ignorância e outros fenómenos equivalentes tendem a aumentar, mas é mentira no sentido em que a ignorância e a estupidez são infinitamente renováveis e acontecem em todas as gerações, bem como as boas vontades e a solidariedade humana. Porque os “bons velhos tempos” apenas o foram porque se era mais novo e não necessariamente porque tudo fosse melhor.

Nas últimas semanas temos sido presenteados de um modo generoso com quantidades absolutamente polifémicas de preconceitos gritados vocalmente ou com muitas maiúsculas nas redes sociais em relação a duas situações: os refugiados – eufemisticamente “migrantes” – do Médio Oriente e o chamado “momento político”.

(continua…)

PG PB