“Deseconomias” De Escala

Uma ideia tanto mais interessante quanto ouvida a um economista da Educação. Significa que há pontos a partir dos quais as economias directas em algo podem gerar encargos adicionais em fenómenos envolventes.

Por exemplo, até que ponto o que se poupa de forma directa em mega-agrupamentos pode acabar por implicar custos acrescidos ou distorções no funcionamento das escolas… ou unidades orgânicas como chamam agora àquelas coisas hiper-centralizadas em nome da descentralização.

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E O PET?

Se não me choca a existência deste tipo de prova made in Cambridge na rede pública de ensino, já acho altamente reprovável que se torne uma área de negócio com a conivência do ME e com peso na avaliação final interna dos alunos. Ou é uma prova final como as outras (de Português e Matemática) ou então só pode ser uma prova de realização voluntária, com certificado pago apenas no final do processo. Mantê-lo como está, parece-me uma falcatrua para enganar as famílias dos alunos, com a chancela do Estado (e sem um pio a sério da Confap), algo em que se especializou o mandato de Nuno Crato.

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Vocacional

Claro que há que pensar em alternativas credíveis e eficazes para integrar os alunos – como seria o regresso dos PCA – mas o fim do ensino vocacional não é uma medida, apenas achando que pode pecar por excessiva, porque não me choca que esta modalidade exista como uma das vias alternativas à regular para alunos com problemas de insucesso escolar ou em risco de abandono.

Concordo muito com o que aqui escreveu o Paulo.

O que está em causa é que o ensino vocacional se tornou um embuste para as escolas limparem as turmas regulares e respectivas pautas. As vocações não se descobrem apenas para uma espécie de gueto de alunos de 2ª ordem, que aos treze anos já devem aprender um ofício. Isso pode ser uma alternativa, mas nunca um desígnio a generalizar a todas as escolas, pressionando os órgãos de gestão e dando-lhes pontos adicionais nas avaliações.

Como todas as experiências-piloto numa dúzia de escolas que se pretendem generalizar a todo o sistema de ensino a partir de uma auto-avaliação de excelente, o ensino vocacional é algo que se tentou impor do topo para a base, sem o devido planeamento ou harmonização do seu funcionamento com o contexto educativo envolvente.

A realidade de muitas destas turmas – claro que existem excepções e eu trabalho com uma delas a tentar, tal como os meus colegas, com muita força que as coisas andem bem – é que se tornaram a forma fácil de arrumar alunos problemáticos, com metas de sucesso irreais e a transferência de toda a responsabilidade pelo insucesso para os professores, que nem sequer uma falta podem dar, enquanto se vêem pressionados para justificar quase todos os incumprimentos dos alunos.

Esta forma de ensino vocacional, desacreditada em muitas paragens pelos seus efeitos nefastos a médio prazo, foi-nos servida à colherada pela dupla Nuno Crato-Ramiro Marques que a repescou em viagens à Alemanha sem cuidar de perceber se vivemos na Baixa Saxónia ou numa qualquer província checa do Grande Império.

Como escrevi, não me chocaria que ficasse como uma das alternativas, mas nunca como via a generalizar a quase todos os alunos com problemas de insucesso e a quem não convinha fazer provas finais de 6º ou 9º ano. Para mim, o vocacional é uma medida do tipo Novas Oportunidades… pura demagogia para fazer estatística cosmética que praticamente vivalma leva a sério de forma mesmo convicta.

Claro que… acabando-se com ele, há que saber criar algo que o substitua e, muito em especial, que o faça de um modo que sirva os alunos a alcançar aprendizagens significativas e não diplomas sem qualquer credibilidade.

Banhadacobra