Vocacional

Claro que há que pensar em alternativas credíveis e eficazes para integrar os alunos – como seria o regresso dos PCA – mas o fim do ensino vocacional não é uma medida, apenas achando que pode pecar por excessiva, porque não me choca que esta modalidade exista como uma das vias alternativas à regular para alunos com problemas de insucesso escolar ou em risco de abandono.

Concordo muito com o que aqui escreveu o Paulo.

O que está em causa é que o ensino vocacional se tornou um embuste para as escolas limparem as turmas regulares e respectivas pautas. As vocações não se descobrem apenas para uma espécie de gueto de alunos de 2ª ordem, que aos treze anos já devem aprender um ofício. Isso pode ser uma alternativa, mas nunca um desígnio a generalizar a todas as escolas, pressionando os órgãos de gestão e dando-lhes pontos adicionais nas avaliações.

Como todas as experiências-piloto numa dúzia de escolas que se pretendem generalizar a todo o sistema de ensino a partir de uma auto-avaliação de excelente, o ensino vocacional é algo que se tentou impor do topo para a base, sem o devido planeamento ou harmonização do seu funcionamento com o contexto educativo envolvente.

A realidade de muitas destas turmas – claro que existem excepções e eu trabalho com uma delas a tentar, tal como os meus colegas, com muita força que as coisas andem bem – é que se tornaram a forma fácil de arrumar alunos problemáticos, com metas de sucesso irreais e a transferência de toda a responsabilidade pelo insucesso para os professores, que nem sequer uma falta podem dar, enquanto se vêem pressionados para justificar quase todos os incumprimentos dos alunos.

Esta forma de ensino vocacional, desacreditada em muitas paragens pelos seus efeitos nefastos a médio prazo, foi-nos servida à colherada pela dupla Nuno Crato-Ramiro Marques que a repescou em viagens à Alemanha sem cuidar de perceber se vivemos na Baixa Saxónia ou numa qualquer província checa do Grande Império.

Como escrevi, não me chocaria que ficasse como uma das alternativas, mas nunca como via a generalizar a quase todos os alunos com problemas de insucesso e a quem não convinha fazer provas finais de 6º ou 9º ano. Para mim, o vocacional é uma medida do tipo Novas Oportunidades… pura demagogia para fazer estatística cosmética que praticamente vivalma leva a sério de forma mesmo convicta.

Claro que… acabando-se com ele, há que saber criar algo que o substitua e, muito em especial, que o faça de um modo que sirva os alunos a alcançar aprendizagens significativas e não diplomas sem qualquer credibilidade.

Banhadacobra

 

 

 

4 thoughts on “Vocacional

  1. Este ano trabalho também com um curso vocacional (cozinha/bar). Portanto, falo também com algum conhecimento mais directo na matéria.
    Como é evidente para quem trabalha no ensino, a existência deste tipo de cursos alternativos faz sentido, porque permitem acolher alunos que de outro modo se limitariam, em grande parte dos casos, a enfileirar nas estatísticas do abandono ou do insucesso.

    O problema destes cursos, tal como estão instituídos, e na minha opinião, prende-se sobretudo com dois aspectos principais. Por um lado, a sua generalização e massificação tende a elitizar o ensino, porque, deste modo – por um facilitismo perverso, porque excludente e segregacionista -, não se tenta perceber e atacar seriamente as causas do abandono e do insucesso dos alunos, mas antes dar-lhes uma resposta expeditiva: “vão para aí para esse ensino e não atrapalhem quem quer estudar a sério e ser alguém na vida”, que é como quem diz: “já desistimos de vocês”.
    Por outro lado, se se pretende que tais cursos sejam realmente alternativos à escolaridade obrigatória e à sua lógica formal e institucional (em termos de currículos, conteúdos, programas, grelhas horárias, etc.), então que o sejam mesmo, que o sejam de facto; i.e., que sejam dadas condições aos alunos para eles aprenderem coisas e adquirir competências (nomeadamente no domínio técnico-procedimental) que os habilitem efectivamente a desempenhar com alguma proficiência uma dada profissão, que lhes dê algumas armas para enfrentarem o mercado do trabalho.

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  2. Ensino vocacional??? Quê??? Vocacional, de vocação??? APRENDER uma profissão??? Como??? Mas cá há disso??? Será, porventura, mais um equívoco com nomes pomposos…

    – Ahhhhh… Já sei, aquilo dos voc´s… para aqueles que, numa rusga, são mandados encostar à parede pois dizem que vão para a escola mas sem resquício de caderno e caneta (quanto mais mochila), de capuz enfiado até às beiças, calças abaixo das nádegas, boca boquiaberta que emite uns grunhidos e dois pares de dedos a apontar para qualquer lado,… mas… não é que vão mesmo para as escolas… para as públicas, claro, que são obrigadas a tê-los lá…
    … pois, aqueles voc´s que são a “modos que” umas especificidades para os delinquentes, reiterados calões, acéfalos e… aqui é que “a porca torce o rabo”… onde também se encaixam os enjeitados e coitadinhos, que estes (coitados mesmo) das duas uma, ou se calam e tentam passar despercebidos (em todo o lado e sobretudo na sala de aula) ou se enfileiram com os outros… que aquilo é um submundo na escola onde mandam os ineptos, os que faltam, os que perturbam as aulas, os que não levam material, os que não estudam, os que não trabalham, os que não concluem módulos de aprendizagem, os grunhos… mas que no final do ano passam para o ano seguinte … (a excelência e a cultura do trabalho e do mérito de passos-crato (Portaria 341/2015 de 9 de Outubro de 2015 (antes de saírem do poleiro), nº 4 do art. 25º …

    Deveria haver uma auditoria ao trabalho realizado pela tal comissão de acompanhamento, à metodologia e instrumentos utilizados para a avaliação de uma coisa (sim, coisa) que se pretendia generalizar e alargar na escola pública (por suposta qualidade educativa) e depois colocar tão excelentes elementos de tal comissão a entreter, perdão a tentar ensinar, durante um ano (pelo menos), 6, 7, 8 ou mais turmas destas com “horáriozinho” completo aos minutinhos todos ( a entrarem às 8 e saírem às 19 e distribuído por diferentes escolas do agrupamento, a levarem trabalho administrativo/burocrático para casa, fazerem formação ao fim-de-semana e paga do seu bolso)!

    É que isto não é investimento na educação; é desperdício na utilização do dinheiro público (nossos impostos) hoje e despesa garantida no futuro!

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