Autonomia Partilhada

Que muito que eu gostaria que existisse a coragem de dar substância ao conceito de autonomia na gestão escolar e que ela não fosse de modelo único, unipessoal, centralista e hierárquica, mas sim com a possibilidade de ser partilhada e vivida por todos aqueles que trabalham nas escolas sem ser como miragem ou mecanismo de subordinação ou obediência. Bastaria deixarem que as escolas decidissem que modelo de gestão preferem, qual acham que se adapta melhor à sua realidade. Porque a responsabilização até se define melhor quando as responsabilidades estão claramente definidas e atribuídas e não aglomeradas num único ponto.

Gostava que autonomia e descentralização não fossem palavras que ocultam, na prática quotidiana, o seu inverso, a centralização de todo o poder. Gostava que existisse a coragem de colocar a possibilidade de existir verdadeira eleição onde agora existe quase só mal disfarçada nomeação.

Pensamento esquerdista, eu sei (para compensar a minha posição assim pró fascista acerca dos exames da 4ª classe).

minionjs partilha

Leituras

Lê-se muito bem, depressa e é uma óptima introdução para candidatos a conspiradores que tenham fraco conhecimento de História, recente ou coeva dos afonsinos. Se há ditadores que mandam prender por causa disto, andam mesmo com medo da própria sombra.

IMG_9933

Deseconomias: Um Exemplo

Há toda uma corrente que considera “eficácia financeira” a possibilidade de deslocar um professor com ausência de horário lectivo, a qualquer altura do ano, de uma escola para outra, quantas vezes a dezenas de quilómetros. Mesmo quando esse professor já estava a desenvolver actividades úteis para os alunos na sua escola de origem.

Acham esses especialistas da mula ruça a passo manco que esta é uma medida que optimiza recursos. Pena é que não se dignem observar de perto o que acontece, no concreto, as consequências de tal medida e os efeitos negativos para todos, a começar pelos alunos. Na escola de origem – onde um trabalho que estava a ser feito, mesmo que não prioritário para os iluminados da gestão, deixa de o ser – e na escola de destino, à qual o professor em causa pode chegar com uma motivação bem abaixo da que seria a de um professor que aí chegasse por estar sem colocação até então.

A verdade é que – e podem-me acusar de anti-corporativismo, para variar – não são raros os casos em que estas situações desembocam em atestados médicos prolongados ou em estado de espírito negativos, mais ou menos pré-depressivos, que se reflectem nas aulas e, sem grande margem para dúvidas, na capacidade reduzida para trabalhar da melhor maneira com os alunos.

E não me perguntem mais nada porque, como diria o Octávio Machado, vocês sabem bem do que eu estou a falar.

E nem sequer se trata apenas de falta de profissionalismo. É dos efeitos de um tipo de medidas que, para poupar uns tostões, coloca em causa o trabalho com os alunos. Em bom português, é a chamada poupança de m€rd@, própria de gente de mente curta.

baternacabeça

Cirurgias

A sério que queria muito não embirrar com o elogio da gargalhada feito pela Catarina Martins na sua defesa do fim das provas finais de 4º ano. O humor é importante e ela até usa exemplos que me são especialmente queridos… os Monty Python (até estou a ler a autobiografia do John Cleese e tenho dois volumes dos diários do Michael Palin em lista de espera) e a quarta série do Blackadder (elogiar o RAP também vai bem, apesar de benfiquista fundamentalista).

Só que… vamos lá ser sinceros… mesmo sinceros, truques retóricos de lado. Quem é que preferiríamos ter a fazer-nos uma cirurgia complicada? Um hilariante mas incompetente médico, muito feliz consigo mesmo e as suas piadolas ou um tipo carrancudo mas extremamente eficaz nas suas intervenções? Deixemos de lado a terceira via do profissional competente e divertido… concentremo-nos apenas na dicotomia simplista da Catarina Martins, que acho bastante desajustada à situação.

Eu sou muito prático… não quero ir tomar uns copos e trocar ideias sobre os escritos da época áurea do David Lodge ou relembrar o brilhantismo do conceito subjacente ao Astérix e os Normandos com um cirurgião sorridente, quero mesmo é que ele me resolva o problema de vida ou de morte, mesmo que seja incapaz de entender um trocadilho do René Artolas.

smile