Cirurgias

A sério que queria muito não embirrar com o elogio da gargalhada feito pela Catarina Martins na sua defesa do fim das provas finais de 4º ano. O humor é importante e ela até usa exemplos que me são especialmente queridos… os Monty Python (até estou a ler a autobiografia do John Cleese e tenho dois volumes dos diários do Michael Palin em lista de espera) e a quarta série do Blackadder (elogiar o RAP também vai bem, apesar de benfiquista fundamentalista).

Só que… vamos lá ser sinceros… mesmo sinceros, truques retóricos de lado. Quem é que preferiríamos ter a fazer-nos uma cirurgia complicada? Um hilariante mas incompetente médico, muito feliz consigo mesmo e as suas piadolas ou um tipo carrancudo mas extremamente eficaz nas suas intervenções? Deixemos de lado a terceira via do profissional competente e divertido… concentremo-nos apenas na dicotomia simplista da Catarina Martins, que acho bastante desajustada à situação.

Eu sou muito prático… não quero ir tomar uns copos e trocar ideias sobre os escritos da época áurea do David Lodge ou relembrar o brilhantismo do conceito subjacente ao Astérix e os Normandos com um cirurgião sorridente, quero mesmo é que ele me resolva o problema de vida ou de morte, mesmo que seja incapaz de entender um trocadilho do René Artolas.

smile

15 thoughts on “Cirurgias

  1. Epa embirra com a Catarina mas faz um.upgrade nos exames da 4 classe e do 6 ano…não tarda está a defender a telescola e o exame na 3 classe 🙂 🙂 🙂 🙂
    Ndiscutivemas naceitavelitavenunaceitavelPet o Pet..no secundário enfim não existe alternativa….bem a Leite até tentou mas tramou—se..a prova de acesso…

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    1. Não percebi nada do que escreveste lá em cima. Eu não defendi quaisquer exames, critiquei a argumentação. Ora…a credibilidade ou não de uma argumentação tem influência na posição defendida.

      E, acaso não tenhas reparado, eu já escrevi que se quiserem, por mim, podem tirar todos os exames até ao 12º ano que eu até passo a viver melhor. e sobre o PET tive oportunidade de criticar no dia em que foi anunciado, até em comentário televisivo.

      Portanto.. não venham é depois queixar-se facilitismos nas passagens de ano e tal.

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      1. E um tipo só faz upgrade quando acha que há necessidade. Não é o meu caso nesta matéria… preferiria é que mudassem a data das provas de 6º ano e isso não te vejo a defender porque não te toca na pele…andares a dar aulas, a vigiar e depois classificar provas… Ahpoizé!

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    1. Mas em que parte é que me leste ou ouviste a fazer uma relação directa entre uma coisa e outra? As provas, para mim, servem como regulação do sistema, aferição do que se está a fazer… e não me venhas com as provas de aferição, a que faltava quem quisesse…

      Nos anos 90 havia exigência? Talvez… mas eu não me lembro muito bem da maneira como podes dizer isso… cada um pode dizer o que fazia, mas foi nessa altura em que começou a cultura valterista-benaventista do “direito ao sucesso” de que muita gente se queixou até há pouco tempo. A minha memória não é selectiva.

      Quanto a Maio… ainda ninguém alterou o calendário…

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    1. Mas por que raios há-de uma criança sofrer enquanto aprende, só porque há uma prova no final do ano? Essa parte é que me deixa meio perdido… as minhas aulas não mudaram por causa de um penduricalho… sofrem quando devem sofrer, ali com os complementos oblíquos ou com a cartografia das invasões bárbaras. Agora por causa da prova final??

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      1. Stress. na minha escola não deixam os miúdos esquecer que há uma prova no fim.
        (Aliás, os professores sofrem tanto como eles).

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  2. “mas foi nessa altura em que começou a cultura valterista-benaventista do “direito ao sucesso” de que muita gente se queixou até há pouco tempo. A minha memória não é selectiva.”

    Ó Paulo, leia lá os contratos de autonomia cratianos (como aquele que o seu agrupamento assinou) e conte as vezes que encontra no documento a palavra “sucesso”. Depois diga lá se o tal “direito ao sucesso” dos alunos continua a ser coisa do passado.

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    1. Tenho alguma dificuldade em debater com quem não percebe o que está escrito. Em que parte é que eu disse que isso desapareceu? Sabe a diferença entre “começo” (enquanto origem, princípio) e continuação (sinónimo de desenvolvimento, continuidade)?

      Se há coisa que estraga qualquer conversa é meterem os pés nos bolsos do casaco, ainda para mais com ar de quem chama parvo aos outros. O “há bem pouco tempo” refere-se às queixas sobre práticas pedagógicas muito promovidas nos anos 90 e não ao fim da “cultura do sucesso”. Não estou a ilibar seja quem for, muito menos depois de ter escrito imenso sobre isso.

      Cruzes…

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  3. Sim foi a benavente não me esqueço..mas mesmo aí e falo por mim havia exigência…até nos conteúdos…em história eram mais aprofundados…até finais de 90 inicios de dois mil..exames levam.a rankings rankings levam a condicionar conteudos..stress dos profs que incide depois nos putos..nao devia ser assim..pois não ..mas é..nem falo dos centros de explicação..

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    1. Conheço centros de explicações desde sempre… não me digas que havia mais exigência em História nos anos 90 do que agora e que os exames têm a ver com isso porque no Básico não há exames em História 🙂

      A minha recordação desses tempos, em que ainda era contratado, são outras. São a das publicações do IIE cheias de “paixão” pela Educação e muita tralhada sobre gestão curricular e pedagogias e tal e das directrizes para passar com 4 e 5 negativas tudo o que mexesse.

      E a exigência somos nós que a impomos, antes de nos cansarmos e rendermos… alguns, pelo menos.

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  4. “E a exigência somos nós que a impomos, antes de nos cansarmos e rendermos… alguns, pelo menos”.

    Nem mais. E podemos ou devemos fazê-lo sem exames ou mesmo apesar deles… Um professor ou um ministro que estão à espera dos exames para terem um ensino rigoroso ou exigente, podem esperar sentados…

    (Sobre o dito da CM acerca do “cirurgião”, não se trata de nenhum disparate – disparate foi se calhar dar prioridade política a este assunto dos exames -, julgo que ela se referia a um texto de um psicólogo – os termos são os mesmos – que defendia que ser um bom cirurgião não é apenas uma questão técnico-procedimental, pois também é preciso gostar do que se está a fazer).

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