O Poder

É a tentação suprema, a volúpia mais inebriante, a tentação mais permanente. Quem o prova raramente o quer largar e quem o ganha, derrubando quem dele se dizia abusar, torna-se quase sempre um abusador, ele mesmo, rodeado de cliques com os mesmos tiques. Os erros são sempre alheios e próprias as acertadas certezas. Por isso, sou muito favorável a limitações de mandatos e a todos os mecanismos possíveis de controle do seu exercício. Lembrei-me disto nos últimos tempos, em mais uma temporada de explicação da democracia ateniense, imperfeita, tão imperfeita, mas que já tinha na sua essência a exacta desconfiança dos efeitos do poder sobre a fraqueza humana. Aquela que nos rodeia, da macro à micro-escala.

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Pénis Maternal

Para sustentar que, com a adopção gay, os humanos estavam a interferir indevidamente no domínio do sagrado, Arroja socorreu-se do instrumento argumentativo mais à mão. “Eu sou um homem. Tenho órgãos genitais de homem: pénis, testículos, etc. Não fui eu que os fiz. A minha mãe já faleceu, mas posso facilmente imaginar-me a perguntar à minha mãe: ‘Olha, tu sabes fazer pénis?’. E estou a ouvir a resposta, naquele jeito muito peculiar: ‘Oh filho, eu sei lá fazer uma coisa destas’. Ela fez quatro. Mas não sabe fazer pénis”. Então quem projectou os órgãos do economista? “Foi Deus”.

O falo divino de Arroja mostra assim uma verdade irrefutável: para Deus, um homem é um homem, uma mulher é uma mulher, e não há confusões. Os dois complementam-se. “O homem dá à mulher direcção, indica-lhe um caminho. Uma mulher não é capaz de definir um caminho. Sem um homem, fica sem saber o que fazer. A mulher dá ao homem equilíbrio, moderação, porque um homem sozinho só faz asneiras, como beber em excesso e conduzir o carro a 200 à hora”.

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