O Poder

É a tentação suprema, a volúpia mais inebriante, a tentação mais permanente. Quem o prova raramente o quer largar e quem o ganha, derrubando quem dele se dizia abusar, torna-se quase sempre um abusador, ele mesmo, rodeado de cliques com os mesmos tiques. Os erros são sempre alheios e próprias as acertadas certezas. Por isso, sou muito favorável a limitações de mandatos e a todos os mecanismos possíveis de controle do seu exercício. Lembrei-me disto nos últimos tempos, em mais uma temporada de explicação da democracia ateniense, imperfeita, tão imperfeita, mas que já tinha na sua essência a exacta desconfiança dos efeitos do poder sobre a fraqueza humana. Aquela que nos rodeia, da macro à micro-escala.

Ostraka2

 

14 thoughts on “O Poder

  1. O que ensinas é interessante. às vezes apetecia-me experimentar outra disciplina e passar as minhas aulas a outra pessoa. Seria interessante. O poder do conhecimento, como vês, não me inebria. Gosto mais de experimentar coisas novas.

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  2. “Antes de concorres às eleições, entretanto, Péricles tinha de levar em conta sua aparência física. Os cidadãos de Atenas mostravam marcada preferência por indivíduos de físico perfeito e os autores de comédias costumavam fazer piadas malévolas com políticos muito feios e portadores de defeitos, como os narigudos e os muito gordos”. (KING, 1988, p. 26).

    Uma curiosidade..

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  3. Pois, ainda bem que temos um governo minoritário, que é obrigado a negociar permanentemente.

    Onde alguns querem ver uma fraqueza ou um defeito – talvez por se terem afeiçoado aos tiques da anterior maioria absoluta… -, eu encontro vantagens para a governação e um reforço para a democracia.

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  4. Farpas, se a coligação dos Pafs estivesse no poder também estaria em minoria e obrigada a negociar.

    E se o PCP ou o BE tivessem ido para o poder com o PS, também estariam em minoria e obrigados a negociar.

    Eu compreendo a lógica dos que, por ser legal/constitucional, aceitam a legitimidade desta solução.

    Mas eu pergunto – ainda sobre a interpretação da vontade do povo, que tanto serviu de argumento para legitimar estes “acordos” dos partidos de esquerda -, se efectivamente podemos afirmar que o povo decidiu esta solução encontrada.

    Porque, pergunto eu, quem vota num partido espera o quê? Que, podendo, integre um governo ou que fique na oposição?

    Continuo na minha: o facto de PCP e/ou Bloco não estarem no governo descredibiliza esta solução.

    Espero estar enganado, pois se os Pafs não-ressabiados já incomodaram muita gente, Pafs ressabiados incomodarão muitas e muito mais.

    Só um aparte: relembrar que uma solução muito defendida pelo António Duarte no Umbigo, era a de um governo PSD/CDS/PS, porque, resumindo, “seria a forma do povo ver que eram todos iguais” – de direita, dizia o AD – “e que assim poderíamos ver uma verdadeira força de esquerda nascer reforçada devido a essa união de abutres.”

    Mas os tempos passam e as lógicas mudam.

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  5. “Mas eu pergunto – ainda sobre a interpretação da vontade do povo, que tanto serviu de argumento para legitimar estes “acordos” dos partidos de esquerda -, se efectivamente podemos afirmar que o povo decidiu esta solução encontrada.”

    O povo não deu uma maioria de votos a algum dos partidos que se apresentou a votos, nas últimas eleições legislativas. A solução encontrada procurou um modo constitucional de inverter uma governação de “terra queimada”. Portugal foi sendo entregue aos interesses de estrangeiros que sugaram não só o património nacional como a riqueza produtiva dos portugueses. Ora esperemos então que as “lógicas” se invertam a favor do desenvolvimento de um país mais próspero e mais justo.

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  6. Maurício,
    Eu não me estava a referir simplesmente de casos ou de soluções em abstracto, mas deste governo do PS com o apoio da esquerda. Ainda bem que o PS tem que negociar com os seus parceiros da esquerda. Não é apenas uma questão ideológica: as anteriores experiências também nos dizem alguma coisa…

    Se observássemos a questão em abstracto, mesmo um governo da PAF em minoria seria menos mau que o da anterior experiência maioritária. Basta lembrar as cedências que já acenavam ao PS para manter o poleiro…

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  7. Este qual, buli? O do PS? Puxa… Se houve coisa que disse desde o início das negociações era que pagava para ver se nasceria um governo PS, PCP e BE. E sempre achei que o acordo, digo, acordos, digo, compromissos da esquerda, digo, esquerdas, digo, do PS com os outros, seria um simulacro – como acho que está bem à vista de todos.

    Aliás, estou mesmo convencido de que se não fosse o ódio do PCP, BE e de certa ala do PS (encabeçada por Carlos César e socráticos) a Cavaco – e não a Passos e Portas – esta solução nunca teria avançado.

    Registem: creio que este governo dura mais tempo se Marcelo ganhar as presidenciais do que se ganhar Sampaio da Nóvoa ou Belém.

    Ter um tipo da direita lá em cima poderá ser a única forma desta pseudo-união continuar unida por mais algum tempo.

    E mesmo assim…

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