Rankings

Daqui a pouco é dia de publicação dos deste ano. O embargo dos dados termina à meia noite. Sei que os tempos andarão para os deitar abaixo ainda mais do que é habitual. Como não mudo de opinião com os ventos, continuo a achar que, desde que enriquecidos com muitos dados complementares, a divulgação dos resultados dos alunos nas provas finais ou exames do Ensino Básico e Secundário é um bom serviço que se presta a quem, com boa fé, os queira ler de forma cuidadosa e não para apedrejamento político ou ideológico. O que penso acerca do que ainda lhes falta, escrevo-o em 4500 caracteres, amanhã, no Público, o jornal que tem tratado melhor esta matéria. E ao início da tarde devo, em princípio, fazer um pequeno apontamento, em conjunto com a Bárbara Wong, na TVI24, pelas 14 horas porque, repito-me, prefiro que se aperfeiçoe um método de divulgar informação do que se queira mantê-la em segredo.  Nunca devemos temer o acesso a informação, mas devemos ter o cuidado em saber lê-la e afastar as tentações demagógicas ou maniqueístas para os instrumentalizar ou demonizar.

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Sua Culpa

O PS ajuda a terminar com duas das suas malfadas criações que o governo PSD/CDS agarrou com as quatro mãos: a requalificação forçada dos docentes e a prova de avaliação dos conhecimentos.

A ver se fica percebido de uma vez que uma porta não se abre se não queremos que ela acabe escancarada, porque aquela coisa de abrir só um bocadinho para ver se… acaba quase sempre a gerar o indesejável.

Creepy-knock-on-door

 

Belém

Estou curioso para ver o tempo que os critérios jornalísticos da SIC reservarão para a entrevista de hoje a Maria de Belém. Até se terem feito as contas ao tempo que concederam a António Sampaio da Nóvoa e a Marcelo Rebelo de Sousa, eu apostaria em 33 minutos. Agora, talvez fique pelos 23-25… ou, quem sabe, talvez mantenham o plano original.

Na imagem abaixo a data da entrevista de ASN está errada, pois foi no dia 9.

Presidenciais

Empatia

O texto não é curto, mas é daqueles que algumas pessoas acharão mais para o adocicado. Mas as coisas são o que são e o mundo a preto e branco é interessante mas descolorido.

Indo ao que interessa… quando falha a capacidade empática do professor com os alunos, as aulas tornam-se um suplício para ambas as partes ou transformam-se no estereotipo da aula chata e pseudo-magistral que diziam ser o modelo de outros tempos, porque não sei, parece-me que ainda existe e está de boa saúde. Quando a capacidade de se estabelecer uma relação pessoal, humana, nas aulas falha – e não estou a falar de desatarmos a falar só fofinho, queridinhos para cá, amorzinhos para lá ou a tentarmos ser os jovens que já não somos para nos sentir integrados – quase tudo falha e impera o domínio do medo e do seu combate pelo exercício de uma autoridade insegura e que, como todas as autoridades inseguras, se refugia atrás de aparatos, como se fossem capacetes, armaduras defensivas perante os ataques.

Sou dos que acham que as aulas não têm de ser preenchidas em todos os minutos com múltiplas actividades de aprendizagem repetida, para que se torne possível traduzir isso em registos e cruzinhas que tranbsformam aulas falhas em representações papelentas (ou digitais) de aulas fabulosas. Prefiro uma aula com momentos de respiração ou aulas em que não nos preocupamos com aprendizagens programaticamente relevantes para falarmos apenas ou termos um tempo de comunicação não mediatizada por conteúdos.

Como é que concilio isto com o facto de defender a existência de provas finais e não me desagradarem rankings? Com alguma facilidade, se deixarmos de lado o pensamento dicotómico… aquele que nos diz que a felicidade só tem um caminho e o resto é sofrimento, apenas. Há de tudo… a escola e as aulas podem e devem ser paletas de vários tipos de sensações e aprendizagens. Mas, para isso acontecer, é preciso que exista uma pessoa adulta com capacidade de ir além das suas fronteiras naturais e despertar nos outros mais do que a ânsia de um perfeccionismo técnico que encaixa a criatividade em esquemas mentais pré-concebidos, ou seja, a antítese do que deve ser a criatividade. Rankings ou provas finais só são factores de infelicidade se não soubermos usá-los e nos deixarmos esmagar por eles.

Nunca gastei mais de 5% do conjunto das aulas do 5º e 6º ano de Português por causa directa dos “exames” ou provas finais. Andar com isso apenas na cabeça é uma obsessão que não partilho e acho mesmo estranho que alguém no Ensino Básico condicione de tal forma a sua prática pedagógica que a defina em termos de um momento, perdido a meio de Maio. Já não estranho, claro, que quem nunca tem avaliações externas, elabore teorizações imensas sobre a qualidade do ensino alheio e conceba planos e grelhas e formulários e coisas assim muito geométricas e coloridas para fazer passar por excelência aquilo que assim é apenas auto-avaliado. E nunca pelo alunos, porque isso seria dar-lhes uma voz que poderia incomodar as certezas extraídas das fórmulas de uma aritmética da média e nada mais.

Para aulas interessantes e que, de quando em vez, consigam traduzir-se em aprendizagens relevantes é preciso mais de algo simples, mas nem sempre abundante: humanidade, empatia, bom-senso, capacidade para dizer não, para cima, para o lado, para baixo, não abdicar de regras claras, mas aplicá-las com justiça e não com cegueira, seguir os rostos e não só os regulamentos. Ou, como me dizia uma colega, pôr-se a jeito para levar em cima.

BArtsimpson