Banif

Mais um grande exemplo da iniciativa privada nacional, que acabará a ser resolvida com dinheiro dos contribuintes, incluindo todos aqueles que os economistas pseudo-liberais de vão de escada gostam de apelidar de comodistas, conservadores e tudo o mais. Interessante mesmo, era saber para que bolsos foi muito do dinheiro de mais um banquinho que faliu, mas continuou a pagar régias administrações, consultorias, assessorias e muita publicidade na imprensa. Contabilizem o sorvedouro de dinheiro público do BPN, BES, Banif (e encobertamente o Millenium, via CGD) e depois digam que o problema das contas públicas é do baixo número de rescisões dos professores. E, pelo caminho, façam a lista dos amados que se foram governando enquanto a barraca afundava.

mascaras

Imparcialidade

Recebi o convite para assinar uma petição destinada a pedir maiores garantias de imparcialidade nos concursos para professores do Ensino Superior.

E sorri. A causa é justíssima, mas sorri.

Porque me lembro bem de como o conceito de imparcialidade é muito volátil e que raramente o vi aplicado em tal matéria. Lembro-me, isso sim, de parcialidades claramente assumidas e de equilíbrios de clientelas.

Dito isto…

É interessante ver que se reclama pela imparcialidade nos concursos para o ensino Superior na exacta altura em que se anda por aí a defender como seria boa a completa desregulação dos concursos de professores para o Ensino Não-Superior.

Tudo depende.

Acho que vou assinar e esperar pela futura solidariedade com os básicos e secundários.

Cat

Ainda os Rankings

No Diário Económico de hoje:

Rankings, sim, mas…

O conhecimento público dos dados sobre o desempenho dos alunos nas provas finais e exames do Ensino Básico e Secundário é algo positivo para toda a sociedade e para o sistema de ensino. A sua transformação em ‘rankings’ de consumo rápido nos primeiros anos da divulgação da informação transformou-os numa arma de disputa política e ideológica em vez de os tornar num útil instrumento para a análise da realidade que levasse a uma melhoria global do sistema de ensino.

Ao longo do tempo, a informação disponibilizada sobre as escolas públicas foi-se alargando e permitindo matizar os resultados absolutos com indicadores do contexto sócio-económico e cultural dos alunos e respectivas famílias. Infelizmente, toda esta informação sobre as escolas públicas não tem tido contrapartida no sector privado, sobre o qual continuamos a desconhecer muitos dados essenciais para que a comparação dos diferentes tipos de escolas possa ser feita com pleno conhecimento das diversas realidades em presença.

Os ‘rankings’ só atingirão a perfeita maioridade quando, para além de alcançarmos uma completa transparência dos dados disponíveis, os instrumentos de avaliação externa deixarem de mudar anualmente de natureza, de grau de dificuldade ou mesmo de critérios de classificação. É complicado estabelecerem-se análises significativas das tendências de médio prazo, à macro ou micro-escala, quando se comparam provas de aferição com provas finais ou quando se comparam resultados em disciplinas, como em Português ou Matemática, que mudam de programa duas ou três vezes num punhado de anos.

Enquanto estes problemas não forem resolvidos os ‘rankings’ continuarão em busca da sua idade adulta e não contribuirão, como poderiam, para um melhor conhecimento e melhoria da qualidade do nosso sistema educativo.

rankings

Ahpoizé!

Cada turma no privado dos tops rende uma base de 12.500 euros mensais, por turma de 25 alunos e sem contar com todas as outras alcavalas que são praticadas como actividades complementares de prestígio e pedigree. Quanto pagam à maioria dos professores, qual o leque salarial praticado e qual é comunicado ao ME é toda uma outra dinâmica.

E não é de estranhar que as famílias não queiram divulgar os seus rendimentos e os ditos colégios que têm alunos com muito mais meios financeiros e culturais à sua disposição. E que o investimento dos pais é feito no pressuposto da identidade do projecto, ou seja, que muitas das regras que somos obrigados a seguir no ensino público são para esquecer.

E é este poder económico que permite manter em funcionamento um lobby cuja missão é apenas pressionar o poder político para entalar as escolas públicas com todo o tipo de regulamentos, em nome da transparência, defendendo a opacidade de uma liberdade muito particular e cooperativa, praticamente imune a qualquer regulação externa.

E depois há sempre aqueles professores do ensino público que lá fazem uma perninha e ajudam a uma promiscuidade ética pouco compatível com a exaltação de tantos princípios.

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