Diálogos

Existem quando há mais de uma pessoa interessada, pelo que nem sempre este espaço o é com quem assim o quer. Se estivesse numa fase muito virada para as inter-relações virtuais, faria por aqui ligações para posts de blogues afamados que me provocam urticária extrema ao primeiro par de linhas (mas que dariam muitos hits, com duplo sentido), ou transcreveria e comentaria nacos de deploráveis reflexões de gente tornada estridente e demente que encontro por aí numa ou outra rede social mais popular, descontando aquela em que os pensamentos nem podem chegar aos 150 caracteres. Mas a minha sociabilidade anda muito austera.

Voltando ao que me interessa agora e ao monólogo que é, na sua essência, este blogue, um quintal meu cujo determinante possessivo incomodou quem estava habituad@ a tornar seu o que o não era, porque assim acabou por ser. Mas como quando se escreve um livro ou se pinta um quadro, mesmo quando se publica ou é exposto, o diálogo é diferido, porque no imediato é monólogo mesmo, só depois o que se criou é apropriado por quem o procura e lhe dá um sentido seu que amiúde nunca me ocorreu. Quantas vezes, apenas dialogo com a realidade que me envolve e incomoda, ou talvez o cosmos distante, e não com quem, no seu quotidiano, se quer colocar como criatura destinatária, porque com quem me cruzo e tem importância eu não finjo cumprimento, afago ou sorriso, enquanto que quem não tem só serve de paisagem ou motivo distante para passagem efémera em par de linhas que não ascendem à relevância que lhes querem dar e dar-se.

Barrete

Escrevo isto porque sim, porque é aquele monólogo que me faz bem, porque me sabe bem escrever, traduzir em verbos substantivos e nomes próprios e concretos uma relação com o mundo que não se traduz apenas em numerações ordinais ou geometrias invariáveis. Percebo eu e quem quiser, não exigindo comentário, talvez apenas aceno e sorriso discreto.

 smile

 

O que Será Pior?

Um tipo abrir o blogue ao fim do dia e ver links nos comentários para textos em que nos acusam de estar na origem de fatwas feicebuquianas ou ter almoçado ontem com um tipo, duas mesas atrás, que não parava de chupar ruidosamente os dentes, antes, durante e depois de comer?

grito2

Só um Dia

A paragem das aulas na Ucrânia por ocasião do Natal, disse-me hoje o meu aluno Volodomir, enquanto me dedicava um muito razoável “Boas férrias e bom ano novo” ao fim de três meses de aulas em Portugal. Se fossem todos como ele, com a sua postura, a sua educação e impermeabilidade ao desvario dos seus vinte e tal colegas, até eu aguentava uma paragem assim tão pequena sem especial queixume.

MeninoJesus