Encubra-se?

Após inflamados discursos contra qualquer ajuda ao Governo em matérias sensíveis, quando a “esquerda radical” levantasse problemas, eis que o PSD dá a mão toda na primeira ocasião. Qual será o preço jurídico e político (porque o financeiro já o vamos sabendo) de tamanha incoerência e colaboracionismo?

janus

5 thoughts on “Encubra-se?

  1. Não sei porquê, há bocado, observando um cão a empurrar terra para cima da bosta que tinha feito, veio-me à lembrança este gesto político de PC…

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  2. Editorial
    Um monumento à irresponsabilidade da era Passos

    Direcção Editorial

    21/12/2015 – 22:11

    A gestão do anterior Governo neste caso não merece perdão

    O estouro do Banif é um exemplar manifesto de incompetência, irresponsabilidade e dolo. Desta vez, e ao contrário do que aconteceu com o BES, não se conhecem actos de manipulação de informação relevante nem práticas de gestão suspeitas de condutas criminosas. Quando António Costa nos deu conta da resolução do Banif e da brutal factura que todos teremos de pagar, foi muito fácil constatar que este era um desastre cada vez mais evidente a cada adiamento, a cada varrer do lixo para baixo do tapete, a cada hesitação denunciadora da falta de coragem. Desde Dezembro de 2014 que se sabia que o Banif não conseguia assumir os seus compromissos com o Estado, desde sempre que se conhecia o criticismo e receio com que a Direcção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia olhava para a forma como o Governo geria a situação. Os oito planos de reestruturação chumbados eram prova cabal de que o tempo não resolveria coisa nenhuma. Nestes três anos, Maria Luis Albuquerque, Pedro Passos Coelho e o Governador do Banco de Portugal limitaram-se porém a tergiversar, a prometer soluções que ora não avançavam por causa da saída limpa, ora ficavam congeladas por causa do calendário eleitoral. Quando Bruxelas anunciou que a brincadeira estava para acabar (este fim-de-semana), bastou uma notícia especulativa na TVI para que mil milhões de euros desaparecessem do balanço e a salvação do Banif passasse a ser feita à custa dos impostos. A aura de Pedro Passos Coelho como político responsável, que quer que “se lixem as eleições”, apagou-se nessa conta astronómica. Já se sabia que os cidadãos teriam de pagar alguma coisa, mas três mil milhões de euros é um custo demasiado alto para que a sua gestão neste caso mereça um mínimo de condescendência.
    http://www.publico.pt/politica/noticia/um-monumento-a-irresponsabilidade-da-era-passos-1718124

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  3. Comentário
    Um buraco tem sempre cobertura quando o Estado paga a factura

    Luís Villalobos

    23/12/2015 – 17:55

    O caso da morte do Banif tem ainda contornos por explicar, mas uma coisa é certa: quem beneficia com este triste episódio é o Santander Totta.

    É muito difícil, senão impossível, aceitar que o processo não podia ter tido outro desfecho, menos penalizador para os contribuintes. Depois do tempo que o anterior Governo e o Banco de Portugal deixaram passar sem encontrar uma solução para o Banif, a saída foi fazer tudo a correr. Ora, como diz a sabedoria popular, “depressa e bem, não há quem”. Agora, podia-se criar outro provérbio, impopular: “Um buraco tem sempre cobertura quando o Estado paga a factura”. Aqui vale a pena parar um pouco, respirar fundo e fazer contas. Porque, apesar de serem volumosas, estão ainda mal explicadas, e, no final, vão ser pagas por todos nós.

    Pelo que se percebe, as perdas do Estado são de 2591 milhões de euros, compostas por 825 milhões que estavam aplicados, mais 1766 milhões (via Orçamento do Estado rectificativo) agora injectados no Banif para o Santander fechar o negócio (uma operação apelidada de “défice de financiamento” na resolução do Banif). Abatendo os 150 milhões pagos pelo Santander, o valor a pagar neste momento pelos contribuintes fixa-se nos 2441 milhões.

    Depois, há um acréscimo de 489 milhões injectados no Banif para o Santander fechar o negócio, mas que são da responsabilidade do Fundo de Resolução. Ora, apesar de este organismo estar na esfera do Estado em termos de contas públicas, o valor em causa é da responsabilidade do sistema financeiro. De acordo com os seus estatutos, a fonte de financiamento do Fundo de Resolução são as contribuições das instituições financeiras, e apenas “excepcionalmente, empréstimos ou garantias do Estado”.

    Há ainda mais 422 milhões da responsabilidade do Fundo de Resolução, respeitante a activos do Banif que passaram para um veículo na esfera deste organismo. Embora haja uma garantia pública, este valor é da responsabilidade do Fundo de Resolução/sistema financeiro. Assim, entre perda efectiva e potencial o fundo de resolução/sistema financeiro tem responsabilidades de 911 milhões. Há um risco para os contribuintes, mas a factura é do Fundo de Resolução.

    Voltando ao Estado, há ainda a garantia, directa, de 323 milhões para cobrir o risco da carteira de crédito do Banif junto do Santander. Sendo uma possível contingência futura, a factura total do Estado, num cenário 100% pessimista, subiria para 2764 milhões (2441+323).

    Não esquecendo ainda as perdas dos accionistas privados e de alguns obrigacionistas, resta olhar para quem ganha: o Santander Totta.

    O banco, que já demonstrara vontade de crescer através de uma aquisição em Portugal (esteve na corrida ao Novo Banco), passa a ser o segundo maior entre os privados. Isto, por 150 milhões, um valor que é inferior aos lucros dos primeiros nove meses do ano e apenas seis vezes o valor das obras de expansão da sua sede em Portugal.

    Além de se blindar contra futuras surpresas, pode ainda descer os custos com o encerramento de balcões e saída de trabalhadores. Isto sem ignorar uma certa ironia, já que o banco está em pleno litígio com o Estado por causa dos prejuízos causados pelos contratos swap que lhe vendeu. Tendo do seu lado a vantagem de o vendedor estar aflito, o Santander ficou com o lombo a preços de saldo. Cada espinha terá o seu preço.

    Por fim, é preciso não esquecer que o problema do Novo Banco, e da sua venda (agora com menos um candidato de peso, o Santander), está longe de ser resolvido. Haverá certamente mais uma factura para pagar, e mesmo que o Estado não sofra directamente, a forte participação da CGD no Fundo de Resolução não promete nada de bom. A actual gestão do banco público está a acabar o seu mandato, e a instituição tem ainda de conseguir devolver os 900 milhões de euros que o Estado emprestou, o que, por sua vez, não é facilitado pela exposição ao Fundo de Resolução.

    Depois do Banif, as atenções vão agora focar-se, por ordem de ideias, no Novo Banco e na capacidade da CGD devolver as ajudas de Estado. Ou seja, o actual Governo tem ainda muito trabalho pela frente na área financeira. Editor de economia.

    luis.villalobos@publico.pt
    http://www.publico.pt/economia/noticia/um-buraco-tem-sempre-cobertura-quando-o-estado-paga-a-factura-1718312

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