Sim, Mas…

Sou dos que acham que é mesmo necessário que as salas de professores percam o tom cinzento-acastanhado que foram ganhando. Nem falo nas indumentárias, mas no pensamento, no ânimo, na energia. Só que o seu rejuvenescimento, que tanta gente defende como se fosse a solução para mais problemas do que acho razoável, pode trazer tantos outros quantos os que pode resolver. É como aquelas equipas de futebol que passam a apostar muito na juventude, mas apenas porque não podem manter ou contratar os consagrados. Não deve ser uma medida determinada apenas pela necessidade (porque é mais do que evidente que é um erro crasso manter gente a envelhecer, sem perspectivas de carreira) ou pela conveniência (contratar gente nova ou vinculá-la como aos “extraordinários” é barato), mas sim pela convicção (é indispensável uma mistura de idades, experiências e formações para que existam novas formas de resolver os problemas da Educação actual) e com base num plano que não se confunda com aposentações à força ou rescisões ad hoc.

Rejuvenescer as salas de professores não deve ser sinónimo de trova de professores dos quadros mais velhos e caros por contratados,precários e vulneráveis a toda e qualquer mobilidade. Rejuvenescer as salas dos professores não deve ser determinado por provas teóricas ou por pretensas autonomias das direcções na escolha de serviçais, mas sim por um processo de aprendizagem estável, com contratos plurianuais e um modelo de orientação (há quem chame supervisão pedagógica) assegurado por professores-mentores como já os houve, mas que foram quase dizimados no conceito e na existência.

Ahhh… o mais importante é não fazer o rejuvenescimento com base na opinião de quem tem feito formação de professores nas últimas décadas. Acreditem em mim que tenho falado com uma boa quantidade e o que tenho ouvido é aterrador. Então se for em ambiente privado, com garantia de não se saber fora daquelas quatro paredes, ficamos a desejar que as salas de professores continuem a envelhecer. Infelizmente.

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