Jornalismo

Estamos perante a possibilidade de, em 2016, perdermos o acesso a jornalismo diário – não desportivo – desligado de interesses económicos externos. após reestruturações diversas no grupo do DN/JN que levaram dezenas de jornalistas para o desemprego e o controlo da empresa para outras bandas, temos os problemas conhecidos no grupo a que pertence o I (e que já depende igualmente de capitais externos, tal como o Sol) e agora um novo processo de redução dos quadros no Público. Publicidade em queda acentuada, vendas em que não deixam de se reduzir, justificam que os investidores não queiram perder dinheiro com projectos deficitários.

Eu não partilho da visão de quem acha que é bem feita. Muito pelo contrário, acho que o jornalismo independente deve ser mesmo o 4º poder, o poder de informar sem ter de ceder a pressões, trocar plantação de notícias por contratos publicitários ou outro tipo de exclusivos, daqueles que fazem afundar cotações e reputações, ou outro tipo de compromissos para conseguir sobreviver. Aprecio muito o bom jornalismo, aquele que não se resolve em charutadas ao sunset e em jantaradas pela night dentro, em promiscuidades que ultrapassam fronteiras deontológicas e se transformam em opinião mal disfarçada. E acho que esse jornalismo a sério está ligado de forma muito directa a um suporte físico. Porque me parece muito frágil e vulnerável o jornalismo virtual, em suporte volátil e reeditável a gosto. Chamem-me conservador, não me interessa, até porque o jornalismo foi uma das minhas opções de carreira e a encaro com o devido romantismo. A função está lá, mas há algo que muda e reforça a efemeridade do jornal. Duvido de projectos que apostam especialmente na rapidez, na imagem, no título gordo. Estranho, especialmente, que quem criticou as redes sociais, os blogues, se converta agora a esse tipo de imediatismo, que nem sempre a ética consegue dominar.

Receio, muito, o jornalismo precarizado. Porque se arrisca a deixar de ser poder, para apenas ter a possibilidade de servir os poderes, em especial os informais.

Maqescrever2

2 thoughts on “Jornalismo

  1. Isso não vai acontecer assim: simplesmente acabar. O papel ainda não acabou.
    O que eu gostaria que houvesse era um investimento sério em jornalismo de qualidade, em papel. Nada de peças a raiar a opinião…nada disso. Jornalismo puro, de reportagem, de informação, daquele que faz comprar jornais e guardá-los como se foram livros.
    On-line há de tudo e há que reforçar. O face do Publico é muito pobrezinho. Há que investir que isso dá poder!

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.