Sábios Póstumos

Como profetizava o genial João Pinto do FCP, prognósticos só no final do jogo. Agora, todos sabem de tudo um pouco ou mesmo muito sobre o descalabro da nossa banca. pena que, até há coisa de pouco mais de um ano, dissessem quase todos, esses mesmos, que o BPN era caso isolado, que o BES também era caso isolado, que o Oliveira Costa tinha enganado o Constâncio com falinhas mansas, que o Ricardo Salgado tinha o Carlos Costa no bolso e que o BPP era um epifenómeno. Agora, o que não falta são livros sobre a queda da banca, incluindo por gente que me parece ter genuflectido de forma repetida perante aqueles que agora acusam de ser uns malvados terríveis. Os poderosos, quando são poderosos e parecem intocáveis, impõem muito medo e respeitinho a gente que, logo que os vê em declínio, entra aos urros na turba, como se lá estivessem desde o primeiro dia. É mentira, deram-lhes doutoramentos honoris causa e louvaminharam-nos até ao enjoo, de jornalistas económicos a políticos em trânsito por pastas financeiras e económicas.

O Nicolau Santos nem é dos mais culpados dessa reverência dos agora sapientes perante os poderosos, mas ao ler a sua crónica é impossível não perguntar onde é que os gomesferreiras e camiloslourenços, mesmo os medinascarreiras, andaram durante a primeira década deste milénio, para além de zurzirem em quem menos culpa tem disto tudo, para não falar dos muitos oportunistas do momento que querem facturar em cima da actualidade (links em outro dia). Ainda estou para ver no que dá a estratégia ulriquina, que se percebe andar a tentar fugir enquanto pode do pântano angolano em que se foram enterrando, acreditando que eram tudo diamantes em bruto e lapidados. Se correr mal, teremos na hora nova vaga de escribas a descrever ascensões e quedas.

LickAss

3 thoughts on “Sábios Póstumos

  1. Em Portugal, o chamado “jornalismo de negócios” (não lhe chamemos económico, o Adam Smith não o merece) mais não é do que a expressão ideológica dos grandes interesses que dominam o país (políticos, financeiros e económicos), e que são, de longe, os maiores responsáveis pelo estado deplorável a que ele chegou.

    PC foi um PM de negócios (como PP não passou de um caixeiro viajante), que utilizou o seu governo como plataforma facilitadora para que os plutocratas (nacionais e internacionais) pudessem fazer um saque – ao abrigo do ajustamento austeritário – aos parcos recursos do país, entregando a sua população à indigência e à precariedade.

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