Importa-se de Repetir?

Do alto da sua enorme bagagem política, o Assis, analista político, extrai prosa de balanço sobre as personalidades do ano, em número de seis, distribuindo dúvidas a Costa, elogios a Passos Coelho e Portas e críticas mais ou menos abertas a Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Até esse momento, a prosa poderia ter sido assinada por um qualquer político do PSD mainstream, desde logo um Paulo Rangel, de quem se pode discordar valentemente da substância e estilo, mas reconhecer alguma coerência.

O problema é quando o analista Assis termina a sua prosa sobre a sexta figura destacada da seguinte forma:

Cavaco Silva – É ainda demasiado cedo para fazer uma avaliação verdadeiramente objectiva de um homem que marcou de forma determinante os últimos trinta anos da vida política nacional.

Eu repito… “É ainda demasiado cedo para fazer uma avaliação verdadeiramente objectiva de um homem que marcou de forma determinante os últimos trinta anos da vida política nacional.”

E assim fenece, de forma apoteótica, a credibilidade que a prosa poderia querer ter, para se tornar uma peça de aspirante a guionista de stand-up.

LAughing

A Luta Continua!

O Expresso termina o 2015 em coerência com o resto do ano, com uma peça saída do vazio informativo, com chamada de primeira página, sobre a boa relação pessoal (com mais do que sugestões de que também o poderá ser no plano político) entre o PM Costa e um eventual PR Marcelo. Só falta a esta informação uma espécie de análise comparativa em relação a outros candidatos. Para disfarçar, insere-se uma nota muito curta, sem desenvolvimento, sobre uma iniciativa da campanha de Sampaio da Nóvoa, para simular uma falsa equidistância informativa.

Exp31Dez15

Mais interessante ainda é a outra notícia, também com destaque de primeira página, acerca do apoio a Marcelo Rebelo de Sousa por parte de um antigo apoiante de Soares. Mesmo se tal apoiante é imensamente conhecido quase só na sua casa e a larga maioria dos portugueses nem sabe quem é, se é velho ou novo, creme, azul, castanho ou verde, gordo, magro ou assim-assim.

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Seria mais honesto que o jornal (a direcção ou a administração) declarasse – à americana – desde já o seu apoio formal e claro a uma das candidaturas presidenciais e deixasse de fingir. Era muito mais deontológico, para não dizer política e intelectualmente honesto.