Colaborações

O Alexandre do ComRegras pediu-me uma Ordem de Trabalhos para debate no seu Conselho Geral em Janeiro, assim como um pequeno texto para lançamento das questões e isto foi o que eu consegui arranjar. Desculpem lá se me torno repetitivo em alguns temas, mas como me parece que se prepara uma nova evolução na continuidade em algumas destas matérias…

Quando se voltam a discutir novos projectos de reformas mais ou menos globais ou alterações que se arriscam a ser mais um factor instabilidade do que de acalmia na sucessão de remendos, enxertos, mini ou macro-reformas das últimas décadas, penso que seria tempo de olharmos (hesito em usar o termo voltar) para a situação de desânimo de boa parte do corpo docente que povoa a maioria das salas de professores do país, sem receio de acusações de corporativismo. Olharmos e percebermos que é necessário que algo aconteça para que o envelhecimento geracional e a ausência de horizontes profissionais não tenham um peso e um preço demasiado elevados em termos de capacidade de mobilização para, pelo menos, a manutenção do trabalho que tem vindo a ser feito, sob condições cada vez mais gravosas. Em vez de engendrarmos planos e projectos homéricos com dezenas ou dúzias de medidas para redefinir pela enésima vez os contornos do “sistema”, da “estrutura”, etc, etc, do sistema de ensino, que tal darmos um pouco de atenção a quem tem por missão diária implementar nas salas de aula as melhores estratégias para melhorar o desempenho dos alunos?

Quanto ao segundo ponto, gostaria que se discutisse com seriedade o papel do ensino dito “profissionalizante” ou “vocacional” num contexto de escolaridade de 12 anos, deixando de fingir que se trata de uma via alternativa mais vocacionada para o mercado de trabalho (no qual alunos do 2º ou 3º ciclo dificilmente entrarão com formações de poucos meses e estágios muito simulados) e assumindo que é apenas uma via rápida para assegurar sucesso a todo o custo e tentar combater o abandono escolar de um modo administrativo, ao mesmo tempo que se limpam as pautas das provas finais de ciclo das turmas regulares. Para além disso, é importante perceber-se que a implementação à força da via dita “vocacional” – com o argumento da alegada falta de rigor dos CEF – eliminou todas as outras vias alternativas e tornou-se o modelo único, o que contraria o próprio conceito de alternativa, assim como o seu direccionamento para alunos com historial de insucesso torna esta via um gueto educacional, com escassa credibilidade social. Por fim, por agora, sugiro que se considere se faz algum sentido este tipo de via para alunos com 13-14 anos, quando é suposto estarem na escola até aos 18, cortando-lhes partes essenciais de uma formação geral que é essencial para uma sua maior adaptação futura na vida activa.

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