Presidenciais – 3

Um tema que tem aparecido nas prosas de alguns críticos do candidato António Sampaio da Nóvoa tem a ver com o seu currículo. Ainda não percebi bem se é para desvalorizar o percurso intelectual e académico (e nesse caso… os candidatos com mentalidade relvista terão que desvalorizar essa faceta, por exemplo, de Marcelo Rebelo de Sousa), se é para sublinhar que ele não tem um pedigree político nascido do sistema (e se assim é, não se percebem bem as críticas que lhe são feitas por candidatos anti-sistema como Henrique Neto que em debate recente pareceu baralhar-se nas suas próprias ideias a esse respeito).

Mas tomemos o assunto assim de frente e tomemos como comparação os outros dois candidatos do pelotão da frente (sim, já sei… estou a desvalorizar de forma pouco democrática mais de meia dúzia de candidatos, mas acho que ainda bem para alguns) e diga-se sem receio: mais vale ter um currículo político tradicional menos longo do que o ter e precisar de disfarçar parte dele ou fazer esquecer quantas piruetas ele já deu.

Neste último caso, recomenda-se – pela proximidade nas bancas – o generoso perfil de 12 páginas de Marcelo Rebelo de Sousa no Sol deste fim de semana (assim como 7 páginas do Público de hoje), em que se podem reencontrar as muitas encarnações e reencarnações de Marcelo Rebelo de Sousa, desde as divertidas (mergulhos no Tejo) às infelizes (a fracassada AD com Portas), passando pelas caricatas (a criação de factos políticos). Embora me preocupe pouco a encarnação Marcelo-presidente e ainda menos o facto de ser afilhado de quem foi (argumento que é muito pobre de espírito), a verdade é que há currículos que parecem um catálogo de livros da Anita (na praia, no zoo, a cavalo, em férias, na floresta, vai ao veterinário, na escola, etc, etc).

Já no primeiro caso, incomoda-me bastante que um@ PR tenha no seu currículo profissional – ou político-profissional – a prestação de serviços a grupos económicos com interesses directos na área em que exerceu acção governativa. Eu sei que é assim lá fora, que os lobbys não são ilegais, mas a verdade é que na linha dianteira, mas pouco iluminada, dos apoiantes mais activos de Maria de Belém encontram-se demasiados nomes que já se percebeu estarem ligados ao que também lá fora se chamam interesses corporativos a sério, ou seja, interesses de corporações económicas. E é difícil não perceber que nomes como Jorge Coelho, Francisco Assis ou João Proença dificilmente poderiam suscitar-me algum entusiasmo como figuras de prova de qualquer “movimento”, mesmo que usem outros como testas de ferro.

Resumindo, antes um currículo coerente e transparente do que outros demasiados longos nas suas ramificações ou nas suas inversões.

Curriculo foto

One thought on “Presidenciais – 3

  1. O verdeiro “problema curricular” de SdN reside na circunstância de não ter tido muita projecção mediática, de ser relativamente desconhecido para o cidadão médio.

    Aspecto “curricular” que é, pelo contrário, o grande trunfo de MRS. Mas que é uma arma de dois gumes: para os melhor informados, MRS representa a face de um sistema desacreditado e viciado.

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