Linguagem, Compreensão, Transmissão

A base de tudo, a partir da oralidade, do discurso escrito, da simbologia gráfica. Quando falamos, entendem-nos? Quando se lê, compreende-se?

Ao contrário – ou em complemento – de outras teorias mais socio-económicas ou culturais, acho que boa parte do insucesso educativo se baseia numa quebra da comunicação entre emissores (professores, manuais, mas mais do que isso) e receptores. Seja por indiferença, seja por pura incompreensão do que se está a tentar transmitir. Falta de vocabulário básico, nem sequer de tipo específico de uma disciplina, implica a não compreensão do que é dito, solicitado, sugerido.

O silêncio que muitas vezes se gera é o resultado do pior dos ruídos, o ruído branco, que causa uma surdez que resulta da incapacidade para perceber o que estão a tentar comunicar-nos. A perda, ou não aquisição, de uma linguagem mais do que monossilábica e de conceitos um pouco além de uma pós-modernidade tecnológica conjuntural está na origem de muitos dos problemas de aprendizagem na sala de aula. Não adianta enormes sofisticações pedagógicas ou mesmo a aposta numa dose de afecto e empatia para despertar o interesse dos alunos se eles não entenderem pelo que estamos a tentar interessá-los.

Falar, ouvir, entender. Ler, compreender. Temos de reforçar muito o aspecto mais básico do ensino que é a comunicação. Não há transmissão possível, ou torna-se extremamente problemática, quando os códigos usados não são entendidos. Há que começar, recomeçar, reforçar a compreensão dos níveis mais nucleares da comunicação. E não se trata de descer a um dado nível, trata-se de elevar os interlocutores ao nível desejável, enriquecê-los para que também eles possam comunicar com riqueza o que sentem, o que sabem, o que pretendem, serem também eles transmissores para além de patamares muito limitados de comunicação.

Ensinar é elevar, dotar de mais recursos. O primeiro é o da comunicação, essencial para compreender, transmitir, partilhar.

Nada de novo.

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2 thoughts on “Linguagem, Compreensão, Transmissão

  1. E como a linguagem é solidária com o pensamento, a uma linguagem pobre, corresponde um pensamento empobrecido, uma mundividência amputada.
    De onde também se evidencia uma capacidade efabulatória e um imaginário de uma indigência aflitiva.

    A continuar por esse caminho, o ensino não forma gente para a Vida (para alargar os horizontes e as possibilidades desta), mas apenas formatará para a vidinha…

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  2. Os sétimos: têm lacunas graves no português (os colegas já me disseram que “eram fraquinhos”) e para além disso, durante o 1º período senti que não confiavam em mim, nas minhas explanações e conversa, preferindo refugiar-se no livro(manual) o que foi pior: eu baixo ao nível deles e o livro não. Metade acabaram por ter negativa. Ok, começa o novo período e a única coisa que quero (disse-lhes) é que eles confiem em mim! Porque eu sei mais que os livros. Vamos ver se confiam- esta transição de ciclos pode ser assustadora.

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