Presidenciais – 9

Novo debate azedo, muito azedo em alguns momentos e, de novo, a roçar a deselegância na forma como MRSousa se dirige aos interlocutores, em particular quando pretende cobrar créditos por ter viabilizado o governo de Guterres. Fez isso com Henrique Neto (a quem disse que só continuara como deputado à sua custa) e agora com Maria de Belém (ela só foi ministra porque ele…). Fica-lhe mal, tem quase 20 anos e é pouco como pergaminho de estabilidade, em especial quando lhe dão a entender que teve contrapartidas por tudo isso.

IMG_0225

Mas o debate de hoje começou sob o signo do debate de ontem, que foi o que marcou a ruptura em relação ao que se vinha passando. O carácter ziguezagueante e intriguista dos dois candidatos foi explorado por ambos, nem sempre da forma que acho mais eficaz e perceptível para o eleitor comum que, com muita justiça, achará que são tod@s o mesmo. Algo que não acontece com Sampaio da Nóvoa. Entre Maria de Belém e MRSousa parecemos estar perante uma troca de tricas de outrora, em que cada um conhece os podres (não apenas os públicos) políticos d@ outr@. Repito, terá ganho o ausente em tal troca de mimos.

IMG_0228

Absolutamente ridículo o tempo perdido por MRSousa com a alegada ofensa que seria qualificá-lo como hiperactivo, não sabendo MBelém dizer que ele é – efectivamente – hiperactivo político.

Um detalhe final… uma daquelas imprecisões de quem se gaba de não levar notas para os debates. Ali a finalizar o primeiro terço do debate, MRSousa ostentou tudo o que fez em prol do governo de Guterres e especificou o apoio à aprovação de uma “Lei de Bases da Educação” que nunca foi legislada nesse período (continuamos com a de Roberto Carneiro, vetada que foi a proposta por David Justino). Julgo que se referiria ao chamado RAAG (regime de autonomia e administração escolar) de Marçal Grilo. São erros de quem confia demasiado em si mesmo e numa memória algo agitada.

A Ressaca

Bom… agora que já tivemos a tarde toda para digerir a mudança de rumo da avaliação externa dos alunos do Ensino Básico e que já vi lançarem alguns foguetes quanto ao novo modelo, vamos lá descer ao solo e referir alguns pontos dificilmente explicáveis em relação à metodologia das alterações, com especial destaque para o 2º ciclo.

Não me parece aceitável sem forte crítica a alteração de regras no início do 2º período de um ano lectivo que foi planificado (tal como o próprio ciclo) há meses para ter provas finais no 6º ano. Porque, a título de exemplo, eu tenho sido daqueles que defendem a concentração de actividades, em especial extra-curriculares, no 5º ano, libertando as turmas de 6º, exactamente a partir deste período, de muitas dessas iniciativas, por ser necessário ter os conteúdos leccionados e consolidados a meio de Maio. Agora, assim num repente, os alunos de 5º ano têm prova e os de 6º, não. O razoável seria ter mudado este ano apenas o calendário das provas e não o ano de escolaridade a que se aplicam.

Até porque… assim há uns felizardos que fizeram provas finais o ano passado (4º ano) e farão este ano as de aferição (5º ano), enquanto os vizinhos do 6º ficarão livres daqui até ao 8º ano. Parece-me mal… Já que este ano não há provas de 4º ano, deveriam ser esses alunos a estrearem as de 5º. Tudo poderia ter obedecido a um cronograma coerente que não estragasse algumas boas ideias.

Penso eu de que. Mas, como é sabido, sou um professor um bocado pró básico. Guardo para depois outros considerandos sobre os casos do 1º e 3ºciclo.

Nutty

Adenda: felicitei a minha petiza por pertencer à geração que está a conseguir ficar com o pior de todos os mandatos… Magalhães descontinuado, aec da treta, provas finais a contar 30% no 4º e 6º ano… provas a dobrar no 3º ciclo… ela deve pensar que é karma genético, castigo dos astros por causa do pai que tem.

Ano Novo, Vícios Velhos

Ou prazeres de sempre. Embora comecem a invadir demasiados espaços. Agora são as campanhas online com 50% sobre os descontos em loja e as promoções dos alfarrabistas internacionais com os livros que as bibliotecas públicas (e privadas) americanas despacham quando não são muito requisitados.

Preciso mesmo que me reduzam a sobretaxa… 🙂

Selecção sortida com algumas obras menos conhecidas do mais genial paranóico social de sempre, policiais de vários sabores, livros premiados ou de gente premiada e obras para a minha faceta mais feminina 🙂 :-).

Avaliação

Já temos conhecimento do novo modelo do novo ministro para a avaliação dos alunos do Ensino Básico. Tem coisas interessantes (uma forma de encarar a aferição mais no início do que no fim do ciclo, para corrigir trajectos; a rotatividade das matérias aferidas), outras claramente correctas (suspensão do Cambridge, novo calendário para as provas) e uma obviamente errada (a alteração dos anos sob aferição com o 2º período iniciado). Podia ter ousado mais, já que era para mudar tanta coisa mas em pouco tempo até que foi produzido um documento interessante (MODELO INTEGRADO DE AVALIAÇÃO EXTERNA DAS APRENDIZAGENS NO ENSINO BÁSICO).

De 0 a 20 eu daria 14 ou 15, mas sem o dispensar de prova oral, para explicar tudo com clareza, em especial porque optaram pela ruptura com a possibilidade de continuar a analisar a evolução dos resultados em final de ciclo.

Quer-me parecer que há gente que aplaudirá, mas ficando lá por dentro com algumas reservas por expressar… porque esta é uma espécie de 3ª via que se afasta dos estereotipos mais comuns entre nós… 👿

comboios

 

Presidenciais – 7

É possível que daqui a uns tempos seja mais perceptível que o debate de ontem à noite pode ter sido um momento de viragem na campanha alegre e triunfal de Marcelo Rebelo de Sousa (na sua versão D. João V, o Magnânimo) e de recentragem do debate num plano menos estratosférico.

O maior sinal disso foi a postura do próprio MRSousa que surgiu mais acossado do que combativo, mais irritado do que irónico e mais irritante do que divertido, como se tivesse percebido que se não conseguir ganhar à primeira, perderá à segunda e que Sampaio da Nóvoa é quem lhe poderá travar o caminho para a sua desejada encarnação majestática, de pináculo de carreira.

A importância da existência de uma segunda volta foi claramente intuída por Jorge Coelho, na Quadratura do Círculo, que é apoiante de Maria de Belém mas não gostará de perder seja o que for nem a feijões e soube elogiar a forma como Sampaio da Nóvoa encurralou o seu oponente da noite.

MRSousa, ao tentar colar Sampaio da Nóvoa a uma “parte do país” parece ter desaprendido algo que dava a sensação de ter percebido nos últimos dois anos, ou seja, que essa “parte do país”´é maioritária e foi profundamente maltratada pelos poderes que foram, pelo tempo de um passado recente que se não deseja que volte, nem que seja em vislumbre de ideia. E é uma “parte do país” que, sendo agitada do seu torpor, votará contra MRSousa apesar das suas audiências na TVI (eu posso ver o Porto-Rio ave com todo o interesse, sem ser adepto de qualquer dos clubes, por exemplo, pelo simples prazer de ver um empate ou derrota daquele de que não sou adepto).

Uma falha final… quando MRSousa afirmou que Sampaio da Nóvoa não podia dizer que ele já tinha decidido ser candidato há muito esqueceu-se que, ao longo de meses, ele descreveu a estratégia certa para um candidato presidencial, com cronograma e tudo, e cumpriu essa mesma estratégia, no tempo real da sua enunciação. Por muito que possa negar, até as suas possíveis hesitações foram descritas semanalmente de forma bem detalhada. MRSousa descreveu o seu próprio trajecto e concretizou-o. Não é preciso ter estado na sua cabeça. Basta tê-lo visto e ouvido.

duelo