BenzósDeus!

Há, realmente, quem se preocupe com a essência da coisa, pois uma sala de aula é como um templo sagrado do Saber e “ter a cabeça coberta, dentro de uma sala, é objectivamente uma falta de respeito”. Eu queira comentar mais este maravilhoso texto do Visconde de Macieira, mas só me consigo lembrar de questões menores, algumas delas do foro do jocoso e depois ainda sou mal entendido e…

Papa

Ideias Avulsas – 7

Já que parece existir uma estratégia reformista mais profunda no actual ME do que seria de esperar para os primeiros 50 dias de governação, que tal fazer a devida articulação do novo sistema de avaliação externa do Ensino Básico baseado em aferições intermédias regulares com uma estrutura compatível dos ciclos de escolaridade?

Eu explico porquê… com base na lógica do modelo proposto, mas no sentido de superar algumas das suas inconsistências.

Tomemos como base o calendário trianual das aferições… que efeito tem a que é feita no 2º ano se até ao final desse ciclo de escolaridade não há forma de saber, com base no mesmo tipo de instrumento “universal”. se o desempenho dos alunos teve alterações positivas (ou negativas)? Porque a aferição seguinte já é no 5º ano, com outra estrutura curricular, certamente outros docentes, o que dificulta qualquer tipo de comparação da evolução? O mesmo com o salto para a aferição do 8º ano que serve, no fundo, para uma espécie de preparação da prova final de 9º ano?

A basear um modelo de avaliação dos alunos do Ensino Básico em aferições destinadas a permitir a alunos e professores afinarem o que estará menos bem parece-me lógico que seja possível aferir a meio do percurso e avaliar no final qual a evolução verificada. E, em especial as provas de 3º e 5º ano deveriam ter um carácter global, incluindo elementos das áreas áreas curriculares, mesmo que a dividindo por dois dias.

Por isso, talvez tivesse mais lógica dividir o Ensino Básico apenas em dois ciclos de extensão equilibrada e que permita a tal aferição intermédia. Sendo claramente contrário a uma expansão do 1º ciclo para 6 anos, não me choca profundamente que a divisão se faça num primeiro ciclo de cinco anos e um segundo de quatro. Até porque o actual 1ºciclo tem evoluído no sentido de uma aproximação à estrutura do actual 2º com a introdução de áreas como o Inglês ou a Educação Física.

Nesse caso, acho que teria toda a lógica fazerem-se aferições nos anos ímpares (3º, 5º e 7º), antes da avaliação final no 9º ano. E, se os radicais anti-“exames” o permitissem… que a prova de 5º ano tivesse peso na avaliação final do 1º ciclo.

Assim, ficaria uma prova de aferição global no 3º ano,  seguindo-se uma prova de aferição ou de final de primeiro ciclo no 5º ano; no segundo ciclo (que iria do 6º ao 9º ano)… provas de aferição no 7º e provas finais do Ensino Básico no 9º ano. Esta estrutura permitiria aferir verdadeiramente a progressão realizada em cada ciclo, ajustando estratégias a partir de meio do percurso e avaliando no final o resultado de todo o trabalho desenvolvido.

Que isto significaria uma espécie de refundação do Ensino Básico, com consequências amplas em toda a organização das escolas, dos grupos de recrutamento, etc, etc? Sim… mas ou se reforma a sério e de forma coerente para um horizonte temporal razoável ou ficamos sempre prisioneiros destas mudanças permanentes, praticamente anuais, de tudo e mais alguma coisa, anunciadas para implementar 3 meses depois, ao ponto de ficarmos com um frankenstein educacional nas mãos, como é o que temos vivido até agora.

profpardal

Paroxismos

A recente reforma da avaliação no Ensino Básico desperta reacções apaixonadas como as de Lurdes Figueiral (a favor) ou de Guilherme Valente (contra).

Ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa não concordo com a coisa e o seu contrário, pelo que discordo das duas, nas suas posições mais extremistas. Compreendo a argumentação de ambos, mas acho que exageram na maldade ou bondade dos “exames” (eu sou favorável, como se sabe, mas desde que enquadrados em outras medidas). No caso de Guilherme Valente – o mais paróxico – que é director de uma editora com interesse na Educação, que tal publicar alguns dos estudos que avançam o que sabemos sobre o aspecto cognitivo dos alunos, em vez de apenas enunciar que existem?

Burnout