A Solução

Para o insucesso escolar. É aquela que defendo há muito. Desenvolver a sociedade, combater a pobreza, reduzir a desigualdade, acabar com as famílias carenciadas. Dar condições dignas a toda a gente para poderem dar o seu melhor. Tipo Finlândia, estão a perceber? As pedagogias só vêm a seguir.

thumbs-up

O Futuro da Educação

Para mim, a esta altura do campeonato, é o dia de amanhã e admiro muito quem busca a luz ao fundo do túnel que se prolonga cada vez mais.

Já não me admira que se discuta esse futuro considerando que os professores não têm voto na matéria, pois são corporativos e nada percebem da transcendentalidade dos conceitos especializados.

Já não me admiro que o objectivo fundamental é correr com os velhos (e mais caros e mais rezingões) para fora, mesmo que fiquem no activo os mais incompetentes (velhos ou novos), desde que amochem e façam o que lhe dizem, ou não façam mas passem os alunos. Já não me admiro que todos os problemas pareçam resumir-se à formação dos professores, em especial aos que ficarão desempregados durante anos e anos. Sendo que o diagnóstico apocalíptico sobre a qualidade da formação de professores é em regra feito por muito dos responsáveis por essa mesma formação. Mas o dedo acusador parte sempre em outra direcção.

Já não me admiro que o futuro da Educação esteja sempre a ser apresentado e definido por aqueles que marcaram de forma bem visível o seu passado.

Ouroboros

O Futuro Sempre Anunciado

Há partes do pensamento e discurso de Joaquim Azevedo com que inegavelmente concordo, desde logo a necessidade de pensar a Educação de uma forma nova, coerente, alargada, não restrita a epifenómenos mediáticos ou marcadamente ideológicos. Aquilo de que discordo é que, nos dias de hoje, as soluções de futuro sejam as que eram pensadas há 20-25 anos. As visões do futuro também devem evoluir e não se cristalizar em formulações datadas do “futuro” e a Finlândia não pode ser pau para toda a obra, até porque a sua sociedade tem particularidades que permitem inovar de forma consistente, ter a compreensão e colaboração da sociedade e das famílias, assim como mobilizar os professores para a implementação das mudanças. A nós falta quase isso tudo e é distópico (em vez de utópico) acreditar que podemos colocar um ferrari a andar a 250km hora em estradas de terra mal batida sem partir a delicada suspensão e rebentar os pneus de baixo perfil a cada buraco das obras da edp/galg/(meo/nos. Há que reformar a sociedade, a organização económica e, depois, como na Finlândia, passarmos para as cerejas.

Cereja

Presidenciais – 29

E fim. Apenas para registar que esta campanha, à semelhança de outras, infelizmente, foi marcada por um submundo abjecto em que se revelou melhor a elasticidade de princípios de algumas pessoas que, talvez ainda com a pedalada ganha na última década em especial com o advento do triste engenheiro, acham que já vale tudo mesmo arrancar os olhos. É muito útil para se perceber quem já se acha no direito de recorrer a todo o tipo de truques sujos – que antes se considerava ser apanágio apenas de determinados grupos – para suscitar todo o tipo de dúvidas, ao abrigo de alegadas ignorâncias. Cheguei a ver a produção de fichas de informador da PIDE para pessoas que na altura teriam sete anos e com foto actual no “cartão” que suscitaram comentários do género… isto tem de ser apurado porque é muito grave. O que é demasiado mau, seja mesmo ignorância, apenas estupidez ou profunda má fé. Há fronteiras que, depois de atravessadas, é muito complicado voltar a respeitar. As coisas foram para mim mais feias talvez porque agora eu visse os rostos com mais claridade. As tácticas já as conhecia, já as sofri na pele, mas tirando um par de casos, eram para mim gente sem rosto. Agora ganharam-nos, reconheci-lhes os contornos. Uma profunda tristeza ver até que ponto isto pode descer. Queremos sempre acreditar que os nossos não farão isso, independentemente dos seus credos. Fazem-no, tal como todos sujam os dedos quando o papel higiénico é demasiado fino. Isto não é nenhuma reclamação de superioridade moral, apenas de desgosto pessoal.

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