Presidenciais – 29

E fim. Apenas para registar que esta campanha, à semelhança de outras, infelizmente, foi marcada por um submundo abjecto em que se revelou melhor a elasticidade de princípios de algumas pessoas que, talvez ainda com a pedalada ganha na última década em especial com o advento do triste engenheiro, acham que já vale tudo mesmo arrancar os olhos. É muito útil para se perceber quem já se acha no direito de recorrer a todo o tipo de truques sujos – que antes se considerava ser apanágio apenas de determinados grupos – para suscitar todo o tipo de dúvidas, ao abrigo de alegadas ignorâncias. Cheguei a ver a produção de fichas de informador da PIDE para pessoas que na altura teriam sete anos e com foto actual no “cartão” que suscitaram comentários do género… isto tem de ser apurado porque é muito grave. O que é demasiado mau, seja mesmo ignorância, apenas estupidez ou profunda má fé. Há fronteiras que, depois de atravessadas, é muito complicado voltar a respeitar. As coisas foram para mim mais feias talvez porque agora eu visse os rostos com mais claridade. As tácticas já as conhecia, já as sofri na pele, mas tirando um par de casos, eram para mim gente sem rosto. Agora ganharam-nos, reconheci-lhes os contornos. Uma profunda tristeza ver até que ponto isto pode descer. Queremos sempre acreditar que os nossos não farão isso, independentemente dos seus credos. Fazem-no, tal como todos sujam os dedos quando o papel higiénico é demasiado fino. Isto não é nenhuma reclamação de superioridade moral, apenas de desgosto pessoal.

PapelHig

4 thoughts on “Presidenciais – 29

  1. A democracia não é apenas uma formalidade, a expressão de uma vontade maioritária, tantas vezes circunstancial. Deve ser antes de mais um núcleo de valores fundamentais – sobretudo éticos e cívicos – que prevaleça acima dos interesses e pontos de vista de facção, onde todos os cidadãos se possam reconhecer.

    Não será decerto por acaso que na classificação da “qualidade da democracia” do “The Observer” – um referencial nesta matéria por todos reconhecido – a nossa democracia desde 2014 passou para “imperfeita”. Numa sociedade dividida, estropiada, desigual, onde o estado de direito e a Constituição são muitas vezes letra morta – a começar logo por aqueles que deveriam constituir um exemplo: os governantes -, abafada no colete de forças da partidocracia e dos interesses oligárquicos a ela associados, dificilmente a democracia pode ser saudável e gerar cidadania e participação.

  2. E fim mesmo. Temos outras batalhas, outras frentes, outros sonhos. Nóvoa continuará a caminhar tal como nós.
    O tio Marcelo também fará o seu caminho.

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