Já Estou a Sentir-me Distorcido

Ou então é esta a forma encontra para justificar o adiamento dos descongelamento das progressões na carreira. Porque me parece, no mínimo, caricato, que se resolvam os problemas de 2013 antes de todos os restantes. Eu explico devagar… reposicionar alguém numa carreira congelada não faz sentido a menos que quem está congelado seja reposicionado ao mesmo tempo porque, caso contrário, teríamos ultrapassagens pela faixa do meio a 300 km por hora porque uns iriam para a posição certa enquanto os outros continuariam com os anos que sabemos de estacionamento forçado. Eu explico ainda mais devagar… reposicionar alguém na carreira com base no seu tempo de serviço está certo, desde que TODOS beneficiem disso ao mesmo tempo. É preciso fazer um desenho? Até aceito que façam uma “reestruturação da dívida” da parte financeira e não comecem logo a pagar tudo, mas… se uns têm direito a ir para o escalão devido, então despachem-me lá também para o 7º ou 8º (já perdi a conta) que é onde eu deveria estar, mesmo com os degraus metidos pelo meio, e não no 5º.

Regularização de aspetos de carreira – A FENPROF apresentou propostas, juridicamente fundamentadas, com vista a: reposicionamento dos docentes que ingressaram na carreira a partir de 2013, através de concursos externos; reposicionamento na carreira dos docentes impedidos de progredir a determinados escalões da carreira, desde 2010, por ausência de portaria a estabelecer o número de vagas; aplicação correta da bonificação devida a todos os docentes que, até final de 2010, obtiveram os graus académicos de mestrado ou doutoramento. Esta regularização deverá ter lugar antes de as progressões nas carreiras serem desbloqueadas para evitar mais e maiores distorções e injustiças;

(quanto à bonificação correcta pelos graus académicos obtidos, sem aplicação retroactiva da lei como eu levei em cima, fico à espera para ver… mas sentado, a menos que exista alguém tão interessado quanto eu a negociar a coisa)

uma_ultrapassagem

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E a Inter-Municipalização?

Mas pronto… fiquemos pelas novidades sobre a municipalização que, de qualquer forma, acho curtas, pois permanece o conceito e a peregrina ideia de colocar os municípios na cadeia hierárquica da administração escolar.

“Municipalização”: tal como já fora referido pelo ME na comissão parlamentar de educação e ciência, foi reafirmado que os contratos de transferência de competências para os municípios serão avaliados e dos futuros contratos não constará qualquer aspeto de ordem curricular ou pedagógica, como não fará parte qualquer tipo de colocação de docentes;

Eu sou completamente a favor do estabelecimento de parcerias entre as escolas e/ou agrupamentos e as autarquias num plano de igualdade e colaboração produtiva. Acho esse um caminho inevitável e vantajoso, sempre que existe vontade mútua nesse sentido.

Sou completamente contra a existência de qualquer relação de dependência hierárquica, seja em que plano for, com maiores ou menores camuflagens. Ainda me arrepio com a postura majestática de um certo autarca num debate em que ele parecia um verdadeiro rei-sol, só porque tem dinheiro a rodos do jogo.

E o que eu leio desta reunião é que continuarão a existir contratos de transferência de competências… e eu aposto que passarão, em alguns casos, para o plano intermunicipal, no âmbito de uma espécie de regionalização. Vai uma aposta?

Burnout

Metafísica

Acontece-me com frequência observar – qual antropólogo entre seres primevos maravilhosos – criaturas muito tementes a Deus e ao valor da vida (arrojas, césaresdasneves e afins, como aquela senhora isilda que se pega), defender a sua dignidade com unhas e dentes antes do nascimento (sendo contra qualquer tipo de ivg) e no momento da morte (combatendo a eutanásia), só lhes faltando preocuparem-se com o tempo em que a vida é mesmo vida e em que a dignidade dela é tão ou mais importante do que nas transições do aquém ou para o além, defendendo regras de funcionamento da sociedade e da economia que parecem tiradas de um manual para o purgatório (que dizem não existir).

Ganancia

 

Concursos

Sou completamente a favor do sistema centralizado, alegadamente “estalinista”, de colocação de professores em todas as fases do concurso, porque prefiro de longe a sua transparência e funcionalidade à opacidade e morosidade das alternativas que nos foram servidas recentemente. Sou contra a desregulação do sistema, assim como era contra os destacamentos e requisições ad hoc que faziam regra em vez de excepção nos anos 90 do século passado.

Em relação às questões da autonomia das escolas eu diria que há matérias bem mais importantes do que esta com que os directores se deveriam preocupar. Eu recebo todos os alunos na aula e devo assegurar condições a todos para eles terem sucesso, por isso acho estranho que as lideranças supremas precisem de escolher professores para demonstrar o seu valor.

O que eu acho é que os professores na sala de aula e os directores na escola devem preocupar-se nas melhores soluções a usar com aqueles que devem liderar, sendo para mim muito mais importante demonstrarem o seu valor na gestão dos casos problemáticos que quantas vezes já estão nas escolas do que andar a seleccionar meia dúzia dos que chegam. A mim preocupam mais as chicanes ambulantes que por vezes se arrastam pelos corredores, em especial as que voluntariamente o fazem, sem outra razão que não seja a falta de profissionalismo. Essa imobilidade é que me preocupa. Assim como aquelas mobilidades nascidas de humores ocasionais. O sistema só estabiliza, estabilizando, lá diria o outro senhor especializado em evidências.

Acho que o corpo docente de uma escola ou agrupamento deve estabilizar MESMO durante 3-4 anos, salvo casos muito excepcionais de licenças prolongadas. Sem que o cálculo anual dos horários seja refeito em nome da eficácia ou eficiência financeira que, se o assunto fosse bem estudado acaba por tornar-se uma ineficiência quando desmotiva os professores envolvidos e, em mais situações do que se admite, quebra o trabalho de continuidade com as turmas, prejudicando os alunos. Não acho desperdício especial se num agrupamento com 150 professores, existirem 2 ou 3 que tenham horário incompleto e um ou outro com horário-zero. Certamente que existirão funções que podem desempenhar com ganhos para os alunos e apara a organização escolar. Até porque podem servir como rectaguarda rápida perante alguma situação mais inesperada e para suprir uma necessidade de forma imediata e sem ficar na actual roda da sorte.

spock