O Tempora! O Mores!

Um tipo vai ao talho e, para além do talhante do cânone, cruzam-se mais quatro marmanjos, um de criancinha ao colo e tudo e o resto a escolher as carnes prá janta, incluindo um a dizer que queria acertar desta vez na receita do rolo de carne. E ainda dizem que a malta não anda sensível. É muito frango, muito maquedonál.

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Frigorífico

Enquanto se cede no principal, fazem-se anúncios de grandes conquistas no acessório. É assim que se fazem as lutas entre nós. Tudo bem, até se poderia compreender um escalonamento da reposição das progressões, mas já se viu que nada mudará. Perante isso, nada como negociar imenso os peaners. FNEprof rulezzzzz.

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Tags do dia: Carreira sem Tony; Congelado e Mal Pago.

Vocação

Conceito muito fluido. Concretização ainda mais complicada de definir em relação ao “ser professor”. Até porque há a “vocação” definida por quem acha tê-la e “vocação” constatada por quem a observa. E há gente com “vocação” que não consegue ser um “bom professor” por diversos parâmetros, enquanto há belíssimos professores que, muito provavelmente, não terão essa “vocação” inata ou adquirida. E ainda acrescento que nem sempre a “vocação” é multifunções, servindo por igual aos alunos dos 7 aos 77 anos.

Estou cansado da conversa fiada dos articulistas e opinadores de meio tostão de mel mal coado acerca da necessidade dos professores serem seleccionados de acordo com a sua “qualidade” e que é preciso correr com aqueles que “não têm vocação para professores”. Bullshit, plain and simple, porque em inglês a conversa de bosta perde o mau cheiro. Eu não acredito na existência de mais de – vamos ser generosos – uns 1000 professores com “vocação”, daquela que roça o dom transcendental, por cada ciclo de escolaridade, reduzindo para 250 no Ensino Superior. E confesso que não me preocupo se a esses 1000 se juntarem 10.000 ou 20.000 com um elevado sentido de responsabilidade e profissionalismo, porque é isso que faz verdadeiramente a maioria levantar-se e iniciar o seu dia de trabalho, dando o melhor de si na sua função. Desconto, claro, aqueles que andam a fazer número, sem vocação, profissionalismo ou seja o que for, em número variável, mas que escapam quase sempre ao crivo das grelhas das adêdês.

Voltando à “vocação”, pessoalmente tenho alguma para ler, para acarinhar os cartapácios impressos, para os acumular pela casa, coisa que faço com dedicação e desvelo. Já como professor, penso que a minha “vocação” é relativa, achando que em seu lugar tenho alguma ética profissional, um conhecimento razoável das matérias de História e alguma capacidade de comunicação e relação pessoal (sacrilégio, dirão os que me consideram uma besta, impossível de lidar, cruzescredo!). Mas quase tudo isso é técnica, adquirida com o tempo, os estudos, a experiência, não resultado de um apelo natural que me guiou para a docência desde os cueiros. É mentira, é algo que eu aprendi que gostava de fazer e que, verdade se diga, ainda gosto de fazer mais do que a maioria das alternativas, à excepção de escrevinhar coisas destas e outras mais compridas depois de ter enfiado o nariz e a miopia em papelada diversa e leituras variadas.

(aliás, confesso que por vezes arranjo projectos de escrita porque me apetece ler coisas sobre esse assunto e ter desculpa para dar brilho ao cartão de crédito nas amazones e equivalentes)

Vocação? Existe, não é uma quimera mas quer-me parecer que aqueles que mais a exigem aos professores são aqueles que, em regra, diriam, logo em alvoroço como se de lepra se tratasse deusmelivreseconseguiaturartrintaputosnumasala. Mas existe em doses escassas, porque os dons não são assim tão generosos na natureza, em especial na humana. Existem é outras qualidades que, conjugando-se de forma feliz, fruto do trabalho e da consciência de cada um, podem dar a aparência de “vocação” ao que quantas vezes é um acto perfomativo com efeitos educacionais.

Mas isto é só um resumo, truncado, de assunto que dá pano para paramentos para toda a cúria romana e mais uns trocos para os bizantinos.

professor