Algodão Doce

Não sei, mas este tipo de coisas a transbordar de boas intenções quase me comove às lágrimas, embora me acabe por rir de uma coisa que, lá na origem, nem tem graça e espanta que seja necessária uma resolução parlamentar:

Resolução da Assembleia da República n.º 20/2016

Recomenda ao Governo que nenhum professor que lecione atividades de enriquecimento curricular seja prejudicado

A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que tome as medidas necessárias para assegurar que nenhum professor que lecione atividades de enriquecimento curricular seja prejudicado por erros administrativos e políticos que não lhe sejam imputáveis, designadamente tendo que devolver verbas recebidas a título de subsídio de desemprego.

Aprovada em 8 de janeiro de 2016.

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Algodão doce colorido kawaii

Momento de Introspecção

E agora que, de uma forma ou de outra, já todos expusemos as nossas boas ou más intenções em relação a refugiados, impõe-se a questão chata que é: aceitava uma família de refugiados no seu prédio, na moradia ao lado, no apartamento defronte?

Eu respondo, sem rodeios, que só o faria com algumas e bem fundadas reservas. Mas acrescento que são as reservas que coloco em relação a não-refugiados, a indígenas tugas, só que em relação a esses de nada me vale a minha eventual desafeição em relação aos seus costumes e ao seu vandalismo cívico. Ou seja, não me incomoda a origem, vestimentas e linguagem (dei-me muito bem com vizinhos polacos e abominei um par de alemães, teoricamente afortunados e educados, cresci com colegas e amigos ciganos na escola enquanto me passo dos carretos com gente muito europeia e sedentária de audi à fivela), mas sim o que eles fazem no concreto.

Eu explico-me… entre um sírio que venere o deus que bem entenda e cujos filhos sejam bem educados e a gaja adolescente que passou aqui atrás a dizer “é pá, caralho, vai pó caralho, caralho, caralho” prá amiga do peito (nada de espantar, ok, não nos façamos de moucos, porque muitos de nós é o que ouvimos a caminho da salita de aula como se fosse pão na boca del@s), enquanto se dirigem às vivendas familiares, não há que hesitar na escolha. Entre um grupo de magrebinos que tenham lá os seus cantos e encantos culturais muito específicos e o grupo de gandulos com pais europeus de classe média mas baixa de valores que destroem os candeeiros para poderem fumar os seus charros à vontade, urinar nos canteiros e deitar todo o tipo de lixo para o chão porque o caixote do lixo não é cool, quer-me parecer que abrirei primeiro os braços a tunisinos ou líbios que não escarrem para o chão a cada palavrão.

Penso que já deu para perceber onde quero chegar com esta diatribe biliosa, certo? Não é a origem ou ausência de passaporte que me incomoda, mas o tipo de ser humano que temos diante dos olhos. O humanismo não é aceitarmos tudo e dar as duas faces, é toda uma outra coisa que passa pelos humanos se portarem enquanto tal, mesmo se a definição escapa muito a quem é escasso de bestunto.

A modos que hoje estou assim e até gosto.

PG Verde

 

Modelos de Virtudes

Gostamos imenso de apresentar as sociedade escandinavas como exemplares nas suas liberdades educativas (seja de escolha para os que exaltam a Suécia de há uns anos, seja de avaliações para os adoradores da Finlândia das últimas décadas) que se apresentam como modelares nas suas qualidades e virtudes. Esquecemo-nos, claro, que muita da sua igualdade se baseia numa homogeneidade cultural e social que tolera o outro desde que ele não se atravesse demasiado no horizonte do olhar. A permanência de fortíssima correntes xenófobas e mesmo neo-nazis em quase todos os países nórdicos, da Dinamarca à Noruega, é algo que se apaga da realidade para não provocar incómodos. Por vezes parecemos esquecer que, em muitos aspectos, temos uma sociedade que, apesar de todas as suas limitações, é muito mais aberta ao exterior do que gostamos de admitir quando nos inferiorizamos sem qualquer necessidade perante falsos ídolos. E a reacção de muitos desses países ao movimento migratório em curso é bem prova disso.

Dinamarca. FinlândiaNoruega. Suécia. Embora eu saiba que muitos arautos da liberdade de escolha só a defendem de acordo com os seus interesses particulares mais imediatos e nunca no sentido de liberdade de escolha humanitária dos refugiados em relação ao país que pretendem frequentar.

Ovelhas

Num Mundo Ideal

As escolas não teriam paredes e os alunos acorreriam às aulas dos mestres preferidos, num sistema libertário em que cada um escolheria as suas matérias, registaria as suas próprias aprendizagens, sem horas marcadas, sem calendários pré-definidos. As escolas seriam espaços de convívio e conhecimento, exemplo maior do civismo de uma sociedade desenvolvida, sem toques, sem fechaduras, sem avaliações com hierarquias, escalonamentos, quantificações do Saber, essa imaterialidade que nenhum de nós deve achar-se habilitado para traduzir em números, em especial quando é alheia.

Num mundo ideal, as Escolas seria espaços apenas de prazer e de trabalho lúdico, sem amarras, sem relatórios mensais, semanais, trimestrais, anuais, sem planos a curto, médio ou longo prazo para atingir metas anuais, de ciclo, de contra-ciclo ou triciclo, sem fichas, testes, questões de aula, tudo sendo transversalidades e interdisciplinaridades. Num mundo ideal, a indisciplina seria um conceito perdido porque a disciplina seria desnecessária, pois cada um saberia o seu lugar, a sua função, os seus deveres, os seus direitos. As regras seriam obsoletas num mundo ideal em que cada um fosse feliz na sua liberdade e no respeito pela liberdade alheia.

Num mundo ideal, as marilines e as beluchis não iriam para o inferno, os brédepites e os clunis seriam imortais na sua macheza alfa e o jimidine não morreria na capa de um magazine. E nunca acordaríamos do delírio alimentado a ambrósia e regado com o néctar da juventude eterna.

Quando for crescido, quero acordar num mundo ideal.

Acordar

44 Acima, 91 Abaixo

Não me parece mal, embora muito disto não passe de propaganda de grupos de pressão com o disfarce de “estudo” de uma ONG, o que se torna cada vez mais comum. De qualquer modo, basta defenderem uma abordagem holística da Educação (desde que financiada pelo Estado) para eu ficar logo assim a modo que coiso e tal.

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