Modelos de Virtudes

Gostamos imenso de apresentar as sociedade escandinavas como exemplares nas suas liberdades educativas (seja de escolha para os que exaltam a Suécia de há uns anos, seja de avaliações para os adoradores da Finlândia das últimas décadas) que se apresentam como modelares nas suas qualidades e virtudes. Esquecemo-nos, claro, que muita da sua igualdade se baseia numa homogeneidade cultural e social que tolera o outro desde que ele não se atravesse demasiado no horizonte do olhar. A permanência de fortíssima correntes xenófobas e mesmo neo-nazis em quase todos os países nórdicos, da Dinamarca à Noruega, é algo que se apaga da realidade para não provocar incómodos. Por vezes parecemos esquecer que, em muitos aspectos, temos uma sociedade que, apesar de todas as suas limitações, é muito mais aberta ao exterior do que gostamos de admitir quando nos inferiorizamos sem qualquer necessidade perante falsos ídolos. E a reacção de muitos desses países ao movimento migratório em curso é bem prova disso.

Dinamarca. FinlândiaNoruega. Suécia. Embora eu saiba que muitos arautos da liberdade de escolha só a defendem de acordo com os seus interesses particulares mais imediatos e nunca no sentido de liberdade de escolha humanitária dos refugiados em relação ao país que pretendem frequentar.

Ovelhas

3 thoughts on “Modelos de Virtudes

  1. Isso já sabíamos. Faltou desenvolver as características dos povos do sul que são mais fraternos e civilizados que esses bárbaros do Norte que no antanho nos vieram visitar em hordas.
    Toca a fazer um levantamento das características positivas dos países do sul: porque de facto somos superiores a esses fascistas.

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  2. Falava-se em utopia e escola lá mais lá para baixo….

    Pois bem, para quem anda sempre à procura de “paraísos terrestres” (como foram, por ex., os países do “socialismo real” – passe o paradoxo…), o que está a acontecer agora nos países nórdicos no que toca aos refugiados acaba por ser mais uma lição.

    Não devemos perder de vista que, no horizonte histórico-cultural mais próximo, o modelo que tem dominado quando se procura projectar a transformação do homem e da sociedade é um modelo teórico-ideológico subsidiário do marxismo e que encontra o seu prolongamento e “legitimação científica” nas ciências sociais (mormente na sociologia e áreas mais próximas), modelo que pugna pela transformação das sociedade e das suas estruturas por forma a que, depois, se possa criar um “homem novo”.

    Diversamente, o modelo mais “clássico”, o platónico-cristão, defende que, para se transformar a sociedade, se deve começar antes de mais por transformar o próprio homem, só um “homem novo” é que poderá dar lugar a uma sociedade melhor.

    Por onde se deverá então começar? Teremos aqui o impasse do “ovo ou da galinha”? A minha resposta, pela visão e experiência de vida que a docência. designadamente, me tem proporcionado, é que a Escola (e lembre-se que foi Platão que inventou a Escola tal como a entendemos no Ocidente) será uma boa plataforma – creio mesmo que a melhor – para se poder mudar estruturalmente a realidade social em que vivemos, no sentido daqueles grandes valores éticos em que todos afinal nos reconhecemos.
    Considerando que a Educação (em sentido largo) foi a forma que o homem inventou para se criar a si mesmo, olhando de uma forma mais exigente e fria para as nossas sociedades, para os seus cidadãos, nomeadamente para aqueles países que se consideram os “mais evoluídos” como os Nórdicos – onde se vislumbra cada vez menos a vivência e a preocupação com esses grandes valores que deveriam definir a nossa humanidade comum, o nosso sentido de pertença mais fundamental -, só poderemos concluir que há alguma coisa de absolutamente essencial tem faltado à nossa Educação e à nossa Escola.

    (Antecipando uma objecção que lembraria que a Educação não é só obra da Escola, respondo que será pela Escola que – se a sociedade se alheia da Educação – terá que se começar, se terá de tentar pressionar a sociedade para a transformação almejada. Peso enorme sobre os professores, mas também poder enorme (mormente político) que eles detêm – que talvez a maioria nunca se tenha dado bem conta).

    – se terá que começar a transformação

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