Momento de Introspecção

E agora que, de uma forma ou de outra, já todos expusemos as nossas boas ou más intenções em relação a refugiados, impõe-se a questão chata que é: aceitava uma família de refugiados no seu prédio, na moradia ao lado, no apartamento defronte?

Eu respondo, sem rodeios, que só o faria com algumas e bem fundadas reservas. Mas acrescento que são as reservas que coloco em relação a não-refugiados, a indígenas tugas, só que em relação a esses de nada me vale a minha eventual desafeição em relação aos seus costumes e ao seu vandalismo cívico. Ou seja, não me incomoda a origem, vestimentas e linguagem (dei-me muito bem com vizinhos polacos e abominei um par de alemães, teoricamente afortunados e educados, cresci com colegas e amigos ciganos na escola enquanto me passo dos carretos com gente muito europeia e sedentária de audi à fivela), mas sim o que eles fazem no concreto.

Eu explico-me… entre um sírio que venere o deus que bem entenda e cujos filhos sejam bem educados e a gaja adolescente que passou aqui atrás a dizer “é pá, caralho, vai pó caralho, caralho, caralho” prá amiga do peito (nada de espantar, ok, não nos façamos de moucos, porque muitos de nós é o que ouvimos a caminho da salita de aula como se fosse pão na boca del@s), enquanto se dirigem às vivendas familiares, não há que hesitar na escolha. Entre um grupo de magrebinos que tenham lá os seus cantos e encantos culturais muito específicos e o grupo de gandulos com pais europeus de classe média mas baixa de valores que destroem os candeeiros para poderem fumar os seus charros à vontade, urinar nos canteiros e deitar todo o tipo de lixo para o chão porque o caixote do lixo não é cool, quer-me parecer que abrirei primeiro os braços a tunisinos ou líbios que não escarrem para o chão a cada palavrão.

Penso que já deu para perceber onde quero chegar com esta diatribe biliosa, certo? Não é a origem ou ausência de passaporte que me incomoda, mas o tipo de ser humano que temos diante dos olhos. O humanismo não é aceitarmos tudo e dar as duas faces, é toda uma outra coisa que passa pelos humanos se portarem enquanto tal, mesmo se a definição escapa muito a quem é escasso de bestunto.

A modos que hoje estou assim e até gosto.

PG Verde

 

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9 thoughts on “Momento de Introspecção

  1. Que coisa… não sabes que as crianças crescem e adquirem polimentos? Dá-lhes tempo…
    Sai da tua quinta e olha para os países do sul… Somos mesmo bárbaros? Até há o mito do macho latino, todo emoções, sexo, sedução… 😛
    Va anima-te que há mais polimento do que imaginas!

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