O Sistema Ideal

Sou capaz de imaginar imensos sistemas ideais, em que tudo funciona maravilhosamente. No papel. O problema é quando ignoram o factor humano que é quase sempre o pedregulho na engrenagem. Em tese, por exemplo, a economia de mercado ou o comunismo são sistemas ideais, como qualquer religião que se preze. O que estraga tudo é que os sistemas ideais são celestiais e raramente se adequam ao aspecto terreno das paixões, humores, aspirações, invejas e ganâncias humanas, à mesquinhez e pequenez do quotidiano sublunar da vida comum. E é então que o verdadeiro sistema ideal é aquele que não procura a perfeição teórica mas a sua adequação à realidade com todas as suas impurezas e resistências às formatações conceptuais.  Porque não há pior sistema de crenças do que aquele que é tão perfeito que os seus devotos não se importam de matar em seu nome.

Diamante

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Falhado

Sou um leitor completamente falhado porque de Rodrigues dos Santos, recentemente escolhido por milhares de compatriotas como o melhor escritor nacional, só li duas páginas, uma e meia de abertura de um capítulo d’A Fórmula de Deus que teria para aí umas 50 palavras, quanto muito, num diálogo a tentar ser John Grisham ou Tom Clancy e menos de outra d’A Filha do Capitão (a 77, salvo erro) em que o autor tenta ser erótico à maneira de um imaginário que não entendi bem se seria pré-pubescente ou pós-andropáusico, versão nostálgica.

RSantos

Risota

Ninguém leva verdadeiramente a sério alguma avaliação sem ser a dos professores e mesmo essa é só para fingir que existe e satisfazer idiotas. Nos outros casos é apenas uma falta de vergonha pegada. Nomeia-se quem bem se entende, com ou sem currículo. Ainda o passado fim de semana pensava para mim mesmo que currículo teria uma certa chefia que eu estava ali a ouvir por cortesia, como quem ouve uma aspirante a uma pós-graduação bolonhesa.

Hamster