Preocupem-se!

Muito!

Porque a CGD tem-se vindo a enterrar para manter outros à tona e a fingir que têm lucros. E nós pagamos. E a maioria nem percebe.

Prejuízo da CGD já vai em 2.000 milhões

Money3

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O Elo mais Fraco

Comentário à sondagem desta semana do ComRegras (logo que tenha coloco a imagem definitiva dos resultados) acerca do desempenho do pessoal não docente.

SondaNãoDoc

Não me vou ocupar com a questão da qualidade do desempenho do pessoal não docente das escolas, chamem-lhes o que quiserem nas novas designações tecnocráticas. Há de tudo, como em muitas farmácias e drogarias. Há o muito bom, o bom, o razoável, o mau e o péssimo, em dosagens diversas conforme o contexto.

Prefiro concentrar-me numa breve análise da vulnerabilidade da situação profissional do pessoal não docente, nomeadamente do pessoal que assegura alguma ordem nos corredores e pátios das escolas, que nos garante a limpeza do espaço e alguma funcionalidade dos equipamentos em torno de salários que desmerecem a sua importância.

Vou destacar dois aspectos que acho fundamentais, não negando outros igualmente importantes:

  • A vulnerabilidade quotidiana de quem tem de enfrentar mesmo na primeira linha, muita da falta de educação e civismo de muitos alunos (e mesmo encarregados de educação), com escassos meios de defesa e quantas vezes sem a compreensão de outros actores educativos, correndo riscos ainda maiores do que os professores e tendo ainda menores meios de defesa. Por vezes, enquanto professores, queixamo-nos do que poderia ser melhor e temos razão. Há sempre quem não cumpra, mas é muito mais quem cumpre e bem uma missão profundamente complicada, perante o desrespeito, a arrogância e a prepotência dos “pequenos ditadores” que raramente aceitam um reparo ou um não e que se acham na posse de todos os direitos e de nenhum dos deveres. Como, apenas a título de exemplo, aquelas criaturas que deitam para o chão toda o lixo que lhes passa pelas mãos, achando que a limpeza nasce do ar.
  • A vulnerabilidade profissional, entre a escassa remuneração e a precariedade de muito pessoal que surge nas escolas, com pagamento à hora, sem quaisquer garantias de uma carreira com um horizonte que justifique os riscos corridos. Em outras paragens, o pessoal não docente é em menor número, exactamente porque a sua necessidade é menor em função de hábitos culturais bem diversos. Mas também são paragens onde a sua situação profissional não é tão precária e onde a ninguém passaria pela cabeça que este tipo de função pode ser exercido por qualquer pessoa inscrita num centro de desemprego.

Quando me dizem que uma escola é uma organização e que se deve nortear por princípios de eficiência e eficácia, questiono-me se tão sabedores teorizadores consideram correcta a abominável gestão dos recursos humanos não docentes que se pratica entre nós. Porque uma Escola é mais do que aulas dadas entre toques e há todo um trabalho tanto de rectaguarda como de “frente de batalha” que é essencial para o seu bom funcionamento. E o bom desempenho do pessoal docente é essencial para a própria imagem que é transmitida por cada escola para o exterior e para os próprios alunos. E nem sempre há quem se lembre disso e lhe dê a merecida importância.

E Eu Não Poderia Ficar Calado?

Ir ler e não escrever coisas chatas? Claro que sim, até tenho um belíssimo número especial da Beaux Arts sobre os grandes autores da BD cómica francófona para degustar.

Mas não seria a mesma coisa. E eu já sou suficientemente pesado para a consciência ainda me agravar a relação com a balança.

Barrete

O Bem Maior

Ou o mal menor.

Estou cansado que me peçam para ver ao longe o bem maior ou o mal menor que justifica a tomada de más medidas. estou cansado que me amedrontem com bichos-papões que sairão de debaixo das nossas camas e nos devorarão se não fizermos o que nos dizem aqueles que antes disseram que iriam fazer o bem maior e que arengavam que não há males maiores ou menores, mas apenas males, maiores ou ainda maiores, conforme a opção pelo número dos que são atingidos.

Só para ficarmos no novo milénio. o José Manuel Cherne justificou-se com a fuga do Guterres e com o país que estaria de tanga; o engenheiro Sócrates chegou lá e locupletou-se de créditos com o desejo de ser verem os amadorismos do Santana pelas costas. O cidadão Pedro do feicebuque legitimou-se com a bancarrota herdada do engenheiro, chorando lágrimas imensas pelos males de que não queria ser responsável, ele que agora até descobriu ser um resquício social-democrata. Costa chegou e justifica-se com o receio de muitos de voltar a dar espaço ao Pedro se o Orçamento for chumbado.

Ainda poderia recordar-me, em milénio passado, do somo Guterres chegou ao poder para evitarmos uma nova versão de cavaquismo, como Cavaco chegou ao poder por causa da austeridade do Bloco Central e como o Bloco Central nasceu da implosão, com FMI à mistura, da AD.

Parece que andamos sempre a fugir do muito mau, sendo que herdarmos novo muito mau com a justificação que de que o muito mau anterior ainda seria muito pior do que ste muito mau. Ou porque é socialmente mais sensível ou porque é financeiramente mais responsável. Ou porque.

Estou cansado de uns bons 15 anos de tretas renovadas e esperei, não por um “tempo novo”, porque não acredito que os protagonistas da governação saibam o necessário ou tenham a coragem para tal, mas pelo menos um tempo velho que não herdasse apenas truques velhos e discursos velhos para fundamentar fórmulas velhas. Dar com uma mão (baixando o IRS) e tirar com outra (subindo uma série de impostos e taxas sobre o consumo, algum do qual essencial para a formação do rendimento) é mais do mesmo. Esperei que ousassem um pouco mais, resistissem um pouco mais aos lobbys, não optassem por agradar apenas aos que têm mais voz na comunicação social na sua área política e deixassem os restantes a marinar.

Na Educação, foi o que se passou. A Ciência e o superior autonomizou-se porque tinha as pessoas certas para ter peso político nos bastidores e conseguir satisfazer a sua base de apoio. O Ensino Básico e Secundário foi entregue a um neófito (que provavelmente adoraria a outra pasta), desconhecedor do bas-fond político nacional, auxiliado por gente que pode ter muitos conhecimentos mas que parece mais preocupada em agradar para cima do que a ser justo para baixo. Estou cansado que me chamem corporativo quando faço estas queixas ou que me digam que não estou a ver o bem maior que deveria adoçar o meu mal menor. porque podia ser pior. Phosga-se, pá! Claro que tudo poderia ser pior. Imaginem que o raio do mosquito do zika decide que o nosso clima está mesmo a pedir uma visita. Imaginem que há um terramoto daqueles que anda a ser prometido há 200 anos para a área de Lisboa por causa da falha tectónica lá dos fundos. imaginem que há muito mais bancos falidos do que aqueles que nos deixaram saber e é preciso pagar a coisa e não tugir, mugir ou balir. Imaginem tudo ao contrário do John Lennon. Sim, tudo pode ser pior. Aliás, tudo parece ser sempre mesmo pior. Para os mesmos, salvo um ou outro salgado mais guloso, um vara mais destravado, um isaltino menos prudente.

Os do costume, os que têm sempre as portas abertas para conversas, seduzir, aliciar, pressionar, têm sempre os direitos adquiridos respeitados, as dívidas reescalonadas, os processos arquivados ou, em último recurso, absolvições em recurso. Esses não são corporativos. Esses não têm de se preocupar com o bem comum. Eles acham-se o bem comum.

A única diferença é que eu pensava que agora havia watchdogs no quintal. Parece que não.

cerbero1