Música no Coreto

We ask for any wrong we’ve done
The years ahead forgive us
We ask for any good we’ve done
That all of it outlive us

Cool music we play, dance and say
Carnival 2000
Lives come and go but life no denial
Is always in style.
Welcome to Carnival 2000

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Da Velocidade

Podemos dizer o que dissermos, termos as pretensões que tivermos, mas a malta nova vive desde demasiado cedo a um ritmo que nós (pessoal na meia idade, pronto) só acompanhamos com muito esforço e nem sempre sei bem com que custos. Para nós, mas também para eles. Fazemos o que pudemos, há quem aguente, mas a maior parte ou não consegue ou vai lá na base daqueles defesas centrais já nos meados dos trinta, com muita manha a compensar a falta de pernas.

Lembrei-me disto ao lembrar-me de um dos meus alunos nee, de um pequeno grupo que eu ocupo um par de horas por dia com uma esperançosa introdução à informática, sem programa definido, mais a experimentar o que cada um consegue fazer. Este meu aluno, vamos chamar-lhe L em defesa da privacidade é um caso bastante complicado e os objectivos do ano passado passavam por ele saber ligar, usar e encerrar um computador com um apoio mínimo da minha parte, já que ele mal reconhece as letras e muito menos palavras completas. Distingue alguns ícones e teclas básicas de movimento, usando o mouse com se tivesse a manusear um cristal coberto de explosivos.

Este ano, passámos para a fase de ele já aceder aos programas ou aos programas de navegação e de tentar fazer pesquisas com as primeiras letras da palavra inicial do que lhe interessa. No 5º ano só pensava no Benfica e nos vídeos dos jogos, mas este ano deslocou o interesse já para o cinema e em especial as comédias, o que revela bem os progressos realizados. Numa das primeiras aulas pediu-me para ver “filmes para rir daquele senhor de bigode” e eu fiquei a patinar um bocado até perceber que ele falava do Charlot. Quando lhe coloquei alguns a partir do Youtube foi ver a imensa felicidade dele e o riso transparente de alegria. Lá tentei que ele aprendesse a pesquisar sozinho, mas ele perde-se sempre que dispara uma janela de pop-up ou aparecem daqueles anúncios manhosos que foi necessário ensinar-lhe a ultrapassar. Claro que ele se referia aos curtos filmes mudos e não é possível interessá-lo por outros.

Há coisa de um par de semanas pediu-me para ver “coisas do Zorro”. Eu sei que há sempre quem ache que isto não são actividades de aprendizagem, que ele assim não aprende nada, mas eu permito-me discordar e até explicaria se tivesse tempo e pudesse fazer uns desenhos ou passar umas gravações das nossas aulas.  Indo ao Zorro… fui em busca e lá achei os episódios da velha série que eu vi em puto, a de final dos anos 50 da Disney, mas vi claramente a sua desilusão ao fim de poucos minutos, apesar dos episódios dobrados em português do Brasil. Porquê? Porque era tudo muito lento, muito pausado, perguntando-me ele se eu não tinha o filme com as lutas. Eu disse-lhe que não, que o filme mais recente (com o Banderas e a Grande Zeta) só em sites piratas se pode ver e isso não pode ser, só pequenos pedacinhos. Na aula seguinte, lá me apareceu ele com um dvd (original), muito riscado do filme e lá me pediu para lhe ensinar como se via e lá ficou fascinado pela cor e movimento do filme, mesmo se passava para as cenas de acção sempre que os diálogos e cenas mais descritivas apareciam. Segundo ele, era chato e ele queria coisas a acontecer. Mesmo que, por quase todos os padrões que usemos, ele tenha uma capacidade bastante limitada para acompanhar o que se passa em seu redor. Mas queria coisas a acontecer.

Na mesma semana, quando fiquei uma turma de 6º ano reduzida a metade em virtude de uma actividade desportiva e chegámos a acordo em ver um qualquer filme que estivesse disponível (calma, nem todas as minhas aulas serão sessões da Cinemateca, eu garanto, mas já que tenho estes recursos, sempre se criam espaços para respirar) e não fosse daqueles de terror sangrento (a primeira opção da maioria), escolhi o que achei ser uma comédia não muito exigente, o velho Ases pelos Ares. Engano meu.  Mesmo para mim, 25 anos depois, o que foi considerado um filme cheio de parvoíces, idiota para muitos, disparados sem cessar, pareceu-me lento e demasiado cheio de referências que a miudagem de 12-13 anos não entende, só se rindo com piadas mais físicas ou escatológicas. Quase parece um filme intelectual e com pouco ritmo quando o Topper tem as suas memórias e introspecções. Também estes alunos, do ensino dito regular, queriam coisas a acontecer. A um ritmo que, há um par de gerações, seria impensável. E a um ritmo visual, que dispensa diálogos mais demorados, explicações, ideias, um ritmo de comunicação que não é o nosso, torrencial, não intelectualizado da forma tradicional.

E é aqui que se percebe que algo mudou à nossa volta. Muito. O ritmo da vida passou a ser imposto pela impaciência dos mais novos e não pela disciplina dos mais velhos. Tudo acelerou. Sendo que no caso do meu aluno L a identificação é com o ritmo frenético das imagens do Charlie Chaplin de há 100 anos.

E esta, hein?

Fernando pessa

Adenda: isto é que é um texto mesmo fora deste tempo. Lento, sem um propósito claro que não escrever-se e tentar ser lido.

 

A Inter-Municipalização

Está em marcha e já tem verbas.

Depois de muita espera e expectativa, os autarcas da região Norte do país podem agora concorrer a fundos comunitários destinados a apoiar a reabilitação e modernização das instalações escolares das instalações da educação pré-escolar, dos ensinos básico, secundário e superior e dos equipamentos de formação profissional.

O concurso, cuja abertura foi hoje divulgada pela Autoridade de Gestão do Norte 2020 — a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) – disponibiliza assim um total de 131 milhões de euros às sete comunidades intermunicipais da região e à Área Metropolitana do Porto que, através das suas autarquias locais, poderão apresentar candidaturas até 31 de outubro.

Galinhas

 

50 Anos

A caminho dos 51 e a paciência a esgotar-se com tanta gente que sabe imensa coisa, que se esforça imenso por nos demonstrar isso, que se encastela (vou surripiar esta expressão a uma mensagem de um amigo de esquerda que me acha demasiado idealista) nos postos de poder (político. mediático, económico ou tudo misturado) que lhes permitem dar-nos lições quotidianas de como fazer, mas que depois tem um historial de décadas de profunda incompetência política (na governação), económica (com a falência mais ou menos clara de  empresas e imensos projectos criados só para absorver verbas europeias) ou financeira (a banca privada portuguesa, outrora farol do nosso empreendedorismo de sucesso, só sobrevive à custa da CGD ou de dinheiros angolanos). E não nos esqueçamos dos políticos-economistas de balcão como aqueles que escrevem e peroram anos a fio na comunicação social (camilos, arrojas, gomesferreiras e sucedâneos como aquele duque do honoris causa ao salgado ou um qualquer nogueiraleite em prateleira dourada para ficar calado uns tempos) e escrevem livros sobre como eles seriam imensamente bons a fazer aquilo em que são imensamente maus todos os outros, incluindo aqueles que convidam semanalmente para nos ensinar como somos todos tão maus e mesquinhos, os tipos que ganham 500, 1000, 1500 euros por mês e provocamos a falência do país e ainda queremos que não nos aumentem mais os impostos, enquanto são todos falinhas mansas com os direitos adquiridos dos que levam milhões e raramente prestam contas do que lhe fizeram. Dito assim, isto parece uma coisa à Paulo Morais, Henrique Neto ou Medina Carreira- quiçá mesmo um Pulido Valente ou António Barreto em dia bom , quando os fantasmas comunistas não os assombram – com a distinta diferença que eu não fui nem quero ser detentor de um cargo com possibilidade de fazer mesmo alguma coisa (porque sei o que temos a pagar em alma por isso) e só quero que me deixem fazer o meu trabalho (leccionar, escrever e publicar umas coisas) e que não me chateiem permanentemente, acusando-me de ser, enquanto professor do ensino público, um privilegiado, um chupista, um egoísta e um incompetente pelo simples facto de ser o que sou.

Vão-se tratar.

Tenho meio século de vida neste torrão – é pouco comparado com os matusaléns de que me lembro desde que usava calções, mas tanto ou mais do que muitos imberbes que agora já herdaram o poleiro em sucessão hereditária ou cooptação medíocre (do género dos nomeados para certos reguladores ou ex-secretários de estado distribuídos com generosidade em administrações e consultorias de negócios que tutelaram) – mas cansa-me ver a degenerescência a que isto consegue chegar, a cada novo patamar de indigência do debate político, seja movida a relvas ou a galambas.

Era pequeno, só me lembro de patrulhas da gnr e chegadas tardias a casa do progenitor, pelo que não assisti com atenção e militância ao estertor do Estado Novo e o PREC para mim foi a época dourada de arrancar cartazes das paredes para horror da minha mãe (porque eu era especialista nos da extrema esquerda e isso poderia acabar em porrada). Já crescido lembro-me do que foi o final do meu secundário e início da Faculdade, os tempos da austeridade do fmi da primeira metade dos anos 80, os salários em atraso, a península de Setúbal a ferro e fogo e as famílias da minha rua com meses no rol de fiado. Lembro-me, já adulto, do vergonhoso final da clique cleptocrática que cresceu à sombra das maiorias cavaquistas, os duarteslimas e muitos outros, ricos de um momento para o outro como se no seu regaço tudo se transformasse em ouro. E, depois, já com a paciência a escassear, a claustrofobia dos tempos maioritários de Sócrates de que nunca se saberá verdadeiramente a dimensão porque muita gente teria de desaparecer do cenário, dos ecrãs, das lições públicas aos palermas. Tempos em que se aprofundaram as raízes uma forma cobarde de fazer política, baseada na crença da impunidade total de quem pode amesquinhar quem bem entende na sua dignidade sem qualquer risco de reparação ou responsabilização efectiva (já repararam como sumiram do mapa, como impolutas virgens, as vozes que questionaram sem fundamento certos currículos, usando-se do candidato idiota, que estava longe de ser o tino?).

Só que agora, neste último ano, a podridão atingiu de uma forma que parece irreparável o debate político, as ideias desapareceram, a menos que sejam as que ouvimos e lemos completamente desligadas do que deveria ser o seu significado concreto, a discussão passou para o nível da indignidade pessoal e a mentira passou a ser um acto voluntário de luta política, distorcendo-se de forma voluntária os factos para atingir meios e fins através do acotovelamento de tudo e todos.

Isto para mim é que é claustrofobia democrática, porque os rangéis que outrora passaram por seus teorizadores e os assis que se acham sebastiânicos, andam à solta como se fossem senadores da República, quiçá mesmo reservas morais do regime, quando não passam de simulacros de políticos a sério, sendo apenas vozes desligadas de qualquer verdadeira base de apoio na sociedade e representando-se apenas a si e à sua vazia vaidade, só possível graças a quem mexe os cordelinhos que os mantém em movimento.

Joker

Pronto, pronto, já me calei, isto foi apenas uma brincadeira de Carnaval. Foi só uma mascarada, eu a fingir de velho dos marretas porque se fosse de pulidovalente ainda acabava em deputados por seis meses. Não é nada a sério e eu já tomei um cházinho de camomila. A Pátria está do melhor, o Governo é do melhor e a Oposição do mais responsável que me foi dado conhecer em toda a História recente, passada e porvir-se.

 

 

Enteados de um Deus Muito Menor

Se o negócio fosse outro, já tinha existido acordo mais do que certo para reverter a situação. Mas como é na área do mercado da Educação, nem se tenta seja o que for. Sim, uma rendição total. Claro que esta explicação chegará para a larga maioria nem chegar a indignar-se (só restando saber os favores que sairão a certas casas, mas isso descobre-se pelo Verão).

O Ministério da Educação (ME) justifica o aumento em 6% das transferências para o ensino particular e cooperativo com os compromissos assumidos pelo Governo PSD/CDS. Na proposta de Orçamento de Estado para 2016, a dotação prevista para o ensino particular é de 254,3 milhões de euros, o que representa mais 14,4 milhões do que a despesa executada em 2015.

Em resposta a questões do PÚBLICO, o gabinete de comunicação do ME esclareceu nesta segunda-feira que aquele aumento “resulta total e exclusivamente da provisão necessária para fazer face aos compromissos assumidos pelo XIX Governo Constitucional no âmbito dos contratos plurianuais em vigor que este decidiu assinar em final de mandato”.

Repito a analogia com Valter Lemos e a sua descarga de responsabilidades em Canavarro quanto à assinatura original de alguns deste contratos de mama no Estado que o Estado é mau. A verdade é que nem está para se ralar com isto, como não estarão para se ralar com outras coisas. Em nome do bem maior.

Vaca