Tautologias

Parece que existe por aí um novo estudo da OCDE.

Costuma ser dia de festa para quem o encomenda e que, de forma rápida, promete cumprir as recomendações que resultam das premissas da encomenda. Pode não ser assim, mas só quando a conjugação astral é muito má. E a assinatura do estudo é quase sempre a mesma. A menos que o especialista de serviço, meu homónimo, nos mandatos do PS esteja de folga.

Se  bem percebo, pela enésima vez, este estudo conclui que uma enorme parcela dos alunos com insucesso escolar são de meios socio-económicos desfavorecidos. Constatação inédita.

Ergo...

Devemos deixar de chumbar (reparem como este termo voltou a estar em força em voga) os alunos porque estamos a ser socio-economicamente injustos e a penalizar aqueles que são mais vulneráveis.

Parece-me uma lógica infalível, tipo-OCDE.

Se os alunos de nível socio-económico baixo chumbam, devemos deixar de os chumbar.

Vou, de forma humilde, propor uma outra lógica, mais fraquinha.

Se os alunos de famílias com um estatuto socio-económico mais baixo apresentam um maior insucesso escolar, que tal se procurarmos elevar esse estatuto e verificar se as coisas melhoram?

Porque, assim visto daqui, parece-me que o insucesso escolar tem factores explicativos, devendo nós agir sobre eles. Certo?

(errado… há quem me diga que com falta de dinheiro não dá para fazer nada e os pobrezinhos têm de ficar pobrezinhos na mesma, dá trabalho lutar contra as desigualdades)

A lógica da OCDE é parecida à do médico que perante uma doença provocada por ausência de água potável, em vez de tentar assegurar que essa mesma água fique em condições de consumo, decide determinar que não se deve diagnosticar as causas dessa situação, deixando de considerar doentes aqueles que doentes estão.

Magoo

7 thoughts on “Tautologias

  1. É de mim ou encontra-se aqui alguma incoerência? Por um lado, a avaliação seria mais credível se existissem provas externas, ou seja, pode inferir-se que elas “obrigam tod@s a andar na linha e a toque de caixa”, ou seja, ainda, há uma desconfiança relativamente à avaliação interna, leia-se desconfiança relativamente ao corpo docente; por outro, critica-se o ME por não confiar n@s professor@s (caso da autonomia, etc). Ora bem, a mim parece-me que tanto o CE como o ME estão na mesma onda: Confiar n@s “zec@s”?? Nem pensar!

    «Em síntese, o CE defende que o sistema poderia ganhar em estabilidade, qualidade e credibilidade “se coexistissem estes dois instrumentos de avaliação externa”, as provas finais e as de aferição.»

    «Autonomia precisa-se
    Outro factor de peso tem a ver com a autonomia das escolas. No relatório refere-se que, quando têm mais autonomia de decisão sobre o currículo e as formas de avaliação, a percentagem e alunos com fracos desempenhos diminui. “Mas esta associação não é observada quando as escolas têm mais autonomia na contratação de professores”, pode ler-se.
    (…)
    Este director defende que as escolas deveriam ter autonomia para contratar alguns dos seus docentes de modo a responder a necessidades mais específicas que têm a ver com o contexto onde se inserem. Mas concorda com a OCDE quanto à boa influência nos resultados dos alunos da autonomia das escolas na definição dos seus currículos e formas de avaliação.
    “Infelizmente o pecado antigo do Ministério da Educação é o de não confiar nas escolas. (…)»

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  2. Gato escondido com rabo de fora: um paternalismo facilitista para que os mais pobrezinhos possam ter um sucesso ilusório para os… perpetuar nesse patamar de indigência.
    Trata-se de uma variante do guião doutrinário seguido por MLR, bem visível nas NO.
    Ou seja, segundo a lógica deste estudo, deveríamos prosseguir e alargar a lógica da cartilha NO para “aumentar o sucesso escolar”.
    Tamos conversados!

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  3. Já todos andamos aqui há uns anitos, periodicamente a ouvir falar no mesmo.

    Vamos lá a isso então: proibamos as retenções de uma vez por todas. Ou, em alternativa, para a coisa não ser tão ‘chocante’, coloquemos a fasquia da retenção nas 6 ditas negativas.

    Já não quero saber. Assim como assim, ninguém quer aprender mesmo…

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