Blogosfera Do(c)ente?

Há um par de meses estive a passar em revista os blogues de professores em actividade há uma meia dúzia de anos ou um pouco mais. Encontrei ainda os vestígios de dezenas, entretanto desactivados, descontinuados, encerrados, sem contar os que decidiram apagar quase totalmente o seu rasto. Entre 2007 e 2010, mais coisa menos coisa, em especial em 2008-09, a efervescência era imensa e contrasta imenso com o estado actual. Claro que continuam a existir muitos, mas a maioria já está agora virada para a própria prática docente, para a publicação de materiais e com um envolvimento muito escasso nos debates do momento. A mim próprio posso acusar disso ao terminar a publicação do Umbigo (sobre isso, hei-de escrever mais em detalhe daqui por uns tempos), pois este quintal  já só se entusiasma com a actualidade de vez em quando. E quando o comecei, como se nota pela barra lateral, optei por não entrar em grandes redes ou inter-conexões como antigamente, de tão cansado de tudo isso.

De qualquer modo, e porque vai renascendo algum calor no debate sobre Educação, gostaria de deixar aqui uma shortlist das minhas leituras blogosféricas nesta área temática, deixando de lado blogues mais generalistas que ocasionalmente tratam o tema (de que será exemplo maior o Aventar).

A lista cabalística é a seguinte:

Correntes – do Paulo Prudêncio a quem, sem provocação, já chamei o senador de todos nós pela antiguidade no activo e postura.

Blog dear Lindo – do Arlindo Ferreira, porque consegue manter um ritmo de trabalho sobre matérias que em tempos abordei mas sem a profundidade e capacidade de tratamento de informação que ele continua a ter.

Professores Lusos – do Ricardo Montes por ter sido aquele que de forma mais concreta deu voz aos problemas e lutas dos professores contratados, assim como – com o defunto Ad Duo – melhor tratava as questões jurídicas.

Anabela Magalhães – da homónima, que é, de certo modo, a senadora das vozes femininas na blogosfera docente, outrora bem mais povoada, e aquela que combina de forma mais completa os materiais enquanto docente e as opiniões de carácter mais político.

ComRegras – do Alexandre Henriques, mais novo nestas andanças neste modelo, mas talvez por isso mesmo com uma pica imensa e com ideais a transbordar, tentando mobilizar muita gente para um projecto que aposta na parceria com as escolas.

Escola Portuguesa –  do António Duarte que, por fim, deu o salto dos comentários para a escrita em espaço próprio, num modelo mais próximo do dos tempos áureos da blogosfera docente, com o qual muitas vezes discordo em termos tácticos, mesmo se acho que os objectivos estratégicos são mais próximos do que pode parecer.

Atenta Inquietude – do José Morgado, que só surge aqui em último lugar porque acho que a sua área de intervenção é mais vasta, fruto da própria origem profissional do autor mas que, por isso mesmo, completa bem esta pequena lista que deixa injustamente gente de fora, mas todas as listas são assim e esta é em forma de 7.

Existindo um dia uma barra lateral, tendo dez lugares, estes estarão certamente por lá, até porque o Antero também acabou por se deslocar mais para o facebook. Mas acredito que não existirão muitos mais candidatos. Infelizmente.

Maqescrever2

14 thoughts on “Blogosfera Do(c)ente?

  1. Antes de mais, agradeço a referência.
    Não sei se a blogosfera docente está doente, noto é que a participação dos professores na internet teve fases distintas: começou nos fóruns de professores, no início do milénio, tempos áureos do Educare, do fórum do SPN ou de um outro que salvo erro se chamava mesmo “Sala de Professores”.
    No tempo da sinistra ministra é que os blogues se tornaram populares. Recordo-me de frequentar vários, e de ter chegado a colaborar num deles, o Cartel, precocemente desaparecido, antes de me tornar comentador, quase habitual, do Umbigo.
    Nos últimos cinco ou seis anos, foram as redes sociais que se tornaram dominantes, remetendo a blogosfera para o plano secundário onde creio que irá permanecer por muito tempo. Ou talvez não. Mas noto, desde que tenho o blogue, que os picos de audiência provêm quase sempre das partilhas de um ou outro post mais interessante, original ou polémico no Facebook. De facto, a maioria dos professores estarão provavelmente nas redes sociais mas não frequentam a blogosfera com regularidade.

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