Iupi!

Serve o post em curso para anunciar que já sou, de novo, um espécime de Direita, práí fascistóide, porque ousei criticar algumas opções orçamentais em matéria de Educação (e porque não sou, relembremo-nos, crítico dos exames/provas finais no Ensino Básico). Concordei com o fim da PACC, da BCE, do PET e do ensino vocacional (tudo ainda por legislar), mas parece que o facto de estar contra a ideia da escola a tempo inteiro, de achar que as opções orçamentais preferiram manter uns compromissos assumidos e não outros que já andam a ser torpedeados há quase uma década e contra o aumento dos apoios ao ensino particular e cooperativo me voltam a encaminhar para o quadrante da Direita, após um período de meses de esquerdismo em que achei boa a actual maioria parlamentar de suporte ao governo e apoiei a candidatura presidencial de António Nóvoa. Percebi ainda, pelo texto abaixo citado, de Mário Nogueira no JN, que a minha posição contra a municipalização de toda a Educação Básica e Secundária – esmagadoramente recusada em consulta feita pela Fenprof – me vai empurrar directamente para a Extrema-Direita radical logo que o governo anuncie de forma mais ou menos explícita que a gestão da rede escolar – com as verbas correspondentes, em especial europeias – vai passar para estruturas de coordenação (inter) municipal.

Realmente, sou um catavento político e ideológico cada vez que defendo as mesmas ideias, com alguns anos (ou apenas meses) de intervalo, perante medidas (ou falta delas) de equipas ministeriais de clubes diferentes. E estou só a falar dos últimos tempos, em que os vargas, as mariascampos e as emíliaspestanas me desapareceram da loja. Sou um rais parta de velho do restelo.

(mas continuo do spórtem, verde)

camaleao

 

5 thoughts on “Iupi!

  1. Por falar em “velho do Restelo”…

    O Velho do Restelo simboliza a preocupação daqueles que antevêem um futuro sombrio para a Pátria.

    Canto IV – Episódio O Velho do Restelo
    (…)
    94
    (O Velho do Restelo)
    “Mas um velho d’aspeito venerando,
    Que ficava nas praias, entre a gente,
    Postos em nós os olhos, meneando
    Três vezes a cabeça, descontente,
    A voz pesada um pouco alevantando,
    Que nós no mar ouvimos claramente,
    C’um saber só de experiências feito,
    Tais palavras tirou do experto peito:

    95
    “Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
    Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
    Ó fraudulento gosto, que se atiça
    C’uma aura popular, que honra se chama!
    Que castigo tamanho e que justiça
    Fazes no peito vão que muito te ama!
    Que mortes, que perigos, que tormentas,
    Que crueldades neles experimentas!

    96
    “Dura inquietação d’alma e da vida,
    Fonte de desamparos e adultérios,
    Sagaz consumidora conhecida
    De fazendas, de reinos e de impérios:
    Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
    Sendo dina de infames vitupérios;
    Chamam-te Fama e Glória soberana,
    Nomes com quem se o povo néscio engana!

    97
    “A que novos desastres determinas
    De levar estes reinos e esta gente?
    Que perigos, que mortes lhe destinas
    Debaixo dalgum nome preminente?
    Que promessas de reinos, e de minas
    D’ouro, que lhe farás tão facilmente?
    Que famas lhe prometerás? que histórias?
    Que triunfos, que palmas, que vitórias?

    98
    “Mas ó tu, geração daquele insano,
    Cujo pecado e desobediência,
    Não somente do reino soberano
    Te pôs neste desterro e triste ausência,
    Mas inda doutro estado mais que humano
    Da quieta e da simples inocência,
    Idade d’ouro, tanto te privou,
    Que na de ferro e d’armas te deitou:

    99
    “Já que nesta gostosa vaidade
    Tanto enlevas a leve fantasia,
    Já que à bruta crueza e feridade
    Puseste nome esforço e valentia,
    Já que prezas em tanta quantidades
    O desprezo da vida, que devia
    De ser sempre estimada, pois que já
    Temeu tanto perdê-la quem a dá:

    100
    “Não tens junto contigo o Ismaelita,
    Com quem sempre terás guerras sobejas?
    Não segue ele do Arábio a lei maldita,
    Se tu pela de Cristo só pelejas?
    Não tem cidades mil, terra infinita,
    Se terras e riqueza mais desejas?
    Não é ele por armas esforçado,
    Se queres por vitórias ser louvado?

    101
    “Deixas criar às portas o inimigo,
    Por ires buscar outro de tão longe,
    Por quem se despovoe o Reino antigo,
    Se enfraqueça e se vá deitando a longe?
    Buscas o incerto e incógnito perigo
    Por que a fama te exalte e te lisonge,
    Chamando-te senhor, com larga cópia,
    Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia?

    102
    “Ó maldito o primeiro que no mundo
    Nas ondas velas pôs em seco lenho,
    Dino da eterna pena do profundo,
    Se é justa a justa lei, que sigo e tenho!
    Nunca juízo algum alto e profundo,
    Nem cítara sonora, ou vivo engenho,
    Te dê por isso fama nem memória,
    Mas contigo se acabe o nome e glória.

    103
    “Trouxe o filho de Jápeto do Céu
    O fogo que ajuntou ao peito humano,
    Fogo que o mundo em armas acendeu
    Em mortes, em desonras (grande engano).
    Quanto melhor nos fora, Prometeu,
    E quanto para o mundo menos dano,
    Que a tua estátua ilustre não tivera
    Fogo de altos desejos, que a movera!

    104
    “Não cometera o moço miserando
    O carro alto do pai, nem o ar vazio
    O grande Arquiteto co’o filho, dando
    Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
    Nenhum cometimento alto e nefando,
    Por fogo, ferro, água, calma e frio,
    Deixa intentado a humana geração.
    Mísera sorte, estranha condição!”

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  2. Com o ps no governo redescubro-me sempre como um direitista incorrigível. Paciência!
    Já disse e vou repetir: São de iniciativa ps as medidas mais gravosas (para professores, pais e alunos, país) no campo da educação. Nada de positivo a esperar nesta área.

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