The Same Old Scene

Um governo chega, acha que as coisas estão mal na Educação – acontece de forma clara e explícita há mais de 20 anos -, identifica uns quantos problemas ou objectivos- sempre virtuosos como os níveis de abandono e insucesso escolar e a necessidade de “melhorar as aprendizagens” ou”qualificar a população” – e nasce uma nova narrativa.

Por via de regra, a narrativa sobre o abandono e o insucesso recorre a um qualquer novo estudo da OCDE e tem quase sempre as mesmas assinaturas. Houve casos em que tivemos estudos tipo-OCDE, feitos por técnicos da OCDE pagos pelo serviço, mas que não o faziam exactamente no âmbito da organização. No governo anterior deslocou-se um pouco o âmbito da encomenda e apareceram coisas tipo-FMI. Surgem recomendações que o Governo acha serem imperativas para o sucesso e a melhoria das aprendizagens dos alunos. E ao abrigo disso legisla-se da forma mais disforme e desconexa entre si, como se quaisquer meios permitissem chegar a quaisquer fins.

E há sempre quem aplauda.

E surgem números a provas de forma indesmentível toda a narrativa. E consegue-se demonstrar que a+b=x e que a é função de g elevado ao cubo aos quadradinhos, tendo em conta a variação de x em Aquário.

Basta ler o posto do João Paulo que eu discuti abaixo e os testos de Guilherme Valente no Público de há uns dias e no Expresso de ontem para perceber que a cor da camisola determina a intensidade do empurrão do defesa central do Campomaiorense sobre o Jardel, atendendo à diagonal do Bruno Paixão.

E um tipo pensa assim, que merda a minha que estou sempre nesta terra de ninguém equivalente a ser do Vitória de Setúbal ou da Académica no campeonato nacional de iniciados em Educação para Totós, que não percebo nada disto e ainda acabo a ver uma série de gente a elogiar a bondade da reintrodução das ACND (com outra sigla ou mesmo em modo descaracterizado) em nome do enriquecimento do currículo e a virtuosidade da municipalização com base no projecto inter-municipal de articulação da rede escolar entre Frielas, Ranholas e Boliqueime de Travessa à Cinta.

4 thoughts on “The Same Old Scene

  1. Eu começo a ter cada vez menos paciência para debater sobre certos assuntos quando do outro lado está sempre alguém que me vê como um adversário só porque não penso da mesma forma ou não visto a mesma camisola.

    É impressão minha ou cada vez mais vemos a intolerância a sobressair quando o assunto mexe com políticas?

    Eu adoro que a malta tenha uma opinião contrária à minha. A sério, fico felicíssimo que isso aconteça pois é a forma de continuar a acreditar que ainda não pirei de vez.

    Mas quando as pessoas deixam de lado os factos, apelam para interpretações baseadas em achismos e começam a insinuar que não vemos bem as coisas porque, coisa e tal, no fundo é porque és de direita ou de esquerda ou simpatizante do partido A ou do político B, phosga-se que a paciência esgota-se mesmo.

    Estive a ler a discussão sobre quem merecia o prémio de pior ministro ou de quem fez pior à escola pública, se MLR o NC. E, respeitando opiniões, acho que muita malta anda mesmo a precisar de memofante.

    Nuno Crato foi um péssimo ministro. Poderia ter sido menos mau se o país não estivesse sobre assistência? Poderia, mas nunca saberemos, apesar de hoje achar que continuaria sempre sendo um verdadeiro flop.

    Mas o que eu sei é que numa altura de festa, Lurdes Rodrigues lançava os foguetes e, pior do que tudo, tratou a classe docente como nenhum outro ministro o fez até hoje, conseguindo afectar de tal forma o ambiente nas escolas e contribuindo para o denegrir da nossa classe de uma forma tal que nunca mais as coisas foram as mesmas, não estivesse ela acompanhada por uma dupla dinâmica de luxo e apadrinhada pelo famoso Al Drabone.

    Crato, com todos os seus defeitos e, principalmente ao meu ver, falta de verticalidade, foi o responsável pela saída de Relvas, o escroque-mor do anterior governo. Lurdes Rodrigues andava a prevaricar (como condenou determinado tribunal), além de assobiar para o lado quando o assunto era a licenciatura do Ingenheiro.

    Resumindo: estivemos muito bem (…) servidos nos últimos anos, mas quem começou e mais atacou a nossa classe, na minha opinião, foi sem dúvida alguma MLR.

  2. Caro Paulo Guinote,

    Mais que qualquer ministro, a ‘classe’ destruiu-se em muitos momentos. Não referindo defeitos de MLR, há um momento que demonstra a cultura docente (e sindical): a manifestação dos 120mil, no final de Sócrates. Contratados, de carreira e reformados todos unidos contra um estatuto, avaliação e visão de educação. Nada a apontar no movimento.
    A chegada de Crato e o despedimento de 30 mil dos contratados e todos calados! Nunca, nos últimos anos, metade desses se uniram contra as reduções e ‘continuidade’ das políticas de MLR por Crato. Porquê? Porque sabiam que o último governo replicaria sem dó nem piedade e fugiram.
    Nunca foi uma visão de educação e profissão, mas tão somente de viver o dia-a-dia. Normal. Compreensível.
    É difícil melhorar e avançar quando se tem uma estrutura com esta ‘capacidade’ de revindicação.
    É evidente que não falo do Sr. nem de muitos outros. Mas a grande maioria não faz ideia nenhuma de profissão. Qualquer ministro os enxovalha… e qualquer sindicato os controla.
    Relembro que Nogueira fez um memorando com MLR… a sua crítica, feita pelos docentes, foi talvez o único momento de alguma clareza da classe, sem continuidade, infelizmente.
    Ou seja, uma confusão completa e, assim, dificilmente há futuro.

    Saudações.

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