Zezeze… zeze… zague… zigue…

Há aqui um par de coisas que me perturbam… a ver se descobrem quais são:

Na véspera da audição parlamentar, o presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), Rodrigo Queiroz e Melo, contou à Lusa que é a favor da reavaliação da rede de escolas com contratos de associação mas que “é preciso olhar para os casos concretos e perceber o que é melhor para os alunos”.

Isto porque, como reconhece Queiroz e Melo, no estudo que vai ser realizado “vão surgir localidades do país onde há contrato de associação, o aluno poderia estar num lado ou no outro”.

Para a AEEP, esta situação permite às famílias escolherem entre uma escola privada e outra pública e, atualmente, existem muitos alunos e pais que preferem frequentar o ensino particular e cooperativo.

Na quarta-feira, diretores, professores e alunos de escolas privadas com financiamento estatal vão defender no parlamento a importância de manter esses contratos de associação.

O pedido de audição foi feito na altura em que Bloco de Esquerda e PCP apresentaram dois projetos de resolução que defendiam a redução (BE) e extinção (PCP) progressiva dos contratos de associação.

“Os projetos de resolução acabaram por ser retirados, mas as pessoas mantiveram o interesse em ser ouvidas. No total são cinquenta pessoas, são rostos concretos de alunos e professores” que frequentam escolas com contratos de associação, contou.

Nutty

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Valores

Há algo em que sou um bocado casmurro. E é na imparidade entre o valor de diferentes conseguimentos. quando comparados os méritos de uns com os seus custos.

Por exemplo: a construção de uma rede de estradas ou de um par de barragens compensa o sacrifício de vidas ao fazê-las sem condições de segurança? O ganho maior, traduzido em estatísticas de desenvolvimento, é comparável com o valor das vidas humanas?

(lembremos, nem sequer com tal custo, o que se passou em Foz Côa, com as gravuras que não sabiam nadar)

Outro exemplo mais extremo: a utilização de trabalho escravo é legitimada pela natureza da obra feita ou a fazer, mesmo que seja um hospital? Ou o Coliseu de Roma? Ou uma daquelas pirâmide bué giras para se tirar selfies à frente?

Reutilizando um exemplo histórico que já usei há uns dias: os avanços conseguidos por Salazar na estabilização das finanças públicas portuguesas nos anos 30 e o facto de ter promovido obras públicas com impacto no desenvolvimento do país podem fazer-nos esquecer o Tarrafal? Ou sequer relativizá-lo?

Que preço ou sacrifícios estamos dispostos a pagar por certos sucessos?

Acho que não será necessário explicitar muito para que se entenda que eu estou aqui a colocar em causa aquela tese – chamemos-lhe isaltina – de que um fim alegadamente virtuoso justifica os meios eticamente muito questionáveis usados ou que a obra final serve para justificar os procedimentos intermédios.

Concretizando para quem não vai lá de outra forma: será que um par de medidas eventualmente menos más de MLR justificam os tratos de polé por ela impostos aos professores? Porque já começo a ler prosas e a ouvir conversas nesse sentido, inclusivamente de pessoal estimável do sindicalismo nacional (não apenas do João Paulo), e está-se-me a arrepanhar aqui o lado esquerdo todo com tanta relativização.

Avestruz

A Solução Final

Comia eu distraidamente a queijada matinal (os pastéis de cereja são algo sazonais) quando observei as borras no fundo da minha bica (penso que deve ter sido tirada com restos da anterior) e vi a solução que acho mais adequada e quase definitiva para resolver o problema do abandono e insucesso escolar.

De acordo com a sua disposição, com a conjugação da orientação este/oeste dos dejectos fecais do bijou da madame que ia a passear pelo passeio, percebi que a escola pública deve ser organizada com três ramos educacionais fundamentais a partir do 5º ano (quiçá antes).

O ramo do internato – em que as famílias depositam a sua prole numa escola da sua escolha – ou área de residência para a esquerda pouco esperta – e vão à sua vida até terem saudades de fazer um afago ou trocar uns monossílabos com a sua progenitura. A escola assegurará ocupação a tempo inteiro, dormida em saco-cama no pavilhão escolar até às 7 da matina (no refeitório nas muitas escolas que a Parque Escolar não dotou de pavilhão da 3ª geração), comida a tempo e horas e roupa lavada através de uma qualquer parceria com aquelas novas empresas de máquinas de lavar na esquina. Ao fim de 12 anos de permanência, desde que não fiquem muitos fins de semana em casa da família, recebem diploma e consideram-se todas as competências plenamente desenvolvidas e adquiridos os conhecimentos indispensáveis para o internato universitário.

O ramo do externato – em que os alunos não precisam de se deslocar à escola, podendo ficar por casa ou vaguear por aí, no espaço real ou virtual, recebendo os materiais por mail ou em partilhas nas redes sociais e fazendo testes online, individualmente para os esquisitos ou em grupo para os que defendam a abordagem colaborativa da descoberta do conhecimento. Desde que tuítem ou instagramem uma vez por quinzena ou laikem dois posts do responsável pelo curso em cada mês, não será possível fazer qualquer registo de abandono escolar. Neste caso, ao fim de 12 anos, para além do diploma anterior, devem ainda receber um certificado de excelência em e-learning e um voucher com um estágio numa empresa à escolha no vale do silicone.

O ramo irregular – destinado à minoria de alunos com famílias que gostam de os ter perto de si e com empregos que o permitam, assim como aos que gostam de ter aulas, aprender de forma presencial com o professor e prestar-se ao enfado da realização de provas de avaliação interna ou – cruzes – externa. Só neste regime se contempla a possibilidade de não transição nos 12 anos de escolaridade obrigatória e exige-se registo criminal e de ausência de dívidas fiscais aos pais, porque isto de querer ter um ensino público tradicional – dirão os especialistas que arcaico – deve ter as suas exigências, porque luxos destes não são para todos.

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